Romário Milhomem da Cruz
Discorre sobre a tendência
liberal na educação, não se trata apenas de discutir democracia ou uma abertura
no ensino. O capitalismo se justifica nessa tendência como uma defesa a
liberdade de interesses individuais, onde a sociedade se organiza com
princípios da propriedade e os meios de produção privados, diferenciando a
sociedade por classes. Assim, se observa que a tendência liberal é uma
manifestação desse modelo econômico de sociedade.
Dessa forma, o indivíduo
deve adaptar-se aos valores e normas da sociedade de classe, desenvolvendo sua
cultura individual. Com isso as diferenças entre as classes sociais não são
consideradas, já que, a escola não leva em consideração as desigualdades
sociais. (OLIVEIRA, 2016)
No
Brasil, as escolas por mais de meio século, tem vivenciado uma educação com
tendências liberais, com eventos interligados às práticas escolares e na
ideologia de ensino manifestada por diversos educadores. Nessa tendência de
ensino, os alunos são preparados para serem atores sociais conforme suas
habilidades e conhecimentos individuais. Porém, esses mesmos atores devem se
adaptar aos princípios e regulamentos estipulado na sociedade de classes, e
desenvolvendo uma cultura pessoal.
Esse
foco cultural, camufla as desigualdades das classes, devido a contradição
encontrada na propagação de ideologias de igualdade e na permanente
desigualdade de condições e oportunidades. Encontra-se uma estreita relação da
tendência de educação liberal com a tendência tradicional, onde o ensino humanístico
e cultural orientar o aluno a atingir sua plenitude por um esforço individual.
Por um outro lado, a
tendência liberal quando renovada, reforça um aspecto cultural para a
edificação de habilidades e aptidões das pessoas. Porém, se coloca a aprendizagem
com um processo interno, partindo das necessidades e interesses pessoais para
interpretação e vivencia com o meio. A aprendizagem é algo presente na própria
experiência do sujeito.
A finalidade da escola é adequar as necessidades
individuais ao meio social e, para isso, ela deve se organizar de forma a
retratar, o quanto possível, a vida. Todo ser dispõe dentro de si mesmo de
mecanismos de adaptação progressiva ao meio e de uma consequente integração
dessas formas de adaptação no comportamento. Tal integração se dá por meio de
experiências que devem satisfazer, ao mesmo tempo, os interesses do aluno e as
exigências sociais. (LIBÂNEO, 1989).
A
educação liberal renovada propõe a valorização da iniciativa individual na
aquisição do conhecimento, a experiência como instrumento de ensino,
valorizando a vivencia do meio do grupo e de si mesmo.
REFERÊNCIAS
LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da escola pública: a pedagogia crítica-social dos
conteúdos. 8. ed. São Paulo: Loyola, 1989.
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