quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

A CONTRIBUIÇÃO DO ROMANTISMO PARA UMA ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA

Por: Romário Milhomem da Cruz

O Romantismo Alemão, movimento do séc. XVIII, que refuta a reverência exagerada da razão, praticado no iluminismo. O Romantismo Alemão contribuiu com a compreensão geral de uma nova antropologia filosófica por diversos aspectos, sendo propagado por todo o ocidente, desenvolveu bases culturais desta civilização.
Como o idealismo racionalista privou o mundo de seu encanto, e rompeu com o que é metafísico e sobrenatural, os românticos alemães exploraram esse misterioso universo do inconsciente. Santana (2016), observa que os românticos alemães: acreditam profundamente no reencantamento da realidade, em uma imagem do Homem que não é só dá razão, mais sentimento, desejo místico, atração pela Natureza. A autora completa a afirmação ao dizer que: Este ser tem em seu íntimo uma vida interior a ser revelada, que age sobre os românticos com um magnetismo sem par, atraindo-os para o seu núcleo com a voracidade típica do que é novo.
Conforme Salatiel (2011, p. 64), o romantismo, ao contrário da ideologia do iluminismo, fundamenta suas ideias em três pilares: o indivíduo, a natureza e a estética. Observamos que na ideologia do Romantismo Alemão, o universo não se limita a uma “equação exata”, baseado numa ausência de erros, mais uma existência abundante, concedendo uma variedade de oportunidades a serem exploradas, rompendo com uma cultura tradicional baseada razão.
Schiller é um dos filósofos mais proeminentes do romantismo alemão, ele também realiza reflexão acerca da estética de Schelling, um filosofo que melhor representou o espírito romântico, do qual absorveu o apelo religioso, místico e irracional, tendo sido também o primeiro a desenvolver uma Filosofia da Arte (SALATIEL, 2011, p. 64). Schiler (1759-1805), em sua obra A Educação Estética do Homem, disse que:

O impulso lúdico reúne razão e sensibilidade e, por isso, concilia o homem com sua liberdade. Por esta razão, propõe que toda educação comece pela estética, pois somente ela pode desenvolver o indivíduo plenamente em suas faculdades. “A passagem do estado passivo da sensibilidade para o ativo do pensamento e do querer dá-se, portanto, somente pelo estado intermediário da liberdade estética (...). Numa palavra: não existe maneira de fazer racional o homem sensível sem torná-lo antes estético.” (SCHILLER, 2002, p. 113).

Verifica-se que, o romantismo propõe uma emancipação humana, dada por intermédio do reconhecimento da liberdade e da garantia de direitos universais dos sujeitos. Conforme Silva (S/D, p. 02), a proposta do Schiller é elaborar uma avaliação antropológica plena, uma forma de compreensão do ser humano que não se estabeleça concebendo este ser humano bipartido, mas como uma totalidade harmônica entre estas forças que o constituem.
Observa-se que Schiller, encaminha o seu projeto através de uma cultura estética, que tinha a intenção de repor a humanidade sua integralidade, efetuado por meio de bildung que ocasiona-se pares antitéticos como antagônicos, objetivando uma formação humana que valoriza-se os indivíduos em sua totalidade.
Silva (S/D, p. 02), coloca que,

A partir dos apontamentos feitos por Schiller em suas cartas para A educação estética do homem e Poesia ingênua e sentimental, que se pensará em uma proposta para o aperfeiçoamento moral humano a partir de uma cultura estética, que deixa de pensar o homem como uma dualidade de forças inconciliáveis, cuja dignidade está em sobrepor uma à outra, e pense-o a partir de uma avaliação antropológica plena.

            Assim, Schiller, confronta-se com uma formação de uma cultura estética, no qual conhecimento e moralidade, prazer e perfeição, felicidade e realização pessoal apontam como potências que impulsionam o indivíduo para universos diferentes. Então, Silva (S/D, p. 10), afirma que: um progresso humano cuja moralidade se estabeleça não em bases normalistas, formalistas ou legalistas, mas numa tarefa contínua de um auto fazer-se humano; uma atividade de autoconstrução contínua, uma fundamentação estética da vida que busca, no esforço contínuo, transformar sua vida em forma viva.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


SALATIEL, José Renato. História da filosofia moderna. São Luís: UemaNet, 2011.


SANTANA, Ana Lucia. Romantismo Alemão. InfoEscola: Navegando e Aprendendo. Acessado em: 21 de dezembro 2016. Disponível em: <http://www.infoescola.com/movimentos-artisticos/romantismo-alemao/>


SCHILLER, Friedrich. A Educação Estética do Homem: numa série de cartas. Trad.: Roberto Schwarz e Márcio Suzuki. São Paulo: Iluminuras, 2002.


SILVA, Lucas Viana. SCHILLER E A AVALIAÇÃO ANTROPOLÓGICA PLENA: o aperfeiçoamento moral do homem pela cultura estética. UFPI, S/D.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

PERFIL SOCIOECONÔMICO E CULTURAL, EDUCAÇÃO, POBREZA E CIDADANIA, NA PERSPECTIVA DOS BENEFICIÁRIOS DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA E DE EDUCADORES

* Romário Milhomem da Cruz

Estudar a pobreza, é colocar-se à disposição de um debate que admite uma diversidade de reflexões e caminhos, mas compreender a pobreza é uma experiência que só pode ser admitida com a vivencia e a experimentação dos contextos sociais mais vulneráveis, onde as desigualdades são provocadas por um sistema de exploração, que a cada ciclo muda de rosto.
Ao realiza-se um contato com famílias dos beneficiários do programa Bolsa Família, observou-se que os estudos acerca da pobreza não são suficientes para estabelecer uma compreensão de como ela afeta os cidadãos empobrecidos. A experiência de observar como programas de transferências de renda provoca alternativas de vida a esses sujeitos, é algo edificante para a tomada de uma postura e despertar para a importância de políticas públicas eficientes na redução das desigualdades sociais.
Os perfis socioeconômicos e culturais desses beneficiários, são pista para um despertar de um ciclo vicioso de exclusão. Mães solteiras, desempregadas, com no máximo o ensino médio incompleto, domésticas, sendo as principais mantenedoras de um lar simples e humilde, tendo renda média de R$ 420,00, é um modelo de família predominante nas periferias de municípios interioranos da região tocantina (bico do papagaio e sul do maranhão), um reflexo de uma formação histórica e econômica. Importa, neste ponto, lembrar que as mulheres ou, de modo geral, outros grupos sociais submetidos a exclusões e à marginalização da vida social – por exemplo, no Brasil, os(as) negros(as) ou os(as) pobres – sofrem, como percebido por Fraser e Honneth (2006), uma exclusão híbrida.
Em pesquisa realizada com uma família beneficiária do programa Bolsa Família, percebeu-se que a pobreza é dada em uma concepção de baixa renda e ao desemprego. Apesar da condição desfavorecida, o sujeito empobrecido economicamente tem a capacidade de encontrar felicidade com o pouco que tem, e assim, ele consegue contornar situações difíceis de maneiras alternativas, por exemplo, a aquisição de renda através de bicos, permanecendo feliz onde reside. Importante lembra que esse cenário pode ser favorecido com a promoção de programas de transferências de renda, já que, conforme o pensamento de Pinzani e Rego (2014, p. 40), o dinheiro é, seguramente, um elemento necessário para a construção de uma base material da autonomia (ou do desenvolvimento das capabilities ou da liberdade real).
O conjunto dos direitos que compõem o complexo de prerrogativas de um(a) cidadão(ã) e, o que é fundamental, a efetivação concreta desses direitos na vida social são os verdadeiros indicadores do grau de profundidade de uma democracia (PINZANI E REGO, 2014, p. 09). Para essa família, cidadania é o indivíduo composto de honestidade e ética, é ter capacidade de observar retamente os seus deveres para com a sociedade.
O programa bolsa família foi apresentado a essa família através da escola, e posteriormente pelos agentes de saúde que realizaram as orientações individualizadas ao responsável da casa. Ao entrar para a vida dessa família, o programa tornou-se um incentivo para a educação e complemento na composição da renda familiar, que apensar de não ser um valor considerável, tornou-se uma grande ajuda na manutenção das necessidades básicas.
A frequência escolar dos membros com idade adequada normalizou-se, percebendo-se um compromisso com a frequência e com o desempenho, sendo os resultados mais favoráveis nos membros do sexo feminino. Observa-se a presença de hábitos de estudos em casa durante o período ocioso. Apesar de resultados positivos, a filha caçula, por motivos domésticos, resolveu interromper os estudos por um período de um ano, que em contrapartida ao retomar os estudos, será o primeiro membro da casa a concluir o ensino médio.
Para aprofundar os efeitos do programa, e seus reflexos na vida escolar desses beneficiários, a entrevista foi estendida a um professor da rede municipal de ensino de Porto Franco. Esse professor realiza uma análise do programa como um instrumento benéfico a manutenção das necessidades básicas de seus alunos, além de fomentar melhores índices na frequência escolar e reduzir a evasão estudantil. Além disso, observa, ao contrário de muitos críticos, que os beneficiários do programa apresentam um desempenho escola equivalente aos demais alunos.
Porém, ainda se encontra casos onde os alunos têm uma concepção que deve se fazer frequente na escola somente para manter o benefício, o que merece evidenciar que os alunos que foram cortados do programa apresentaram altos índice de inadimplência escolar. Mas apesar de todas as dificuldades na obtenção dos reais objetivos do programa, o Bolsa Família fomenta atitudes positivas e benéficas para a vida social dos alunos, como por exemplo, uma alimentação mais digna, o zelo pela a higiene e pela aparência.

REFERÊNCIAS


FRASER, Nancy; HONNETH, Axel. Redistribución o reconocimiento? Un debate político-filosófico. Madrid: Ediciones Morata, 2006.


REGO, Walquíria D.; PINZANI, Alessandro. Pobreza e Cidadania. Especialização em Educação, Pobreza e Desigualdade Social, 2014.


 ANEXOS


Anexo 01: Questionário aplicado em entrevista com a família beneficiária do PBF

ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO, POBREZA E DESIGUALDADE SOCIAL
QUESTIONÁRIO PARA ENTREVISTA DE FAMÍLIA BENEFICIÁRIA DO PBF

PERFIL SOCIOECONÔMICO E CULTURAL

1.Nome: Identidade preservada em anonimato por questões éticas.
2.Idade: 39 anos.
3.Estado civil: Solteira.
4.Escolaridade: 1º ano do Ensino Médio (incompleto).
5.Naturalidade: Porto Franco – MA.
8.Condição de ocupação da moradia (própria, alugada, etc): Própria.
9.Números de cômodos: 5 cômodos.
10.Participa de algum movimento social, religioso ou partidário? Não.
11.Profissão: Doméstica.
12.Ocupação: Desempregada/Dona de casa.
13.Quem é o principal provedor da família? A própria entrevistada.
14.Que tipo de trabalho ele (a) exerce (formal/informal)? Informal.
15.Renda familiar: R$ 420,00.

POBREZA
1.Para você, o que é pobreza?  Baixa renda e a falta de emprego.
2.Você se considera uma pessoa pobre? Não, pois sou feliz com o pouco que tenho.
3.Atualmente, como você enfrenta as dificuldades advindas da pobreza? Fazendo “bicos”.
4.Gosta de morar na cidade em que hoje reside? Tem vontade de morar em outro lugar? Porquê? Sim, e não sinto vontade de morar em outro lugar, pois apesar de ser pobre, aqui tem saúde e educação mais fácil que em outras cidades.

CIDADANIA/DIREITOS
1. Qual o significado de cidadania para você? Ser uma pessoa honesta, ética e cumprir com os deveres.
2.Você se considera um(a) cidadã(o)? Por quê? Sim, pois pago meus impostos, sou uma pessoa honesta e trabalhadora.
3.Qual o significado de direitos para você? Obrigações e direitos.

PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA
1.Você é o responsável legal pelo benefício do PBF? Sim.
2.Como você tomou conhecimento do PBF? Através da escola e da visita dos agentes de saúde.
3. Como você avalia o impacto do PBF na educação do(s) seu(s) filho(s)? Um grande incentivo.
4. Como você avalia o impacto do PBF na sua renda familiar? Apesar de pouco, é uma grande ajuda nas coisas de casa e dos meninos.

EDUCAÇÃO
1. As crianças em idade escolar na família frequentam a escola normalmente? Sim.
2. Como tem sido o desempenho dos estudantes na escola nos últimos anos? Melhorou aos poucos.
3. Houve alguma mudança no desempenho dos estudantes antes e depois de receber o Bolsa Família? Quais? Pouco, mais entre as meninas.
4. Seus filhos costumam estudar em casa? Como eles estudam? Vão à biblioteca? Sim, se estudam pela manhã na escola, a tarde estudam em casa e ajudam nas coisas domésticas, como a biblioteca fica longe eles estudam com os livros da escola.
5. Houve interrupção nos estudos das crianças? Se sim, qual o(s) motivo(s)? Sim, no ano de 2015 a filha caçula interrompeu os estudos devido a uma fase de rebeldia, mais como ela retornou ano que vem vai ser a primeira a concluir o ensino médio aqui em casa.
6. Quantos membros da família já concluíram o ensino médio? Nenhum.
7. Existe algum membro da família cursando o ensino superior? Se sim, quantos? Não.
8. Há algum membro da família com ensino superior completo? Se sim, quantos? Não.

  
Anexo 02: Questionário aplicado em entrevista com professor da rede municipal de educação de Porto Franco.

ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO, POBREZA E DESIGUALDADE SOCIAL
QUESTIONÁRIO PARA ENTREVISTA DE PROFESSOR(A)

1.    Há quanto tempo exerce sua profissão de professor (a)? Há 4 anos.
2.    Qual seu ponto de vista sobre a bolsa família? Um programa edificante para a manutenção das necessidades básicas dos alunos.
3.    Você conhece todos os alunos bolsistas? Não, porém conhece sua maioria.
4.    Qual o impulso do Programa Bolsa Família no desempenho escolar?  O programa ajuda a manter os índices de presença e ajuda a reduzir a evasão escolar.
5.    Os alunos que recebem a bolsa família apresentam algum tipo de dificuldade de aprendizagem na escola? Quais são as mais frequentes? Não, apresentam uma aprendizagem equivalentes aos demais.
6.    Em comparação com os alunos bolsistas e os não bolsistas, percebe alguma diferença em sua avaliação? Não, os resultados são similares.
7.    O aluno que recebe a Bolsa Família tem interesse em aprender, assimilam a escola como um bem para sua formação profissional? Em alguns casos sim, em outros há alunos que afirmam estar na escola só para manter o benefício.
8.    Como é a participação dos pais na vida escolar de seus filhos quando estes são beneficiários da Bolsa Família? Preocupam-se somente com a questão da frequência escolar, para não correrem o risco de perder o benefício.
9.    Em sua opinião, a Bolsa Família traz algum tipo de benefício para a vida social desses alunos? Se sim, exemplifique. Sim, benefícios como uma alimentação mais digna, o zelo pela a higiene e pela aparência.

10. Em seu tempo de trabalho, teve algum aluno que recebia a Bolsa Família e não recebe mais? Se sim, houve alguma diferença em seu desempenho escolar? Sim, com isso os índices de frequência escolar de cada aluno excluído do programa foram reduzidos.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016


A INFLUÊNCIA DO CONTEXTO EDUCACIONAL E SOCIOECONÔMICO SOBRE A PERSPECTIVA DOS JOVENS EM RELAÇÃO AO IMPEACHMENT¹

Romário Milhomem da Cruz
Licenciado em Pedagogia
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Boa Esperança – FAFIBE
romariocruz-adm@outlook.com

Maria Ivanice Duarte Ribeiro
Licenciada Plena em Pedagogia
Associação Faculdade de Ribeirão Preto - AFARP
ivaniceduarte@outlook.com

Edvan da Silva Oliveira
Licenciado em Ciências com habilitação em Matemática
Universidade Estadual do Maranhão – UEMA
ed.artelivre@hotmail.com

RESUMO

Este trabalho traz como proposta uma análise acerca de como o contexto educacional e socioeconômico, pode influenciar no direcionamento da perspectiva sobre fatos políticos dos jovens integrantes do movimento sócioreligioso Pastoral da Juventude, detentora de um histórico de lutas em prol dos direitos da juventude. Utilizou-se como objeto o impeachment instaurado contra a ex-presidenta Dilma Rousseff. Para atingir o objetivo da pesquisa, realizou-se com apoio de lideranças do movimento a nível estadual, uma pesquisa por meio de formulário eletrônico, em 10 dioceses onde encontram-se agentes desse movimento e na Arquidiocese de São Luís. Buscou-se uma análise quantitativa, sobre a visão política dos entrevistados, relacionando-a com o grau de instrução e o meio social. Este trabalho apresenta um jovem maranhense com um perfil mais crítico e formador de opinião, capaz de apontar consequências socioeconômicas acerca das últimas transformações do cenário político brasileiro.

Palavras-Chave: Política. Educação. Juventude. Perspectiva.

ABSTRACT

This paper proposes an analysis about how the educational and socio-economic context, can influence the direction of perspective on political events of the members of the movement SOCIO-RELIGIOUS SECTOR young youth ministry, which holds a history of struggles for the rights of youth. It was used as the object initiated impeachment against former President Dilma Rousseff. To achieve the goal of the research was conducted with support movement leaders at the state level, a survey through electronic form, in 10 dioceses which are agents of this movement and in the Archdiocese of St. Louis. We sought an analysis quantitative, on the political views of the respondents, relating it to the level of education and the social environment. This paper presents a young maranhense with a more critical profile and opinion leader, able to point socio-economic consequences on the latest changes in the Brazilian political scene.

Keywords: Politics. Education. Youth. Perspective.


¹Artigo cientifico original desenvolvido sobre análise de pesquisa realizada por iniciativa própria dos autores em parceria com a Pastoral da Juventude do Maranhão (Regional V).

INTRODUÇÃO
           
Este trabalho foi realizado com o objetivo de verificar como a educação, a economia e o grupo social no qual o jovem maranhense está inserido, podem interferir ou influenciar na perspectiva sobre a política nacional. E para tal, fora realizado uma pesquisa, na qual, se teve como objeto de análise a ótica adotada pelos membros da pastoral da juventude maranhense, acerca do processo de impeachment instaurado contra a ex-presidenta Dilma Rousseff. Para se alcançar o objetivo deste trabalho, a pesquisa foi realizada com o apoio de líderes e militantes da pastoral da juventude maranhense, tendo como instrumento de coleta de dados um formulário eletrônico, divulgado dentro do território Regional NE V (Maranhão) da Igreja Católica, composto por 11 dioceses e pela a arquidiocese de São Luís, desses apenas a Diocese de Bacabal não participou da pesquisa.
A democratização do conhecimento propiciou o surgimento de um ambiente cheio de mudanças no perfil da sociedade. Nos últimos cinquenta anos observou-se que a juventude brasileira vem trilhando um caminho emancipatório, cada vez mais crítica e formadora de opinião. Admite-se que parte desse novo perfil, surge da oportunidade de acesso ao conhecimento, o que está sendo facilitado pelas novas tecnologias, que associada à dimensão política e social, tornou a juventude capaz de alcançar um novo nível de interação social. Souza (1995, p. 154), afirma que;

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos. [...] Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

 Ligando o ideal da pastoral da juventude a formação educacional, se obtém um jovem moderno, conquistador do seu espaço na sociedade, através de lutas por mais educação, liberdade de expressão, cultura, direitos e oportunidades igualitários. Conforme Thomaz e Oliveira (2009, p. 03), valores como solidariedade, responsabilidade, afetividade, respeito, honestidade, tolerância, amizade e companheirismo são exemplo de valores que são essenciais à formação do cidadão crítico autônomo e participativo.
Por isso, que se faz comum nos grupos de base da pastoral, um trabalho ativo na construção educacional de valores sólidos, visando um jovem ativo e capaz de influenciar nos rumos de sua comunidade. Pois, acredita-se que educar não é apenas instruir, mas oferecer uma experiência significativa que prepare para a vida (THOMAZ E OLIVEIRA, 2009, p. 03)

1            O NOVO ROSTO DA JUVENTUDE BRASILEIRA: O JOVEM POLITICAMENTE EDUCADO, CRÍTICO E FORMADOR DE OPINIÕES

“Quais são os problemas que mais preocupam os jovens atualmente?”, “O que os jovens valorizam no Brasil?” e “Como eles avaliam a importância da política?” (UNE, 2016), esses entre outros questionamentos estão surgindo na sociedade, que cada vez mais busca compreender o perfil do novo jovem brasileiro. O jovem, que anteriormente tinha sua participação na vida pública restrita, está cada vez mais influenciando os rumos que o país vem tomando.
Conforme observado por Andrade (2012), no Brasil, a oferta de educação passou por uma grande mudança iniciada nos anos 90, onde universalizou-se as modalidades de ensino fundamental, médio e superior, triplicando o índice de matrículas nesta última. Esse cenário patrocinou uma transformação no perfil da juventude, que está mais ativa em todos os ambientes da sociedade.
Em pesquisa realizada pela Agenda Juventude Brasil 2013, tentou-se levantar o pensamento da juventude brasileira em relação à política, observou-se que 54% dos entrevistados vêm compreendendo a política como um fator importante para a vida em sociedade, que 29% ainda não a tem como fator de destaque no seu dia a dia mais reconhecem a importância da mesma. Apenas 16% consideram a política não importante (UNE, 2016).
Essas informações expõem uma mudança na prioridade da juventude. Segundo Rodrigues (2016), 63% da juventude vem expondo uma necessidade de transformação do cenário nacional, e afirmam que o Brasil já deu passos largos neste caminho. Segundo uma pesquisa realizada pela Data Popular, publicada na revista IstoÉ de setembro de 2016, 72% dos entrevistados acreditam que galgaram uma melhoria de vida nos últimos anos. Nesta mesma pesquisa, os resultados reafirmam uma característica especial encontrada na juventude, trata-se de uma visão idealista de um mundo melhor, assim, 92% dos entrevistados admitem ter a capacidade de transformarem o mundo. E como o jovem pode mudar o mundo? Essa resposta encontra-se naqueles 70% que afirma ser possível conquistar essa mudança através do voto, reconhecendo assim, que a política tem um papel marcante no dia-a-dia do cidadão brasileiro.
            Analisando as manifestações iniciadas em junho de 2013, estendendo-se ao ano de 2016, é notório que o grande personagem trata-se da juventude brasileira, que independente da diversidade de interesses, mobilizou-se e foi às ruas reivindicar mudanças na política nacional. Esse maior envolvimento dos jovens foi estimulado pelo sentimento de revolta e indignação. Conforme dados apresentados na Agenda Juventude Brasil 2013,

45% acreditam que a “participação em mobilizações de rua e outras ações diretas” seja uma delas. A esse dado, por si só revelador, se somam 44% de menções à “atuação em coletivos que se organizam em torno de uma causa” e 35% à “atuação em conselhos, conferências, audiências e outros canais de participação desse tipo”. Outros 34% incluem a atuação via “internet, opinando e cobrando políticos e governantes” e 30% referem-se à “atuação em partidos políticos” como forma de ação política potente para melhorar as coisas no país. (UNE, 2016)

            O jovem moderno não está conformado com a conjuntura nacional, traz uma diferença de ser atuante na sua comunidade, por isso quer ser ouvido, e se faz ouvir, pois, encontra-se cada vez mais envolvido em ações e mobilizações em prol da coletividade, atua maciçamente representando os interesses da sociedade pública, e exerce forte influência na política, cultura e na economia.
            Com a interação patrocinada pela globalização, a ampla aptidão da juventude de captar e incorporar as mudanças provocadas pelos avanços da tecnologia age na perspectiva e atitudes desses jovens, e conforme Meirelles (apud RODRIGUES, 2016) são mais contestadores políticos, porque os jovens dessa geração utilizam-se de uma régua muito mais rigorosa para medir a qualidade do serviço público do que seus pais.
            O jovem de hoje não admite ser censurado, e atingido pelo sucesso de diversas políticas públicas e programa de qualidade de ensino, distribuição de renda, redução da pobreza e pleno emprego (RODRIGUES, 2016), assim, depois de ter experimentado uma possibilidade de vida cada vez mais digna, estão cobrando mais e mais dos políticos brasileiros.

2                    A PASTORAL DA JUVENTUDE: IDEOLOGIA, LUTAS E AÇÕES

A pastoral da Juventude – PJ, é um movimento de ação social ligado a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, e que está presente na América Latina. No Brasil, a sua história se confunde com a luta dos jovens por mais espaços, direitos e propostas desafiadoras a uma vida em sociedade mais digna e igualitária.
Conforme Silva (2009), a Pastoral da Juventude iniciou sua caminhada por volta dos anos 60 a 70, através da Ação Igreja Católica – AIC, direcionada para a Juventude Agrária Católica – JAC, Juventude Estudantil Católica – JEC, Juventude Universitária Católica – JUC, e Juventude Operária Católica – JOC, organizações que atuaram contra o Golpe de 1964, buscando direitos para a juventude. A PJ absorveu muito da AIC, da Teologia da Libertação – uma linha que dá preferência aos pobres, e recorre à utilidade das ciências humanas e sociais, e a Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire, que traz como proposta uma metodologia de relacionamento entre educador, indivíduo e sociedade em uma visão crítica da educação sistematizada por ideais marxistas.
            Em todas as ações e projetos permanentes da Pastoral da Juventude, prevalece à ideologia da luta pela vida dos jovens comprometendo ao convite do evangelho cristão de vida plena. Na Civilização do Amor não pode haver morte, preconceito, dor e extermínio. (PASTORAL DA JUVENTUDE, 2014). Esse movimento busca está atuante em todas as esferas da sociedade onde o jovem está presente. Políticas públicas, segurança em todos os aspectos, liberdade e bem-estar são os objetivos onde se edifica as estratégias de operação e intervenção política nos variados ambientes da sociedade organizada (poder público e sociedade civil), com a pretensão de mobilizar a juventude em prol da garantia de seus direitos.
            Com os novos rumos da educação e da política nacional, a juventude inserida nesse movimento está orientada a uma ideologia de defesa pela democracia, ampliação dos espaços de ação e pela garantia de direitos cada vez mais desenvolvidos.
            Portanto, a Pastoral da Juventude atua como uma defensora dos diretos destinados aos jovens, e para que se garantam os mesmos, articula-se em todos os âmbitos e níveis da política, economia e cultura, demandando os anseios da juventude brasileira.

3       A EDUCAÇÃO E A FORMAÇÃO DOS JOVENS INTEGRANTES DA PASTORAL DA JUVENTUDE MARANHENSE

            A pastoral da Juventude do estado do Maranhão faz parte do território Regional NE V da Igreja Católica do Brasil, e é composta por 11 dioceses e 1 Arquidiocese. Durante o levantamento dos dados, a participação dos jovens por diocese fora bem equilibrada, sendo que somente não se obteve resultados da Diocese de Bacabal.
Durante a pesquisa, constatou-se que o índice de escolaridade dos entrevistados está caracterizado por índices regulares de educação, onde 57,7% já estão inseridos ou concluíram uma educação de nível superior, e 38,3% estão com escolaridade de nível médio ou técnico. O que justifica o fato dos jovens serem formadores de opinião altamente críticos aos problemas sociais.

Gráfico 02: Grau de Escolaridade – Jovens da Pastoral da Juventude no Maranhão

            Os entrevistados demonstraram ter conhecimento em disciplinas relacionadas às ciências sociais e humanas. 71,4% dos entrevistados responderam ter conhecimento ou interesse na disciplina de ética e cidadania, 83,2% em filosofia, 27,7% em ciência política, 55,5% em formação econômica do Brasil, 21% em economia, 23,5% noções em direito e 77,3% em sociologia.
            Porém, apesar de um nível de escolaridade favorável, observou-se que o nível médio de renda per capita das famílias desses jovens ainda não é satisfatório, quase dois terços destes tem renda per capita abaixo de um salário mínimo e meio.

Gráfico 03: Renda per capita dos entrevistados

3.1              Perspectiva política

            Em se tratando de políticas públicas para a juventude, 77,9% dos entrevistados respondeu ter sido beneficiado por programas governamentais de assistencialismo, melhoria de renda ou oportunidade educacional, sendo que 47,8% afirmaram ter sido beneficiados pelo Bolsa Família, 12,4 pelo SISU (Sistema de Seleção Unificada), 4,4% pelo FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), 6,2 pelo PRONATEC (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), 0,9 pelo Minha Casa Minha Vida e 6,2 por outros programas não listados na pesquisa.
Devido à característica atuante e intervencionista da Pastoral da juventude no Maranhão, constatou que 79,2% dos casos, a política é assunto presente nos debates dos grupos de base ou no círculo de amizade desses jovens. Sendo que, na formação desses jovens 73,3% acreditam ter capacidade para discernir e diferenciar a política de direita e esquerda. Verificou-se que 76% viram o impeachment como uma batalha camuflada entre as correntes as capitalistas e socialistas.
Quase em sua totalidade, os jovens que participaram desta pesquisa, acreditam na teoria de que o Brasil está vivenciando um momento de crise, onde 67,8% afirmam serem política e econômica, 18,2% dizem tratar-se apenas de uma crise política e 9,9% diz ser uma crise econômica.

3.2              A ótica da juventude sobre o Impeachment de Dilma Rousseff

Quando os entrevistados foram questionados se acompanharam o processo de impeachment de Dilma Rousseff, 52,9% responderam que sim, 45,5 que acompanharam parcialmente alguns fatos, outros 1,6% responderam que não acompanharam ou somente tinha informação do que outras pessoas lhe comunicavam.
Buscando compreender como os jovens da PJ maranhense avaliaram o governo da ex-presidente, 66,7% manifestaram uma visão positiva ao período em que Dilma Rousseff esteve no comando da nação brasileira, e um terço em média respondeu que esse governo foi regular ou insatisfatório. Em se tratando das acusações de crime de pedaladas fiscais contra a ex-presidenta, 75% acreditam ser injustas e por isso tem ela como inocente 16,7% julga ela como culpada e os outros 8,3% não detêm conhecimento necessário para manifestar uma opinião sobre o assunto. Durante a pesquisa, os entrevistados foram questionados se eram a favor ou contra o processo de impeachment instalado contra Dilma Rousseff, 82,5% se posicionaram contra, 9,2% a favor e 8,3% decidiram se manter neutro a respeito.
Na abordagem sobre as teorias de defesa e acusação, 77,3% dos entrevistados concordaram com a teoria de que o processo de impeachment trata-se de um golpe movido por interesses políticos, em posição contraria 22,7% acreditam que o processo de impedimento foi necessário, onde 19,3% desses a que se posicionaram a favor, afirmaram que o ideal seria o afastamento de toda a chapa presidencial eleita. Com a consumação do processo de impedimento, 94,2% dos entrevistados manifestaram interesse por realização de novas eleições para o sucessor de Dilma Rousseff na presidência do Brasil. Na visão econômica, 86,7% aderiram à ideia de que o resultado obtido no impedimento da ex-presidenta irá afetar de modo negativo a economia nacional, não somente perante o mercado internacional, mais prejudicará também programas/projeto sociais e culturais, que tanto contribuíram para o desenvolvimento da sociedade brasileira.

CONCLUSÃO

Quando surgiu a iniciativa de tentar compreender como o contexto educacional e socioeconômico direciona a perspectiva política da juventude da pastoral da juventude do maranhão, não se imaginava quão forte poderia ser a influência de uma postura social adotada pelo movimento, ainda mais se reforçada pela democratização do conhecimento e do acesso à educação.
Um histórico de lutas originado na década de 60, durante o período da Ditadura Militar, hoje é refletido por manifestações e uma participação mais ativa dos jovens nos meios de discussão social. O jovem moderno não admite uma regressão política, e está criticamente maduro para definir a sua linha de militância e trajetória social, assim, não é de se estranhar que diante de uma transição política, que a juventude desse movimento adquira um posicionamento político de esquerda, e vejam o impeachment de Dilma Rousseff como um golpe de Estado.
Então, conforme os dados levantados pode-se reafirmar que a juventude moderna adquiriu um novo rosto, que está em vantagem tecnológica, que está mais preocupada com o conhecimento, com a sociedade e com a política, tendo voz e força para brigar pelos seus interesses, e que está cada vez mais unida na garantia dos seus direitos e do seu espaço na sociedade.



REFERÊNCIAS

ANDRADE, Cibele Yahn. Acesso ao ensino superior no Brasil: equidade e desigualdade social. UNICAMP. 31/07/2012. Disponível em: <https://www.revistaensinosuperior.gr.unicamp.br/artigos/acesso-ao-ensino-superior-no-brasil-equidade-e-desigualdade-social>. Acessado em: 13 de setembro de 2016.

PASTORAL DA JUVENTUDE (Cnbb). A juventude quer viver. Projetos – Campanha A juventude quer viver – 2014. Disponível em: < http://www.pj.org.br/projetos/a-juventude-quer-viver/>. Acessado em 14 de setembro de 2016.

RODRIGUES, Alan. O que os jovens pensam sobre a política. ISTOÉ, Ed. 2440, 09.09.2016 Disponível em: < http://istoe.com.br/380009_O+QUE+OS+JOVENS+PENSAM+SOBRE+A+POLITICA/> Acessado em: 10 de setembro de 2016.

SILVA, Lourival Rodrigues da. Pastoral da Juventude: Um jeito de ser e fazer. Orientações para a caminhada: um CORPO em construção. São Paulo: CCJ, 2009.

SOUZA, Sônia M. Ribeiro de. Um outro olhar: Filosofia. São Paulo: FTD, 1995.

THOMAZ, Lurdes; OLIVEIRA, Rita de Cassia. A Educação e a formação do cidadão crítico, autônomo e participativo. 2009.


UNE, União Nacional dos Estudantes. Pesquisa Revela Interesse de Jovens Brasileiros pela Política. Disponível em: <http://www.une.org.br/2013/08/pesquisa-revela-interesse-dos-jovens-brasileiros-pela-politica/>. Acessado em: 13 de setembro de 2016.

Baixe o pdf aqui: http://www.slideshare.net/mariocruzpowwh/a-influncia-do-contexto-educacional-e-socioeconmico-sobre-a-perspectiva-dos-jovens-em-relao-ao-impeachment

UMA REFLEXÃO EDUCACIONAL SOBRE AS DIMENSÕES DO HOMEM


UMA REFLEXÃO EDUCACIONAL SOBRE AS DIMENSÕES DO HOMEM¹

Maria Ivanice Duarte Ribeiro
Licenciada Plena em Pedagogia
Associação Faculdade de Ribeirão Preto - AFARP
ivaniceduarte@outlook.com

Edvan da Silva Oliveira
Licenciado em Ciências com habilitação em Matemática
Universidade Estadual do Maranhão – UEMA
ed.artelivre@hotmail.com

Romário Milhomem da Cruz
Licenciado em Pedagogia
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Boa Esperança – FAFIBE
romariocruz-adm@outlook.com

RESUMO

A educação sempre buscou fazer uma reflexão acerca do homem e suas diversas dimensões, não é uma tarefa fácil, pois requer uma compreensão a da ampla possibilidade de ambientes e o tempo, fatores que tem relação direta com características peculiares de cada sociedade, ou seja, de cada indivíduo. Noção de cultura, política, linguagem e justiça pode ser uma pista para esse enigma que não pode ser reduzido a um simples animal, mais um “SER” complexo e multidimensional.

Palavras Chaves: Homem. Dimensões. Sociedade.

ABSTRACT

Education has always sought to make a reflection about man and its various dimensions, is not an easy task, as it requires an understanding of the broad possibility of environments and time, factors that are directly related to specific characteristics of each company, ie of each individual. Notion of culture, politics, language and justice can be a clue to this puzzle that can not be reduced to an animal simple, more "BE" complex and multidimensional.

Key Words: Man. Dimensions. Society.


¹Artigo cientifico original desenvolvido sobre análise de uma discussão educacional com fundamentação em revisão bibliográfica.




INTRODUÇÃO

Refletir acerca do homem em todas as suas dimensões não é uma tarefa tão simples de propor, mais se transforma em um desafio prazeroso de enfrentar. Por natureza, o homem é um ser social e político, e todas suas dimensões como um “SER” levam para essa necessidade de se socializar. Segundo Modin (1980, p. 155);

O homem é essencialmente sociável. Sozinho não pode vir a este mundo, não pode crescer, não pode educar-se; sozinho não pode nem ao menos satisfazer suas necessidades mais elementares nem realizar suas aspirações mais elevadas; ele pode obter tudo isso apenas em companhia dos outros.

Percebendo isso, compreende-se que o homem precisa da relação social para desenvolver outras dimensões como a linguagem, Cultura e Liberdades. O homem é essencialmente multidimensional, e consegue desenvolver a sua própria realidade através do próprio esforço em melhorar a si próprio.
Dantas (2011), diz que o homem é sociável, assim eminentemente político, e é através dessa característica que o homem se torna capaz de interferir no curso dos diversos ambientes a qual se encontra inserido, alterando de tempos em tempos a sua própria linguagem, cultura e liberdade em todos os aspectos.

1                    O HOMEM EM SUAS DIVERSAS DIMENSÕES

O que é o homem? Quais são suas dimensões? O que separa o homem da natureza? Essas são questões que há muito a Antropologia faz acerca do homem, tentando uma compreensão desse ser que é capaz de desenvolver características próprias e no ambiente, seja ele um ambiente cultural ou político.

Ampliando o instinto gregário enquanto condição primária de sobrevivência, o homem estabelece elos cooperativos como fundamento das instituições sociopolíticas, demarcadas por valores e legislações que orientam e regulam, cuja finalidade de última, em tese, é o bem-estar individual e coletivo (DANTAS, 2011, p. 41).

            Como um ser por essencial social, o homem desenvolveu outras dimensões para permitir o convívio entre seus iguais, sua linguagem como um instrumento para aproximar a compreensão entre os indivíduos, sua Cultura como identidade que se encaixa em um grupo, sua liberdade contemporânea onde cada pessoa pode decidir a respeito de sua sexualidade, afiliação política e opinião sobre os diversos temas.
            Com a sua dimensão política o homem se tornou capaz de alcançar esse nível de interação social. Souza (1995, p. 154), afirma que;

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos. [...] Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

            Por isso, se faz importante que o homem conheça plenamente suas dimensões como um ser social e pensante, para que tenha a capacidade de edificar a Cultura, a Política, a Sociedade em prol do bem comum e da plenitude do homem em todos os aspectos. Aqui entra o conceito de justiça, um instrumento que é utilizado para equalizar a ordem da vida em sociedade, e que pode mudar conforme o contexto e o tempo que se insere.
            A justiça é a instituição que ajuda a manter uma garantia da dimensão de liberdade do homem, pois segundo Pegoraro (2006, p. 124), a justiça proíbe que a perda de liberdade de alguns possa ser justificada pela obtenção de um maior bem para todos os outros. Dantas (2001, p. 53) comenta que;

Os justos acordos derivam de princípios justos e regulamentariam uma sociedade baseada na cooperação mútua que, porém, pode ser perturbada por interesses divergentes. Mas o papel da Justiça seria justamente mostrar a vida boa a partir da participação social cooperativa.

            Observa-se que o autor leva a reflexão de que a justiça está andando paralelamente a cooperação voluntária das pessoas que vivem em sociedade, pois os indivíduos necessitam uns dos outros para poder atingir sua plenitude.
            A busca por princípios equitativos é o reflexo das diversas dimensões do homem, e sua necessidade de garantir necessidades do bem comum, o mesmo é capaz de ampliá-las para edificar esse processo social. Porém, o homem às vezes apresenta uma dimensão individualista, mesmo com o histórico de lutas para chegar liberdade e a justiça da sociedade contemporânea.

Esta posição ideal supõe que cada participante seja livre, consciente e isento de influências de instituições grupos e pessoas; pelo “véu da ignorância” desconheçam as diferenças sociais. Assim, ninguém proporia acordos baseados em vantagens econômicas. (DANTAS, 2011, p. 53).

            Então, onde o homem alcança uma dimensão total de liberdade? Já que o mesmo se sujeita a sacrifícios em prol do bem comum, ou, até onde o homem pode se considerar um ser livre vivendo em sociedade? Essa é uma resposta difícil de alcançar, devido aos diferentes contextos sociais que temos o homem presente, mas o livre argumento pode ser um instrumento de equalização, e essa dimensão da linguagem é uma dádiva, é algo característico do homem. Habemas (1989 p. 112), diz que; Não é lícito impedir falante algum, por uma coerção exercida dentro ou fora do discurso valer-se de seus direitos. Então o homem é um sujeito capaz de buscar uma cooperação de verdade entre seus iguais, mas apenas será interessante à força do melhor argumento (HABEMAS,1989, p. 17).
            Mais como definir o homem, ou a sociedade? Relativo à função da arte, quando pedagógica, social e politicamente ela se insere numa determinada conjuntura e a partir desta torna-se instrumento de crítica, transformação e libertação (DANTAS, 2011, p. 64). Definir o homem em toda a sua essência não é tão simples, porém a dimensão cultural pode ser uma pista para esse universo, pois a cultura se define dentro do contexto da liberdade de expressão, arte e das diversas linguagens do homem em sociedade.

CONCLUSÃO

Verificou-se que, o homem é um “SER” por natureza complexo, de necessidades variadas, e com um instinto que o leva para viver em sociedade, pois é na vida coletiva que o mesmo pode exercer a sua humanidade em todas as dimensões. Sozinho o homem é limitado, porém, em sociedade o homem é capaz de grandes feitos.
A sociedade dá ao homem a oportunidade de transformar sua realidade através da política e da linguagem argumentativa, tudo em prol da sua liberdade multidimensional e a liberdade do bem comum, além de garantir a sua expressividade cultural, garantido uma identidade social.



REFERÊNCIAS

DANTAS, José Carlos. Antropologia filosófica. São Luís: UemaNet, 2011.

HABERMAS, Jurgen. Consciência Moral e Agir Comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.

MONDIN, Battista. O Homem, quem é ele? São Paulo: Paulinas, 1980

PEGORARO, Olinto. Ética dos Maiores Mestres Através da História. São Paulo: Editora Vozes, 2006.

SOUZA, Sônia M. Ribeiro de. Um outro olhar: Filosofia. São Paulo: FTD, 1995.