Romário Milhomem da Cruz
Grande é a responsabilidade de
se realizar um comparativo entre as pedagogias de Paulo Freire e Johann
Friedrich Herbart, ambos grandes pensadores de um ensino voltado para a
coletividade. Conhecendo um pouco de Herbart, se adquiri uma apreciação às suas
valiosas contribuições para à corrente da pedagogia como uma ciência, devido ao
empréstimo que o ator fez dessa metodologia. Ele iniciou uma psicologia
experimental, que estava direcionada à pedagogia, tomando como base a ética e
uma compreensão psicologia.
No Brasil, a educação teve uma
grande contribuição do renomado educador Paulo Freire, o mesmo ganhou destaque
pela sua metodologia de ensino para adultos. Conhecido por uma postura
pedagógica totalmente política, procurou trabalhar aspectos que levassem a
conscientização do aluno, tendo um olhar especial para as classes
desfavorecidas da sociedade. Trabalhou nessas classes, o entendimento de sua
realidade e da sua situação de oprimidas, despertando-os para a sua própria
libertação.
Segundo
Herbart, a primeira ação pedagógica está orientada pelo governo, com um modelo
de controle da agitação da criança, esse controle se inicia na educação
recebida pelos pais e em seguida pelos professores, sendo orientada para a
consciência de submissão do aluno ao regramento da sociedade e patrocinar o
início da aprendizagem.
Porém,
Paulo Freire propõe uma metodologia de aula que proporcionasse o progresso de
uma consciência crítica nos alunos, onde o mesmo critica a atual educação com
princípios “burgueses”. Nela, conforme afirma Freire, o educador tem uma
postura de um correntista bancário, que realiza depósitos de conhecimento no
aluno que é submisso e subserviente.
Herbart
pregou que a instrução é o principal procedimento da educação, pressupondo o
desenvolvimento dos interesses (CARVALHO, 2016). Assim, quando se analisa os
interesses dos indivíduos, se podem determinar quais conteúdos e experiências
pode se propor ao mesmo, como o autor não distância a aprendizagem intelectual
da instrução moral, ele acaba considerando que uma está condicionada a outra.
Portanto, para que se possa se obter o sucesso da aprendizagem é interessante
estimular o aparecimento dos interesses diversificados no aluno.
Freire
propôs uma educação que despertasse a consciência crítica dos indivíduos
“oprimidos”, ele via que era necessária uma instrução que patrocinasse a
curiosidade, o espírito investigador e a criatividade do aluno. Freire era
contra a educação conservadora, pois segundo ele “a
escola conservadora procura acomodar os alunos ao mundo existente, a educação
que defendia tinha a intenção de inquietá-los.” (FERRARI, 2016).
Em sua teoria, Herbart coloca a disciplina como a
responsável por zelar da firmeza do caminho da aprendizagem, sendo considerada
uma virtude, onde a autodeterminação é sinal de maturidade de princípios que
favorece a formação do caráter dos alunos. Freire não compartilhou dessa
ideologia, para ele a facilitação da autoaprendizagem não era o suficiente, entretanto,
o professor deve ser um intermediador dos conhecimentos, mais não ter o
currículo como verdade absoluta;
Freire dizia que ninguém ensina nada a ninguém,
mas as pessoas também não aprendem sozinhas. "Os homens se educam entre si
mediados pelo mundo", escreveu. Isso implica um princípio fundamental para
Freire: o de que o aluno, alfabetizado ou não, chega à escola levando uma
cultura que não é melhor nem pior do que a do professor. (FERRARI, 2016).
Assim, na sala de aula ocorre uma troca constante de
conhecimento, ou seja, uma aprendizagem bilateral, o que reafirma a necessidade
de relações fortalecida e democráticas, possibilitando a expressão de ambos os
lados. José Eustáquio Romão (apud FERRARI, 2016) afirma que, "Uma das
grandes inovações da pedagogia freireana é considerar que o sujeito da criação
cultural não é individual, mas coletivo".
Forte foram os pontos que determinaram a influência de Herbart
no pensamento pedagógico, são eles: o caráter de objetividade de análise, a
tentativa de psicometria, o rigor dos passos a serem seguidos para a instrução
e a sistematização que imprimiu ao seu método (CARVALHO, 2016). O
autor acredita que o saber se dar pelo educador ao educando, o que
posteriormente pode ser aplicado pelas experiências vivenciadas. Seu método de
ensino é através da instrução, valorizando um caráter intelectual.
Paulo
Freire apresenta uma educação voltada para uma consciência e concepção de
mundo, trazendo a cultura do meio para o interior da sala de aula, propondo um
questionamento do discurso para que o aluno desenvolva um senso e visão crítica
da realidade.
Esses
dois autores realizaram grandes contribuições a pedagogia, sendo Herbart o
responsável por fornecer uma doutrina mais cientifica para a pedagogia, e Freire,
uma concepção mais crítica e libertadora de mundo.
REFERÊNCIAS
FERRARI, Márcio. Paulo Freire, o
mentor da educação para a consciência. Nova Escola. Disponível em: <http://novaescola.org.br/formacao/mentor-educacao-consciencia-423220.shtml?page=2>.
Acessado em: 21 de Agosto de 2016.
CARVALHO, Frank Viana. Johann Friedrich
Herbart - A Educação como Ciência. Disponível em: <http://frankvcarvalho.blogspot.com.br/2011/10/johann-friedrich-herbart-educacao-como.html>.
Acessado em: 21 de Agosto de 2016.