segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O REFLEXO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS A VIVENCIA ESCOLAR

Romário Milhomem da Cruz 
Observando o momento que a educação vivencia nos dias de hoje, percebe-se uma estreita articulação entre as novas tendências políticas com a corrente que defende um novo currículo estudantil. Uma das grandes influências para os agentes que formula políticas públicas para a educação é o sistema econômico denominado Neoliberalismo, pois segundo Senkevics (2012), o neoliberalismo, no entanto, não se reduz a pacotes econômicos, tendo grande influência na formulação de políticas públicas de cunho social. E afirma que a Educação tem sido um dos seus alvos principais.
Essa visão política está se inserindo nas pessoas, escolas e repartições públicas rapidamente graças a sua percepção futurista, com uma proposta currículo diferente, mais flexível e interdisciplinar, que não contempla somente os aspectos acadêmicos mais as diferentes concepções de mundo ao educando. Porém, a visão econômica do poder público vem sujeitando a Educação Brasileira aos interesses impostos pelo mercado, e tem servido como a baliza dos valores e princípios educacionais e todos as modalidades e seus diferentes níveis.

A formação crítica, assim, é progressivamente substituída por uma formação tecnicista, com tendências à especialização e ao estreitamento curricular: disciplinas como Sociologia e Filosofia, por exemplo, são vistas como inúteis ou, quando não, veículos de propaganda ideológica. (SENKEVICS, 2012).

Em contraposição a essa educação futurista, ainda se é possível encontrar na estrutura escolar, e nos seus gestores, uma cobrança frequente dos docentes, onde não se efetiva a sua formação e capacitação plena. Observou-se também uma falha no sistema, que ainda realiza repasse público a instituições de caráter privado, valores financeiros que poderiam ser convertidos em expansão de matrículas aos alunos e formação dos educadores.
Após visualizar todo esse contexto, observou-se que a diversidade de políticas públicas educacionais resulta de um panorama composto por um grupo de tendências voltadas para a educação do futuro, e indivíduos formadores do pensamento educacional formulam uma crítica baseada na implantação de novas políticas, onde se adquire um olhar mais de perto para além da educação contemporânea.
Conforme a legislação, espera-se que a educação pública de qualidade seja um patrimônio de todos, e para isso os gestores públicos devem, através das políticas públicas especificas, alcançar os objetivos propostos pela Lei de diretrizes e bases para Educação Nacional – LDB. Nessa temática, Ferreira e Nogueira (2015, p. 01) afirma que,

Assim, numa análise preliminar, política pública na área educacional nada mais é do que a ponte que liga as determinações e objetivos legais com a realidade local. Por conseguinte, tais políticas têm uma ligação direta com a escola, posto que esta é o locus onde a realidade que necessita ser atingida se apresenta. Logo, toda escola sofre os reflexos advindos das políticas públicas educacionais, quer direta ou indiretamente.

Pode-se constatar que os efeitos da política educacional desenvolvidos nas pessoas por meio da escola ainda são atingidos por um problema, como apresenta Cury (2014, p. 31) é que o dever de Estado, a fim de satisfazer um direito do cidadão juridicamente protegido, convive com uma forma federativa de educação em suas atribuições e competências. E continua, então temos em conjunto, tanto dimensões nacionais da educação nacional quanto dimensões federativas nos espaços subnacionais.
Devido ao atual modelo de educação, é que a Constituição Federal estabelece a competência de cada uma da esfera do poder, e prever a necessidade de organização dos agentes que promovem o ensino em regime de colaboração. Então, para permitir que novas experiências sejam agregadas a novas concepções e práticas curriculares, como interdisciplinaridade, flexibilidade, transversalidade e contextualização, as políticas públicas devem fomentar uma nova orientação de princípios curriculares, provocando uma reinvenção do modo de fazer e compreender o currículo que se apresenta com códigos, linguagens, e tecnologias.
Assim, uma educação de qualidade a todas as pessoas é um desafio, já que as políticas públicas para educação proporciona reflexos diretos no dia a dia da vivencia escolar.

REFERÊNCIAS


CURY, Carlos Roberto Jamil. Sistema Nacional de Educação: uma reflexão provocativa ao debate. IN: O sistema Nacional de Educação: diversos olhares 80 anos pós o Manifesto.


FERREIRA, Luiz Antônio Miguel. NOGUEIRA, Flávia Maria de Barros. Impactos das Políticas Educacionais no Cotidiano das Escolas Públicas – Plano Nacional de Educação. Disponível em: < http://pne.mec.gov.br/images/pdf/Noticias/impactos_politicas_educacionais_cotidiano_escolas_publica_PNE.pdf> Acessado em 31 de Maio de 2015.



SENKEVICS, Adriano. As políticas neoliberais na Educação: uma panorama geral. Disponível em: < https://ensaiosdegenero.wordpress.com/2012/08/09/as-politicas-neoliberais-na-educacao-um-panorama-geral/> Acessado em 31 de Maio de 2015.

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