segunda-feira, 14 de novembro de 2016


A INFLUÊNCIA DO CONTEXTO EDUCACIONAL E SOCIOECONÔMICO SOBRE A PERSPECTIVA DOS JOVENS EM RELAÇÃO AO IMPEACHMENT¹

Romário Milhomem da Cruz
Licenciado em Pedagogia
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Boa Esperança – FAFIBE
romariocruz-adm@outlook.com

Maria Ivanice Duarte Ribeiro
Licenciada Plena em Pedagogia
Associação Faculdade de Ribeirão Preto - AFARP
ivaniceduarte@outlook.com

Edvan da Silva Oliveira
Licenciado em Ciências com habilitação em Matemática
Universidade Estadual do Maranhão – UEMA
ed.artelivre@hotmail.com

RESUMO

Este trabalho traz como proposta uma análise acerca de como o contexto educacional e socioeconômico, pode influenciar no direcionamento da perspectiva sobre fatos políticos dos jovens integrantes do movimento sócioreligioso Pastoral da Juventude, detentora de um histórico de lutas em prol dos direitos da juventude. Utilizou-se como objeto o impeachment instaurado contra a ex-presidenta Dilma Rousseff. Para atingir o objetivo da pesquisa, realizou-se com apoio de lideranças do movimento a nível estadual, uma pesquisa por meio de formulário eletrônico, em 10 dioceses onde encontram-se agentes desse movimento e na Arquidiocese de São Luís. Buscou-se uma análise quantitativa, sobre a visão política dos entrevistados, relacionando-a com o grau de instrução e o meio social. Este trabalho apresenta um jovem maranhense com um perfil mais crítico e formador de opinião, capaz de apontar consequências socioeconômicas acerca das últimas transformações do cenário político brasileiro.

Palavras-Chave: Política. Educação. Juventude. Perspectiva.

ABSTRACT

This paper proposes an analysis about how the educational and socio-economic context, can influence the direction of perspective on political events of the members of the movement SOCIO-RELIGIOUS SECTOR young youth ministry, which holds a history of struggles for the rights of youth. It was used as the object initiated impeachment against former President Dilma Rousseff. To achieve the goal of the research was conducted with support movement leaders at the state level, a survey through electronic form, in 10 dioceses which are agents of this movement and in the Archdiocese of St. Louis. We sought an analysis quantitative, on the political views of the respondents, relating it to the level of education and the social environment. This paper presents a young maranhense with a more critical profile and opinion leader, able to point socio-economic consequences on the latest changes in the Brazilian political scene.

Keywords: Politics. Education. Youth. Perspective.


¹Artigo cientifico original desenvolvido sobre análise de pesquisa realizada por iniciativa própria dos autores em parceria com a Pastoral da Juventude do Maranhão (Regional V).

INTRODUÇÃO
           
Este trabalho foi realizado com o objetivo de verificar como a educação, a economia e o grupo social no qual o jovem maranhense está inserido, podem interferir ou influenciar na perspectiva sobre a política nacional. E para tal, fora realizado uma pesquisa, na qual, se teve como objeto de análise a ótica adotada pelos membros da pastoral da juventude maranhense, acerca do processo de impeachment instaurado contra a ex-presidenta Dilma Rousseff. Para se alcançar o objetivo deste trabalho, a pesquisa foi realizada com o apoio de líderes e militantes da pastoral da juventude maranhense, tendo como instrumento de coleta de dados um formulário eletrônico, divulgado dentro do território Regional NE V (Maranhão) da Igreja Católica, composto por 11 dioceses e pela a arquidiocese de São Luís, desses apenas a Diocese de Bacabal não participou da pesquisa.
A democratização do conhecimento propiciou o surgimento de um ambiente cheio de mudanças no perfil da sociedade. Nos últimos cinquenta anos observou-se que a juventude brasileira vem trilhando um caminho emancipatório, cada vez mais crítica e formadora de opinião. Admite-se que parte desse novo perfil, surge da oportunidade de acesso ao conhecimento, o que está sendo facilitado pelas novas tecnologias, que associada à dimensão política e social, tornou a juventude capaz de alcançar um novo nível de interação social. Souza (1995, p. 154), afirma que;

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos. [...] Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

 Ligando o ideal da pastoral da juventude a formação educacional, se obtém um jovem moderno, conquistador do seu espaço na sociedade, através de lutas por mais educação, liberdade de expressão, cultura, direitos e oportunidades igualitários. Conforme Thomaz e Oliveira (2009, p. 03), valores como solidariedade, responsabilidade, afetividade, respeito, honestidade, tolerância, amizade e companheirismo são exemplo de valores que são essenciais à formação do cidadão crítico autônomo e participativo.
Por isso, que se faz comum nos grupos de base da pastoral, um trabalho ativo na construção educacional de valores sólidos, visando um jovem ativo e capaz de influenciar nos rumos de sua comunidade. Pois, acredita-se que educar não é apenas instruir, mas oferecer uma experiência significativa que prepare para a vida (THOMAZ E OLIVEIRA, 2009, p. 03)

1            O NOVO ROSTO DA JUVENTUDE BRASILEIRA: O JOVEM POLITICAMENTE EDUCADO, CRÍTICO E FORMADOR DE OPINIÕES

“Quais são os problemas que mais preocupam os jovens atualmente?”, “O que os jovens valorizam no Brasil?” e “Como eles avaliam a importância da política?” (UNE, 2016), esses entre outros questionamentos estão surgindo na sociedade, que cada vez mais busca compreender o perfil do novo jovem brasileiro. O jovem, que anteriormente tinha sua participação na vida pública restrita, está cada vez mais influenciando os rumos que o país vem tomando.
Conforme observado por Andrade (2012), no Brasil, a oferta de educação passou por uma grande mudança iniciada nos anos 90, onde universalizou-se as modalidades de ensino fundamental, médio e superior, triplicando o índice de matrículas nesta última. Esse cenário patrocinou uma transformação no perfil da juventude, que está mais ativa em todos os ambientes da sociedade.
Em pesquisa realizada pela Agenda Juventude Brasil 2013, tentou-se levantar o pensamento da juventude brasileira em relação à política, observou-se que 54% dos entrevistados vêm compreendendo a política como um fator importante para a vida em sociedade, que 29% ainda não a tem como fator de destaque no seu dia a dia mais reconhecem a importância da mesma. Apenas 16% consideram a política não importante (UNE, 2016).
Essas informações expõem uma mudança na prioridade da juventude. Segundo Rodrigues (2016), 63% da juventude vem expondo uma necessidade de transformação do cenário nacional, e afirmam que o Brasil já deu passos largos neste caminho. Segundo uma pesquisa realizada pela Data Popular, publicada na revista IstoÉ de setembro de 2016, 72% dos entrevistados acreditam que galgaram uma melhoria de vida nos últimos anos. Nesta mesma pesquisa, os resultados reafirmam uma característica especial encontrada na juventude, trata-se de uma visão idealista de um mundo melhor, assim, 92% dos entrevistados admitem ter a capacidade de transformarem o mundo. E como o jovem pode mudar o mundo? Essa resposta encontra-se naqueles 70% que afirma ser possível conquistar essa mudança através do voto, reconhecendo assim, que a política tem um papel marcante no dia-a-dia do cidadão brasileiro.
            Analisando as manifestações iniciadas em junho de 2013, estendendo-se ao ano de 2016, é notório que o grande personagem trata-se da juventude brasileira, que independente da diversidade de interesses, mobilizou-se e foi às ruas reivindicar mudanças na política nacional. Esse maior envolvimento dos jovens foi estimulado pelo sentimento de revolta e indignação. Conforme dados apresentados na Agenda Juventude Brasil 2013,

45% acreditam que a “participação em mobilizações de rua e outras ações diretas” seja uma delas. A esse dado, por si só revelador, se somam 44% de menções à “atuação em coletivos que se organizam em torno de uma causa” e 35% à “atuação em conselhos, conferências, audiências e outros canais de participação desse tipo”. Outros 34% incluem a atuação via “internet, opinando e cobrando políticos e governantes” e 30% referem-se à “atuação em partidos políticos” como forma de ação política potente para melhorar as coisas no país. (UNE, 2016)

            O jovem moderno não está conformado com a conjuntura nacional, traz uma diferença de ser atuante na sua comunidade, por isso quer ser ouvido, e se faz ouvir, pois, encontra-se cada vez mais envolvido em ações e mobilizações em prol da coletividade, atua maciçamente representando os interesses da sociedade pública, e exerce forte influência na política, cultura e na economia.
            Com a interação patrocinada pela globalização, a ampla aptidão da juventude de captar e incorporar as mudanças provocadas pelos avanços da tecnologia age na perspectiva e atitudes desses jovens, e conforme Meirelles (apud RODRIGUES, 2016) são mais contestadores políticos, porque os jovens dessa geração utilizam-se de uma régua muito mais rigorosa para medir a qualidade do serviço público do que seus pais.
            O jovem de hoje não admite ser censurado, e atingido pelo sucesso de diversas políticas públicas e programa de qualidade de ensino, distribuição de renda, redução da pobreza e pleno emprego (RODRIGUES, 2016), assim, depois de ter experimentado uma possibilidade de vida cada vez mais digna, estão cobrando mais e mais dos políticos brasileiros.

2                    A PASTORAL DA JUVENTUDE: IDEOLOGIA, LUTAS E AÇÕES

A pastoral da Juventude – PJ, é um movimento de ação social ligado a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, e que está presente na América Latina. No Brasil, a sua história se confunde com a luta dos jovens por mais espaços, direitos e propostas desafiadoras a uma vida em sociedade mais digna e igualitária.
Conforme Silva (2009), a Pastoral da Juventude iniciou sua caminhada por volta dos anos 60 a 70, através da Ação Igreja Católica – AIC, direcionada para a Juventude Agrária Católica – JAC, Juventude Estudantil Católica – JEC, Juventude Universitária Católica – JUC, e Juventude Operária Católica – JOC, organizações que atuaram contra o Golpe de 1964, buscando direitos para a juventude. A PJ absorveu muito da AIC, da Teologia da Libertação – uma linha que dá preferência aos pobres, e recorre à utilidade das ciências humanas e sociais, e a Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire, que traz como proposta uma metodologia de relacionamento entre educador, indivíduo e sociedade em uma visão crítica da educação sistematizada por ideais marxistas.
            Em todas as ações e projetos permanentes da Pastoral da Juventude, prevalece à ideologia da luta pela vida dos jovens comprometendo ao convite do evangelho cristão de vida plena. Na Civilização do Amor não pode haver morte, preconceito, dor e extermínio. (PASTORAL DA JUVENTUDE, 2014). Esse movimento busca está atuante em todas as esferas da sociedade onde o jovem está presente. Políticas públicas, segurança em todos os aspectos, liberdade e bem-estar são os objetivos onde se edifica as estratégias de operação e intervenção política nos variados ambientes da sociedade organizada (poder público e sociedade civil), com a pretensão de mobilizar a juventude em prol da garantia de seus direitos.
            Com os novos rumos da educação e da política nacional, a juventude inserida nesse movimento está orientada a uma ideologia de defesa pela democracia, ampliação dos espaços de ação e pela garantia de direitos cada vez mais desenvolvidos.
            Portanto, a Pastoral da Juventude atua como uma defensora dos diretos destinados aos jovens, e para que se garantam os mesmos, articula-se em todos os âmbitos e níveis da política, economia e cultura, demandando os anseios da juventude brasileira.

3       A EDUCAÇÃO E A FORMAÇÃO DOS JOVENS INTEGRANTES DA PASTORAL DA JUVENTUDE MARANHENSE

            A pastoral da Juventude do estado do Maranhão faz parte do território Regional NE V da Igreja Católica do Brasil, e é composta por 11 dioceses e 1 Arquidiocese. Durante o levantamento dos dados, a participação dos jovens por diocese fora bem equilibrada, sendo que somente não se obteve resultados da Diocese de Bacabal.
Durante a pesquisa, constatou-se que o índice de escolaridade dos entrevistados está caracterizado por índices regulares de educação, onde 57,7% já estão inseridos ou concluíram uma educação de nível superior, e 38,3% estão com escolaridade de nível médio ou técnico. O que justifica o fato dos jovens serem formadores de opinião altamente críticos aos problemas sociais.

Gráfico 02: Grau de Escolaridade – Jovens da Pastoral da Juventude no Maranhão

            Os entrevistados demonstraram ter conhecimento em disciplinas relacionadas às ciências sociais e humanas. 71,4% dos entrevistados responderam ter conhecimento ou interesse na disciplina de ética e cidadania, 83,2% em filosofia, 27,7% em ciência política, 55,5% em formação econômica do Brasil, 21% em economia, 23,5% noções em direito e 77,3% em sociologia.
            Porém, apesar de um nível de escolaridade favorável, observou-se que o nível médio de renda per capita das famílias desses jovens ainda não é satisfatório, quase dois terços destes tem renda per capita abaixo de um salário mínimo e meio.

Gráfico 03: Renda per capita dos entrevistados

3.1              Perspectiva política

            Em se tratando de políticas públicas para a juventude, 77,9% dos entrevistados respondeu ter sido beneficiado por programas governamentais de assistencialismo, melhoria de renda ou oportunidade educacional, sendo que 47,8% afirmaram ter sido beneficiados pelo Bolsa Família, 12,4 pelo SISU (Sistema de Seleção Unificada), 4,4% pelo FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), 6,2 pelo PRONATEC (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), 0,9 pelo Minha Casa Minha Vida e 6,2 por outros programas não listados na pesquisa.
Devido à característica atuante e intervencionista da Pastoral da juventude no Maranhão, constatou que 79,2% dos casos, a política é assunto presente nos debates dos grupos de base ou no círculo de amizade desses jovens. Sendo que, na formação desses jovens 73,3% acreditam ter capacidade para discernir e diferenciar a política de direita e esquerda. Verificou-se que 76% viram o impeachment como uma batalha camuflada entre as correntes as capitalistas e socialistas.
Quase em sua totalidade, os jovens que participaram desta pesquisa, acreditam na teoria de que o Brasil está vivenciando um momento de crise, onde 67,8% afirmam serem política e econômica, 18,2% dizem tratar-se apenas de uma crise política e 9,9% diz ser uma crise econômica.

3.2              A ótica da juventude sobre o Impeachment de Dilma Rousseff

Quando os entrevistados foram questionados se acompanharam o processo de impeachment de Dilma Rousseff, 52,9% responderam que sim, 45,5 que acompanharam parcialmente alguns fatos, outros 1,6% responderam que não acompanharam ou somente tinha informação do que outras pessoas lhe comunicavam.
Buscando compreender como os jovens da PJ maranhense avaliaram o governo da ex-presidente, 66,7% manifestaram uma visão positiva ao período em que Dilma Rousseff esteve no comando da nação brasileira, e um terço em média respondeu que esse governo foi regular ou insatisfatório. Em se tratando das acusações de crime de pedaladas fiscais contra a ex-presidenta, 75% acreditam ser injustas e por isso tem ela como inocente 16,7% julga ela como culpada e os outros 8,3% não detêm conhecimento necessário para manifestar uma opinião sobre o assunto. Durante a pesquisa, os entrevistados foram questionados se eram a favor ou contra o processo de impeachment instalado contra Dilma Rousseff, 82,5% se posicionaram contra, 9,2% a favor e 8,3% decidiram se manter neutro a respeito.
Na abordagem sobre as teorias de defesa e acusação, 77,3% dos entrevistados concordaram com a teoria de que o processo de impeachment trata-se de um golpe movido por interesses políticos, em posição contraria 22,7% acreditam que o processo de impedimento foi necessário, onde 19,3% desses a que se posicionaram a favor, afirmaram que o ideal seria o afastamento de toda a chapa presidencial eleita. Com a consumação do processo de impedimento, 94,2% dos entrevistados manifestaram interesse por realização de novas eleições para o sucessor de Dilma Rousseff na presidência do Brasil. Na visão econômica, 86,7% aderiram à ideia de que o resultado obtido no impedimento da ex-presidenta irá afetar de modo negativo a economia nacional, não somente perante o mercado internacional, mais prejudicará também programas/projeto sociais e culturais, que tanto contribuíram para o desenvolvimento da sociedade brasileira.

CONCLUSÃO

Quando surgiu a iniciativa de tentar compreender como o contexto educacional e socioeconômico direciona a perspectiva política da juventude da pastoral da juventude do maranhão, não se imaginava quão forte poderia ser a influência de uma postura social adotada pelo movimento, ainda mais se reforçada pela democratização do conhecimento e do acesso à educação.
Um histórico de lutas originado na década de 60, durante o período da Ditadura Militar, hoje é refletido por manifestações e uma participação mais ativa dos jovens nos meios de discussão social. O jovem moderno não admite uma regressão política, e está criticamente maduro para definir a sua linha de militância e trajetória social, assim, não é de se estranhar que diante de uma transição política, que a juventude desse movimento adquira um posicionamento político de esquerda, e vejam o impeachment de Dilma Rousseff como um golpe de Estado.
Então, conforme os dados levantados pode-se reafirmar que a juventude moderna adquiriu um novo rosto, que está em vantagem tecnológica, que está mais preocupada com o conhecimento, com a sociedade e com a política, tendo voz e força para brigar pelos seus interesses, e que está cada vez mais unida na garantia dos seus direitos e do seu espaço na sociedade.



REFERÊNCIAS

ANDRADE, Cibele Yahn. Acesso ao ensino superior no Brasil: equidade e desigualdade social. UNICAMP. 31/07/2012. Disponível em: <https://www.revistaensinosuperior.gr.unicamp.br/artigos/acesso-ao-ensino-superior-no-brasil-equidade-e-desigualdade-social>. Acessado em: 13 de setembro de 2016.

PASTORAL DA JUVENTUDE (Cnbb). A juventude quer viver. Projetos – Campanha A juventude quer viver – 2014. Disponível em: < http://www.pj.org.br/projetos/a-juventude-quer-viver/>. Acessado em 14 de setembro de 2016.

RODRIGUES, Alan. O que os jovens pensam sobre a política. ISTOÉ, Ed. 2440, 09.09.2016 Disponível em: < http://istoe.com.br/380009_O+QUE+OS+JOVENS+PENSAM+SOBRE+A+POLITICA/> Acessado em: 10 de setembro de 2016.

SILVA, Lourival Rodrigues da. Pastoral da Juventude: Um jeito de ser e fazer. Orientações para a caminhada: um CORPO em construção. São Paulo: CCJ, 2009.

SOUZA, Sônia M. Ribeiro de. Um outro olhar: Filosofia. São Paulo: FTD, 1995.

THOMAZ, Lurdes; OLIVEIRA, Rita de Cassia. A Educação e a formação do cidadão crítico, autônomo e participativo. 2009.


UNE, União Nacional dos Estudantes. Pesquisa Revela Interesse de Jovens Brasileiros pela Política. Disponível em: <http://www.une.org.br/2013/08/pesquisa-revela-interesse-dos-jovens-brasileiros-pela-politica/>. Acessado em: 13 de setembro de 2016.

Baixe o pdf aqui: http://www.slideshare.net/mariocruzpowwh/a-influncia-do-contexto-educacional-e-socioeconmico-sobre-a-perspectiva-dos-jovens-em-relao-ao-impeachment

UMA REFLEXÃO EDUCACIONAL SOBRE AS DIMENSÕES DO HOMEM


UMA REFLEXÃO EDUCACIONAL SOBRE AS DIMENSÕES DO HOMEM¹

Maria Ivanice Duarte Ribeiro
Licenciada Plena em Pedagogia
Associação Faculdade de Ribeirão Preto - AFARP
ivaniceduarte@outlook.com

Edvan da Silva Oliveira
Licenciado em Ciências com habilitação em Matemática
Universidade Estadual do Maranhão – UEMA
ed.artelivre@hotmail.com

Romário Milhomem da Cruz
Licenciado em Pedagogia
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Boa Esperança – FAFIBE
romariocruz-adm@outlook.com

RESUMO

A educação sempre buscou fazer uma reflexão acerca do homem e suas diversas dimensões, não é uma tarefa fácil, pois requer uma compreensão a da ampla possibilidade de ambientes e o tempo, fatores que tem relação direta com características peculiares de cada sociedade, ou seja, de cada indivíduo. Noção de cultura, política, linguagem e justiça pode ser uma pista para esse enigma que não pode ser reduzido a um simples animal, mais um “SER” complexo e multidimensional.

Palavras Chaves: Homem. Dimensões. Sociedade.

ABSTRACT

Education has always sought to make a reflection about man and its various dimensions, is not an easy task, as it requires an understanding of the broad possibility of environments and time, factors that are directly related to specific characteristics of each company, ie of each individual. Notion of culture, politics, language and justice can be a clue to this puzzle that can not be reduced to an animal simple, more "BE" complex and multidimensional.

Key Words: Man. Dimensions. Society.


¹Artigo cientifico original desenvolvido sobre análise de uma discussão educacional com fundamentação em revisão bibliográfica.




INTRODUÇÃO

Refletir acerca do homem em todas as suas dimensões não é uma tarefa tão simples de propor, mais se transforma em um desafio prazeroso de enfrentar. Por natureza, o homem é um ser social e político, e todas suas dimensões como um “SER” levam para essa necessidade de se socializar. Segundo Modin (1980, p. 155);

O homem é essencialmente sociável. Sozinho não pode vir a este mundo, não pode crescer, não pode educar-se; sozinho não pode nem ao menos satisfazer suas necessidades mais elementares nem realizar suas aspirações mais elevadas; ele pode obter tudo isso apenas em companhia dos outros.

Percebendo isso, compreende-se que o homem precisa da relação social para desenvolver outras dimensões como a linguagem, Cultura e Liberdades. O homem é essencialmente multidimensional, e consegue desenvolver a sua própria realidade através do próprio esforço em melhorar a si próprio.
Dantas (2011), diz que o homem é sociável, assim eminentemente político, e é através dessa característica que o homem se torna capaz de interferir no curso dos diversos ambientes a qual se encontra inserido, alterando de tempos em tempos a sua própria linguagem, cultura e liberdade em todos os aspectos.

1                    O HOMEM EM SUAS DIVERSAS DIMENSÕES

O que é o homem? Quais são suas dimensões? O que separa o homem da natureza? Essas são questões que há muito a Antropologia faz acerca do homem, tentando uma compreensão desse ser que é capaz de desenvolver características próprias e no ambiente, seja ele um ambiente cultural ou político.

Ampliando o instinto gregário enquanto condição primária de sobrevivência, o homem estabelece elos cooperativos como fundamento das instituições sociopolíticas, demarcadas por valores e legislações que orientam e regulam, cuja finalidade de última, em tese, é o bem-estar individual e coletivo (DANTAS, 2011, p. 41).

            Como um ser por essencial social, o homem desenvolveu outras dimensões para permitir o convívio entre seus iguais, sua linguagem como um instrumento para aproximar a compreensão entre os indivíduos, sua Cultura como identidade que se encaixa em um grupo, sua liberdade contemporânea onde cada pessoa pode decidir a respeito de sua sexualidade, afiliação política e opinião sobre os diversos temas.
            Com a sua dimensão política o homem se tornou capaz de alcançar esse nível de interação social. Souza (1995, p. 154), afirma que;

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos. [...] Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

            Por isso, se faz importante que o homem conheça plenamente suas dimensões como um ser social e pensante, para que tenha a capacidade de edificar a Cultura, a Política, a Sociedade em prol do bem comum e da plenitude do homem em todos os aspectos. Aqui entra o conceito de justiça, um instrumento que é utilizado para equalizar a ordem da vida em sociedade, e que pode mudar conforme o contexto e o tempo que se insere.
            A justiça é a instituição que ajuda a manter uma garantia da dimensão de liberdade do homem, pois segundo Pegoraro (2006, p. 124), a justiça proíbe que a perda de liberdade de alguns possa ser justificada pela obtenção de um maior bem para todos os outros. Dantas (2001, p. 53) comenta que;

Os justos acordos derivam de princípios justos e regulamentariam uma sociedade baseada na cooperação mútua que, porém, pode ser perturbada por interesses divergentes. Mas o papel da Justiça seria justamente mostrar a vida boa a partir da participação social cooperativa.

            Observa-se que o autor leva a reflexão de que a justiça está andando paralelamente a cooperação voluntária das pessoas que vivem em sociedade, pois os indivíduos necessitam uns dos outros para poder atingir sua plenitude.
            A busca por princípios equitativos é o reflexo das diversas dimensões do homem, e sua necessidade de garantir necessidades do bem comum, o mesmo é capaz de ampliá-las para edificar esse processo social. Porém, o homem às vezes apresenta uma dimensão individualista, mesmo com o histórico de lutas para chegar liberdade e a justiça da sociedade contemporânea.

Esta posição ideal supõe que cada participante seja livre, consciente e isento de influências de instituições grupos e pessoas; pelo “véu da ignorância” desconheçam as diferenças sociais. Assim, ninguém proporia acordos baseados em vantagens econômicas. (DANTAS, 2011, p. 53).

            Então, onde o homem alcança uma dimensão total de liberdade? Já que o mesmo se sujeita a sacrifícios em prol do bem comum, ou, até onde o homem pode se considerar um ser livre vivendo em sociedade? Essa é uma resposta difícil de alcançar, devido aos diferentes contextos sociais que temos o homem presente, mas o livre argumento pode ser um instrumento de equalização, e essa dimensão da linguagem é uma dádiva, é algo característico do homem. Habemas (1989 p. 112), diz que; Não é lícito impedir falante algum, por uma coerção exercida dentro ou fora do discurso valer-se de seus direitos. Então o homem é um sujeito capaz de buscar uma cooperação de verdade entre seus iguais, mas apenas será interessante à força do melhor argumento (HABEMAS,1989, p. 17).
            Mais como definir o homem, ou a sociedade? Relativo à função da arte, quando pedagógica, social e politicamente ela se insere numa determinada conjuntura e a partir desta torna-se instrumento de crítica, transformação e libertação (DANTAS, 2011, p. 64). Definir o homem em toda a sua essência não é tão simples, porém a dimensão cultural pode ser uma pista para esse universo, pois a cultura se define dentro do contexto da liberdade de expressão, arte e das diversas linguagens do homem em sociedade.

CONCLUSÃO

Verificou-se que, o homem é um “SER” por natureza complexo, de necessidades variadas, e com um instinto que o leva para viver em sociedade, pois é na vida coletiva que o mesmo pode exercer a sua humanidade em todas as dimensões. Sozinho o homem é limitado, porém, em sociedade o homem é capaz de grandes feitos.
A sociedade dá ao homem a oportunidade de transformar sua realidade através da política e da linguagem argumentativa, tudo em prol da sua liberdade multidimensional e a liberdade do bem comum, além de garantir a sua expressividade cultural, garantido uma identidade social.



REFERÊNCIAS

DANTAS, José Carlos. Antropologia filosófica. São Luís: UemaNet, 2011.

HABERMAS, Jurgen. Consciência Moral e Agir Comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.

MONDIN, Battista. O Homem, quem é ele? São Paulo: Paulinas, 1980

PEGORARO, Olinto. Ética dos Maiores Mestres Através da História. São Paulo: Editora Vozes, 2006.

SOUZA, Sônia M. Ribeiro de. Um outro olhar: Filosofia. São Paulo: FTD, 1995.

A educação musical como estratégia didática para construção e desenvolvimento social e individual de crianças e adolescentes


A educação musical como estratégia didática para construção e desenvolvimento social e individual de crianças e adolescentes¹

Romário Milhomem da CRUZ²
Universidade Federal do Tocantins - UFT


Resumo

A presente pesquisa foi elaborada objetivando uma análise de como a educação musical, inserida no currículo escolar, pode ser utilizada como estratégia didática para facilitar a construção social e individual de crianças e adolescentes, propiciando habilidades como a criatividade e o raciocínio lógico, facilitando assim o processo de ensino aprendizado desses educandos. Este estudo, é o resultado de uma pesquisa realizada em parceria com a Associação Sul Maranhense de Música – ASMU e profissionais de educação de municípios da região de Imperatriz, a qual utilizou-se de um questionário para o levantamento de dados. A pesquisa traz dados positivos e favoráveis a educação musical, justificando a sua inserção no currículo escolar, e sua influência no desenvolvimento de características socioculturais dos alunos. Assim, a música apresenta-se como um instrumento facilitador do processo de ensino e aprendizado, que pode ser utilizado como propulsor de melhores índices da educação brasileira.

Palavras-Chave: Educação. Música. Aprendizagem. Sociocultural.



Abstract

This research was developed with objective analysis of how music education, included in the school curriculum can be used as a teaching strategy to facilitate the social and individual construction of children and adolescents, providing skills like creativity and logical thinking, thus facilitating the process of teaching learning of these students. This study is the result of a survey conducted in partnership with the Southern Association Maranhense Music - AsMu and municipalities education professionals Empress region, which was used a questionnaire to survey data. The research brings positive data and favorable music education, justifying its inclusion in the school curriculum, and its influence on the development of socio-cultural characteristics of students. So, music is presented as a facilitator of the teaching and learning process, which can be used as propellant best indexes of Brazilian education.

Key-words: Education. Music. Learning. Sociocultural.



Resumen

Esta investigación se desarrolló con el objetivo de un análisis de cómo la educación musical, incluido en el plan de estudios de la escuela puede ser utilizado como una estrategia de enseñanza para facilitar la construcción social y los niños y adolescentes individuales, proporcionando habilidades como la creatividad y el pensamiento lógico, lo que facilita proceso de enseñanza aprendizaje de estos estudiantes. Este estudio es el resultado de una encuesta realizada en colaboración con la Asociación del Sur Maranhense Música - ASMU y municipios profesionales de la educación emperatriz región, que se utilizó un cuestionario de datos de la encuesta. La investigación aporta datos positivos y favorables educación musical, lo que justifica su inclusión en el plan de estudios de la escuela, y su influencia en el desarrollo de las características socio-culturales de los estudiantes. Así, la música se presenta como un facilitador del proceso de enseñanza y aprendizaje, que puede ser utilizado como mejores índices de propulsor de la educación brasileña.

Palabras claves: Educación. Música. El aprendizaje. Sociocultural.



[1] Trabalho apresentado ao GT 3 – Comunicação, Cultura e Território, da I Jornada Interdisciplinar do PPGCom/UFT.
[2] Aluno do Curso de Especialização em Educação, Pobreza e Desigualdade Social da Universidade Federal do Tocantins - UFT.  E-mail: romariocruz-adm@outlook.com.



Introdução
           
Buscando compreender como a educação musical, está sendo utilizada como estratégia didática para construção e desenvolvimento social e individual de crianças e adolescentes da rede educacional, foi que surgiu a proposta deste trabalho dos autores em parceria com professores de música e com a Associação Sul Maranhense de Música – ASMU. Foi realizada uma pesquisa através de formulários eletrônicos com alguns alunos de projetos musicais da rede pública e privada presentes nas cidades de Davinópolis, João Lisboa, Imperatriz, Porto Franco, São João do Paraíso e Sítio Novo.
            Muitos são os resultados positivos apresentados por pesquisas de diversos outros autores em relação aos efeitos provocados pela música na construção do intelecto e da personalidade da humanidade, pois conforme Góes (apud GARCIA; SANTOS, 2012), o envolvimento da criança com o universo sonoro começa ainda antes do nascimento. (GÓES apud GARCIA; SANTOS, 2012).
Não se pode visualizar a música somente como uma ferramenta auxiliadora no aprendizado de crianças e adolescentes, mas podemos coloca-la como um excelente instrumento de cidadania, e nessa linha de pensamento, Góes (apud GARCIA; SANTOS, 2012) diz que projetos que envolvem músicas, integração social e esporte, especialmente com crianças e adolescentes carentes ou de rua, espalham-se pelo país e são cada vez mais populares pela sua eficácia.
Na observação de Chiarelli; Barreto (apud GARCIA; SANTOS, 2012), fez a seguinte colocação sobre a música;

Pelo seu caráter lúdico e de livre expressão, não apresentam pressões nem cobranças de resultados, são uma forma de aliviar e relaxar a criança, auxiliando na desinibição, contribuindo para o envolvimento social, despertando noções de respeito e consideração pelo outro, e abrindo espaço para outras aprendizagens.

            Então como não tem um caráter de cobrança, mas sendo um ambiente de alivio e relaxamento, a música envolve todos os aspectos necessários à abertura de caminhos facilitadores do trabalho do educador, garantindo maiores índices de aprendizado e retorno dos conteúdos apresentados em sala de aula.
Portanto, este trabalho traz como objetivos a compreensão do papel da música como um instrumento estratégico e facilitador do ensino aprendizado, fortalecendo o desenvolvimento pessoal, social e cultural desses educandos e aumentando a autoestima e o rendimento escolar dos mesmos.

1               A Educação Musical no Currículo Escolar

            O homem, é um ser que transborda de sentimentos e consegue transferi-lo para o seu exterior por meio da arte e sensibilidade, e um do meios utilizado desde os primórdios da civilização para a expressão do sentimento é a música, uma arte de combinar sons. O homem em qualquer época de sua existência, em qualquer cultura de nossa civilização fez e faz música (ARTEN; ZANCHETA; LOURO, 2007, p. 18), e ela está presente em todos os níveis e dimensões da sociedade.
            A música tem uma capacidade de direcionar vários aspectos da vida e da razão humana, que tornou-se uma grande aliada na educação de crianças e adolescentes de todas as culturas, A linguagem musical é excelente meio para o desenvolvimento da expressão, do equilíbrio, da autoestima e autoconhecimento, além de grande meio de integração social (BRASIL, 1998, p.49). Por isso, é que facilita a aplicabilidade de uma educação diferenciada, fomentando à ampliação de aspectos cognitivos e reduzindo a capacidade de aprendizagem dos educandos.
            Como a música pode ser inserida em todos os universos e dimensões da educação, Silveira e Andrade (2012) afirma ser possível trabalhar todos os eixos educacionais, além de ser lúdico e prazeroso para as crianças e adolescentes se expressarem através das canções, das cantigas de roda, das danças, entre outros atos. E sendo um caminho prazeroso de se trabalhar, adquiri propriedade para justificar a sua inserção no currículo educacional.
            Conforme afirmam Weigel (1988) e Barreto (2000) apud Garcia; Santos (2012), a participação da educação musical no ensino de crianças e adolescentes, pode contribuir de modo duradouro no desenvolvimento de aspectos cognitivos, linguísticos, psicomotores e sócio afetivos destes, minimizando os obstáculos que são apresentados na aplicação do currículo escolar básico.
Mais por que o educador deve utilizar a música na aplicação do currículo escolar? Porque segundo Silveira e Andrade (2012), ao recorrer a essa ferramenta, o educador tem uma forma privilegiada de alcançar seus objetivos, podendo explorar e desenvolver características no aluno. (SILVEIRA e ANDRADE, 2012). O que traz um reforço a afirmação anteriormente realizada, onde a música tem uma capacidade de reforçar capacidades de aprendizagem por ser uma matéria prazerosa.
            Na análise de Lima (apud GARCIA; SANTOS, 2012), o indivíduo com a educação musical cresce emocionalmente, afetivamente e cognitivamente, desenvolve coordenação motora, acuidade visual e auditiva, bem como memória e atenção, e ainda criatividade e capacidade de comunicação. Ou seja, a educação musical ultrapassa barreiras invisíveis que foram estabelecidas entre a escola, comunidade e as políticas públicas, podendo até contribuir com a formação de pessoas mais críticas, humanas e sociais, formadoras de opinião.
            Quando o professor passa a entender o poder e o efeito que as atividades lúdicas têm sobre crianças e adolescente, poderá explorar mais desses recursos para a garantia do sucesso da aprendizagem, e a música como um recurso auditivo pode contribuir com a proposta de ensino do professor, de maneira interativa com as disciplinas. (GÓES apud GARCIA; SANTOS, 2012). E essa interatividade vem acompanhada de uma dinamicidade que prende a atenção e o esforço dos alunos dentro da sala.
            A educação musical já provou em diversos projetos educacionais que tem uma infinidade de vantagens para a aprendizagem principal na construção cognitiva das crianças e dos adolescentes. Silveira e Andrade (2013) afirmam que, a linguagem musical deve estar presente no contexto educativo, envolvendo atividades e situações desafiadoras e significativas que favoreçam a exploração, a descoberta e a apropriação de conhecimento.
            Por oportunizar um universo de sensações e descobertas, a música atrai e envolve as crianças, serve como motivação, eleva a autoestima, estimula diferentes áreas do cérebro, aumenta a sensibilidade, a criatividade, à capacidade de concentração e fixação de dados. (GÓES apud GARCIA; SANTOS, 2012). Então, por que esta ferramenta tão útil para a formação de cidadãos ainda não está concretamente sendo utilizada dentro das instituições de ensino?
            Muito já se progrediu, recentemente o governo brasileiro lançou dentro do pacote do programa Mais Educação, fomento para a inserção da pratica musical na sala de aula. Cada vez mais instituições educacionais estão utilizando a música como eixo norteador do processo de alfabetização. (SILVEIRA e ANDRADE, 2012). E por que não consorciar a educação musical com outras disciplinas? Tornando as aulas mais dinâmicas e interativas? Por que ainda não se propagou a ideia entre os educadores de todas as redes e modalidades, criando uma ligação multidisciplinar com a música?
            Já foi provado que a presença da educação musical contribui com muitos aspectos da construção humana, Silveira e Andrade (2012) diz que ela auxilia a percepção, estimula a memória e a inteligência, relacionando-se ainda com habilidades linguísticas e lógico-matemáticas ao desenvolver procedimentos que ajudam o educando a se reconhecer e a se orientar melhor no mundo.
            Silveira e Andrade (2012), dizem que a música não substitui o restante da educação, e nem poderia, mas tem função de atingir o ser humano em sua totalidade. Aqui cabe recordar que o objetivo da educação de crianças e adolescente, é proporcionar o desenvolvimento do indivíduo em todos os aspectos e dimensões, e a educação musical se apresenta como uma forte aliada para se alcançar esse objetivo, pois como disse Silveira e Andrade (2012), nenhuma outra atividade consegue levar o indivíduo a agir. A música atinge a motricidade e a sensorialidade por meio do ritmo e do som, e por meio da melodia, atinge a afetividade. (SCAGNOLATO apud GARCIA; SANTOS, 2012), e como resposta, fomenta pessoas sociáveis e desenvolvidas em plena formação.

2               O perfil sócio-educacional dos beneficiários da educação musical na região sul maranhense
           
Na tentativa de compreender aspectos didáticos e sociais ofertados pela educação musical ao currículo escolar, é que surgiu a proposta deste trabalho, uma pesquisa realizada mostra que essa reflexão reforça o que já vem tomando espaço nos círculos de debates sobre as estratégias educacionais facilitadoras do desenvolvimento cognitivo de crianças e adolescentes por meio de atividades lúdicas, e o crescimento pessoal através de uma maior compreensão social e cultural do universo em que o educando está inserido.
A faixa etária dos alunos inseridos nesses projetos foram identificados sendo como 12% dos alunos com idade de 10 anos, 5% com idade de 11 anos, 9% com idade de 12 anos, 11% com idade de 13 anos, 12% com idade de 14 anos, 12% com idade de 15 anos, 13% com idade de 16 anos, 12% com idade de 17 anos, e os outros 14% com idade entre 18 a 20 anos. Observando esses dados, é notório uma regularidade no índice médio de participação, ou seja, a uma procura igualitária entre crianças e adolescentes, independente de uma faixa etária especifica.
Fora constatado que há uma democracia de gêneros em relação à procura da prática de educação musical, onde a participação feminina é de 53,8%, um pouco à frente da presença masculina que é de 46,2%, conforme o levantamento realizado.
Em relação a escolaridade observou que os alunos do ensino fundamental que apresentam maior interesse nos projetos de educação musical são aqueles que estão nas series finais, onde o 9º ano saiu a frente com 24,6% de participação, o 8º ano com 12,3%, o 7º ano com 9,2%, o 6º ano com 3,1% e em último colocando foi o 5º ano com 1,5% de participação. O Ensino médio também apresentou forte participação com 49,3% de participação nos projetos e programas de educação musical.
Como a maioria dos projetos implantados surgiram com o fomento realizado pelo programa Mais Educação, constatou-se que os alunos da educação musical não apresentam grandes períodos de participação, sendo que 26,9% tem menos de dois meses frequentando as aulas de música, 25,4% tem entre dois a seis meses, 29,8% de seis meses a um ano, 11,9% de um a três anos e 6% acima de três anos de prática musical.

3                    Perfil financeiro dos beneficiários de projetos de educação musical

Em relação a renda per capita das famílias dessas crianças e adolescentes não apresenta um resultado tão favorável a uma vida em plena dignidade, 67% afirmam ter renda média de até 1,5 salário, 29% de um e meio a três salários, 3% de três a cinco salários e apenas 1% tem acima de cinco salários mínimos como renda. Esse perfil de renda dos alunos frequentadores justifica facilmente porque 97% dos alunos estão inseridos em projetos de educação musical gratuitos e ligados a rede pública de ensino, apenas 3% frequentam aulas pagas, dos entrevistados apenas 28,4% afirmaram ter condições de pagar para fazer aula de música.

Figura 01: Alunos com capacidade de comprar seu instrumento pessoal

            Uma das maiores dificuldades encontrada pelos educadores para inserir a música no currículo dos seus alunos é a falta de recursos materiais e humanos, principalmente pelo fato das instituições não terem orçamento suficiente para a aquisição desses instrumentos e material didático, e somando a esse fator quase dois terços das famílias dessas crianças e adolescentes tem renda per capita de até um salário mínimo, por esse mesmo motivo 63% destes não teriam como adquirir seu próprio instrumento.

4               O contexto cultural e os efeitos da educação musical nas dimensões intelectual, cultural e social dos alunos

            Ao questionar os alunos sobre o seu desenvolvimento pessoal após ingressarem nas aulas de música, unanimemente os mesmos afirmaram ter se beneficiado social e individualmente como pessoa. Com isso percebeu-se durante a pesquisa que 96% adquiriram uma postura mais sociável, considerando-se pessoas mais responsáveis e éticas.

Figura 02: Alunos que demonstraram um senso de responsabilidade social com as aulas de música.

            Vindo agregado a esse senso de responsabilidade social, os alunos beneficiados pelos projetos e programas de educação musical participantes da pesquisa, reafirmou-se a capacidade que a mesma tem de facilitar o processo de aprendizado escolar, onde 70,4% dos alunos apresentaram melhoria no rendimento e desempenho escolar. E associado a esse fator 98,6% dos entrevistados afirmaram que a música tem uma influência positiva na autoestima individual, colocando em evidência que pelo seu caráter prazeroso, a educação musical desenvolve uma sensação de positividade nas ações do educando.
            Dentre as muitas possibilidades encontrada na consorciação da música com o currículo educacional, encontra-se o desenvolvimento de habilidades e virtudes, e justamente nesse aspecto que os entrevistados apresentaram-se como pessoas criativas e com maior capacidade de raciocínio lógico, o que ampliou o entendimento e absolvição do conteúdo programático das outras disciplinas.

Figura 03: Desenvolvimento de habilidade como a criatividade e o raciocínio lógico.

            Por todas essas vantagens que a educação musical agrega no currículo escolar, é que 93,1% dos alunos vem a necessidade dela ser inserida como uma disciplina obrigatória, porém os mesmos apresentam algumas dificuldades para que essa inserção seja de fato eficiente, conforme gráfico abaixo, são essas as dificuldades apresentadas:


Figura 04: Fatores que dificultam a inserção da educação musical no currículo estudantil.

            Outro obstáculo não apresentado no gráfico anterior, mas presente é a falta de apoio familiar para que esses alunos consigam extrair e absorver todos os proveitos que a música pode propiciá-los, segundo 94,4% dos entrevistados não recebem esse apoio de seus parentes.
            Porém, com todas as dificuldades expostas, 91,5% dos entrevistados acreditam na possibilidade de terem a música como uma profissão, que sem dúvida, tem uma característica vantajosa para o mercado, quase a totalidade de seus profissionais tem a música como uma profissão prazerosa de se exercer.

Conclusão

            Durante a construção deste trabalho, observou-se como a música ganha notoriedade dentro do espaço educacional, a sua capacidade de envolver as crianças e adolescentes de maneira prazerosa facilita o processo de ensino e aprendizado, por isso que a educação musical é uma ferramenta estratégica para a construção das diversas dimensões que envolvem o indivíduo e a sociedade, e constrói um universo favorável à aquisição de habilidades e princípios.
            Conforme os dados mostram, ao inserir a educação musical na rotina de crianças e adolescentes da rede educacional, proporcionou-se um novo cenário ao currículo escolar, com a autoestima do educando elevada e a ampliação da capacidade cognitiva, seus beneficiários demonstraram ter desenvolvido capacidades como a criatividade e raciocínio lógico.
            Então, pode-se notar que a educação musical consorciada com o currículo escolar só traz benefícios a construção multidimensional das crianças e adolescentes, e reduz os obstáculos que há muito perseguem a educação brasileira, rendendo assim melhores índices e benefícios para a gerações musicalmente educadas.


Referências


ARTEN, Alessandro de Oliveira; ZANCHETA, Sérgio Luiz; LOURO, Viviane dos Santos. Arte e Inclusão Educacional. São Paulo: Didática Brasil, 2007.


BRASIL. Referencial curricular nacional para a educação infantil / Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. _ Brasília: MEC/SEF, 1998.


GARCIA, Vitor Ponchio; SANTOS, Renato dos. A importância da utilização da música na educação infantil. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Nº 169, 2012. http://www.efdeportes.com/efd169/a-musica-na-educacao-infantil.htm



SILVEIRA, Renato Silva; SANTOS, Daiana Silva dos; SILVA, Milton Cezar da. Análise Psicomotora em Crianças de dois anos de um CEMEI de Luís Eduardo Magalhães – Bahia. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Nº 172, 2012. http://www.efdeportes.com/efd172/analise-psicomotora-em-criancas-de-dois-anos.htm

Baixe o pdf neste endereço: http://www.slideshare.net/mariocruzpowwh/a-educao-musical-como-estratgia-didtica-para-construo-e-desenvolvimento-social-e-individual-de-crianas-e-adolescentes