sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O SENTIDO DE PROGRESSO EM ROUSSEAU E KANT

 Romário Milhomem da Cruz

            O progresso sempre foi um tema presente na filosofia e nas ciências, pois esse debate está estreitamente relacionado com a razão e a felicidade dos indivíduos. Sempre que ocorre um progresso cientifico a humanidade recebe algo visando cada vez mais o seu desenvolvimento, se as política, economia e o legislativos tenta alcançar o progresso, é uma melhoria da qualidade de vida dos seus cidadãos que ela está a procura.
            E para tentar uma compreensão do que é o progresso, nada melhor do que se realizar uma análise do pensamento dos filósofos Jean-Jacques Rousseau e Immanuel Kant, já que os mesmo tem pensamentos eternizados nos estudos da sociedade, e grande referencias no estudo sobre sociedade, ciência e progresso.
            Iniciando pelo pensamento de Jean-Jacques Rousseau, observa-se um reconhecimento de uma conexão presente entre os conceitos de progresso e felicidade, onde o conhecimento da humanidade se coloca à disposição da bem-estar da humanidade. Outra característica do pensamento desse nome expoente na filosofia, trata-se da necessidade que homem tem pelo estado de paz.
            Mas o progresso é um fator que proporciona o desenvolvimento da cultura, da tecnologia, do conforto e do luxo, coisas que cada vez mais distanciam o homem do seu estado primitivo na natureza, assim, o homem passa a guerrear de maneiras diversas para satisfazerem suas necessidades e carências.
            Esse período de Jean-Jacques Rousseau, foi caracterizado por expansões comerciais e pelo progresso da burguesia, em contra ponto, se ampliou a desigualdade social, e a prevaricação da moralidade em prol do levantamento luxuoso de alguns poucos. Observa-se também que foi um período onde se fomentou a indústria e o comércio, considerada pelo mesmo pensador como uma “fonte de riqueza para todos que se coloca como requisito, aliás, para o triunfo da verdadeira liberdade.” (ESPÍNDOLA, s/d, p. 127).
            A perspectiva de Immanuel Kant sobre o progresso, em primeiro momento adquiri um foco mais voltado a uma teologia da natureza, mais os acontecimentos do período da revolução francesa, interfere nesta concepção, o que dar espaço para o surgimento de uma perspectiva de progresso inovadora, estimulante e revisada, pois o filósofo compreende que uma visão teológica da natureza não supre o pensamento a nível histórico.
Investigar a concepção de progresso proporcionada por Kant pode ser instigada a partir de suas obras, “A Ideia de Uma História Universal de Um Ponto de Vista Cosmopolita” e “O Conflito das Faculdades”, e se estender por outros dos seus escritos, sem deixar de observar que “falar de progresso em Kant implica em abordar a sua filosofia da história.” (PEREIRA, 2008, p. 108).
Para facilitar a compreensão do progresso na perspectiva de Imannuel Kant, podemos dividir essa analise em três etapas; a primeira trata-se de uma tentativa de esclarecer o valor do processo de moralização social, como estado fundamental do entendimento do progresso; a segunda fase busca-se evidenciar a ancora que liga a teologia da natureza a concepção de progresso do pensamento kantiano, colocando a posição de que na história do homem, ocorre o progresso com os seus próprio fins (PEREIRA, 2008, p. 108), e na terceira etapa dessa análise, observa-se o pensamento kantiano sendo reformulado após a Revolução Francesa, onde o filosofo conclui que, a trama teleológica da natureza não é mais suficiente para se pensar o progresso. (PEREIRA, 2008, p. 108).

Kant nos faz pensar numa questão que lamentavelmente os homens do presente parecem não considerar: que progresso deve ser sinônimo de humanismo, de realização da justiça de modo universal, de uma ordem social onde reina a paz entre os homens, de desenvolvimento das potencialidades que o humano naturalmente possui. (PEREIRA, 2008, p. 116).

            É evidente que a concepção Kantiana de progresso está afastada do contexto que se tem nos tempos contemporâneos, pois em seu pensamento, Kant percebe o progresso com base em processo moralista do ser humano como condição básica de desenvolvimento, ou qualquer outra expansão financeira, social, cientifica, política ou natural.


REFERÊNCIAS


PEREIRA, José Aparecido. A ideia de progresso em Kant. Tempo da Ciência (15) 30: 107-119, 2º semestre 2008.


ESPÍNDOLA, Arlei de. JEAN-JACQUES ROUSSEAU: CIÊNCIA, PROGRESSO, E CORRUPÇÃO MORAL. Departamento de Fil

COMPREENDENDO A EDUCAÇÃO, POBREZA E DESINGUALDADE SOCIAL

Romário Milhomem da Cruz 

Falar em pobreza na sociedade brasileira sempre foi uma questão delicada, principalmente porque que a mídia, os políticos e o grandes empresários se incomodam com esse assunto, e porque quem advém das classes média e baixa desconhecem realmente o estado de miserabilidade em que se encontra uma parte expressiva da sociedade, acabam assim só por repetir um discurso estabelecido pelos poucos que detém a parcela maior do bolo econômico e político.
As palavras de Sposati (apud NOGUEIRA in BOSCHI, 1991: p.108):

A pobreza se expressa não só pela impossibilidade de suprir as condições mínimas de sobrevivência, mas também pela frustração de expectativas pela falta de acesso a certos privilégios que o modelo de produção de bens especiais [bens de luxo], geravam na população.

A proposta do curso, traz atrelado aos seus objetivos uma importante característica, o trabalho com os educadores em aprenderem a refletir e intervir de maneira estratégica na parte de sua comunidade que encontra-se entre os desfavorecidas pelo sistema. Mais para isso, se faz necessário que os mesmos tomem como ponto de partida uma nova atitude, onde possam reconhecer de fato que a pobreza existe, e que assumam a tarefa de trazer também esse clareamento para a sociedade.
         Veja, então, que reconhecer a pobreza e as desigualdades, fundamentalmente, significa levar em conta que há uma existência persistente dos pobres nas escolas brasileiras, trazendo reflexões importantes para as práticas pedagógicas e para a gestão educacional (ARROYO, 2014). Então, reconhecer a existência dessa realidade de crianças e adolescentes afetados pela da pobreza dentro da educação, não é a única atitude esperada, necessita também colocar em evidência um discurso de como se dar essa vivência da pobreza.
            Muitos colocam a pobreza como uma questão de escolhas e moralidade, esses culpam o pobre por ser pobre, como se essa realidade fosse escolhida por eles. Quando se imputa aos(às) pobres a sua condição de pobreza e considera-se que são carentes de valores, passa-se a entrever apenas uma solução: educá-los(as) nos valores do trabalho, da dedicação e da perseverança, desde a infância (ARROYO, 2014). Mais será que a principal função da escola perante essas pessoas marginalizadas, é fornecer uma moralidade de valores? uma espécie de “antídoto” contra a pobreza? Será realmente que milhões de país querem ver seus filhos passando fome só por comodismo? Será que muitos estão sem tento só por preguiça de trabalhar?
Piva (2005, p. 14) diz que:

Carentes de recursos econômicos, os pobres também estão desprovidos de consciência política e dos direitos que constituem a cidadania. Serviços de saúde, educação, moradia e saneamento de qualidade não são relacionados por eles como produto dos impostos e tarifas pagas ao governo nas ações cotidianas, mas muitas vezes, vistos como favores empreendidos por políticos em troca de votos.

            Ocorre muito a presença de um pensamento reducionista sobre o pobre e as desigualdades presentes na sociedade, mais há uma negligência da formação econômica e social brasileira. Desde de seu descobrimento, o Brasil está marcado por injustiças, por privação de direitos básicos da humanidade e a dignidade de classes desfavorecidas ou que não atende-se aos padrões dos opressores e dominadores da sociedade.
            Essa característica deixou como herança um pensamento crítico por partes dos favorecidos pela economia e pela política, em relação a programas e projetos que visam atender o excluídos e marginalizados, rotulam de assistencialistas as políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família (ARROYO, 2014). Muitos buscam desestimular a transferência de renda e a disponibilidade de oportunidades as parcelas mais “fracas” da sociedade, porque os que já tem muito bolo estão querendo sempre mais e mais.
            Grandes são os desafios que serão encontrados nessa jornada, mais recompensador será os resultados que hão de ser alcançados quando a educação conseguir fazer com que a sociedade em toda a sua plenitude reflita e procure intervir de maneira efetiva no combate à pobreza, e no reducionismo das desigualdades sociais presentes em nosso país desde do início de sua formação cultural, política e social.


REFERÊNCIAS




Arroyo, Miguel. Pobreza, Desigualdades e Educação. Módulo Introdutório na Pós-Graduação em Educação Pobreza e Desigualdade Social. Brasil, 2014.


BOSCHI, R. R. CORPORATIVISMO E DESIGUALDADE – a constituição do espaço público no Brasil (Org.). Rio de Janeiro: Rio Fundo Editora, 1991.


PIVA, Isabel Maria da Penha. Sob o estigma da pobreza: a ação da irmandade da misericórdia no atendimento à pobreza em Vitória - ES (1850-1889). Centro de Ciências Humanas e Naturais da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Vitória, 2005. [Dissertação de Mestrado].


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

ESCOLA TRADICIONAL E ESCOLA DA ECONOMIA SOLIDÁRIA: Um contexto metodológico diferente

Romário Milhomem da Cruz

Analisando a Economia Solidária e as novas perspectivas, facilmente se encontra aspectos diferenciais da escola tradicional e sua metodologia. A Escola tradicional é marcada por característica implantada pelas classes mais altas e submetidas às classes menos favorecidas e que estão inseridos em um contexto social totalmente diferente.
A escola tradicional não considera os interesses de seus formandos, reprime os aspectos naturais e culturais do meio a fim de forçar uma moralidade burguesa ou capitalista, ofertando uma formação rígida, engessada com um regime moral de estudos rigorosos privilegiando a cultura dos grandes centros. Além de uma educação fragmentada, a escola tradicional não capacita agentes pensantes, mais sim pessoas preparadas para serem operários.
Aqui que se encontra a grande diferença da Escola em Economia Solidária, pois o seu alicerce metodológico se encontra em práticas educativas com uma dinâmica de construção constante de aspectos culturais, sociais e políticos, alternando tempos e espaços e a participação de muitos sujeitos (Rede CFES Amazônia II, 2016). Porém a escola da Economia Solidária não substitui a educação básica, um direito de todos, pois a mesma amplia a capacidade de autogestão e a criatividade das pessoas.
Os princípios, práticas, metodologias e os fundamentos da Economia Solidária orienta a valorização da Educação Popular, que valoriza o contexto e saberes local. Assim se desenvolve uma metodologia participativa dos processos da construção do conhecimento, reconhecendo as experiências individuais, a identidade e a diversidade social.
Em sua proposta se fomenta o resgate da valorização da “pedagogia da alternância” que harmoniza momentos de formação presencial com as atividades da vivência prática, que favorece o aprendizado constante através da experimentação, aprimorando a articulação entre teoria e prática. A escola da Economia Solidária desenvolve agentes politicamente ativos que fomenta ações de fomento ao desenvolvimento local e territorial, desenvolvimento educacional e tecnológico e aspectos como o crédito e financiamento solidários.

EDUCAÇÃO ASSERTIVA NA ECONOMIA SOLIDÁRIA

Romário Milhomem da Cruz

A Educação da Economia Solidária se torna assertiva quando a sua difusão traz consigo reflexões e ações que desmistifica a abordagem tradicional e mecanicista do ensino. A necessidade de políticas específicas para a popularização de uma economia solidária, e que contribuísse para a formação de um ser mais crítico e reflexivo, levou a ações de agentes interessados na melhoria de vida e da sua comunidade.
            As experiências mostram que não existe uma receita especifica no ensino popular, solidário e de autogestão. As características peculiares da realidade de cada grupo é o instrumento que deve nortear as iniciativas educacionais e o seu desenvolvimento. Difundir a educação é ir além de um currículo pré-estabelecido na educação tradicional, é poder ampliar o conhecimento do aluno sobre questões multidisciplinares e atuais como o desemprego, o trabalho precário, a relações de trabalho fragilizadas e os problemas estruturais da política econômica.
            Mais como transmitir essa multidisciplinaridade se no universo da educação tradicional nos fora transmitidos conceitos rígidos, fragmentados e mecanizados? Em sua essência a educação tradicional se assemelha a uma linha de montagem, onde o aluno vive em uma série (de produção), sentado em uma cadeira (posto de trabalho), aprende disciplinas separadas (divisão do trabalho), e presos a uma grade curricular (a fábrica), que no final formam apenas operários.
            É preciso solucionar esse problema na educação com iniciativas que devolvam aos grupos, saídas para a “crise” capitalista e do seu sistema produtivo. Através de uma educação inovadora é possível devolver o horizonte de possibilidades a uma ética de relações humanas, vinculando a educação com os processos de trabalho e a autogestão, não tendo o lucro exclusivamente como objetivo final, mais sim o homem em sua essência coletiva.
            É necessário que se repense a educação que vem sendo desenvolvida na comunidade, pois para que se faça uma reflexão sobre os processos de trabalho, tem se que se levar em conta os processos educativos.  Saber que há a possibilidade de se rever conceitos educacionais pregados, pode ser validado quando os indivíduos se beneficiam com a inserção nos grupos, intervindo como pensadores e agentes nas questões políticas, sociais, econômicas e culturais.
              Indivíduos atuantes e autônomos que priorizem a solidariedades e a coes dos movimentos populares vivem em uma filosofia que desencadeia novos processos educativos, contribuindo com a qualificação digna de indivíduos críticos, interventores, gestores autônomos, intelectuais e solidários, cumprindo o seu papel em um momento novo.

COMPETIÇÃO E COOPERAÇÃO: Uma compreensão sobre a relação de competição e cooperação em Empreendimentos Solidários

 Romário Milhomem da Cruz

            Ao se pensar em Economia Solidária perante a globalização capitalista, surgem peculiaridades e desafios constantes a sobrevivência dos empreendimentos solidários perante a um mercado altamente competitivo. O cooperativismo é um movimento que surgiu como um caminho para se desprender de um capitalismo opressor, através de seus objetivos que pregam o servir e a melhoria dos seus cooperados.
            Seguindo esse principio é que se busca uma prosperidade coletiva, onde os ganhos são compartilhados com base na cooperação e não na competição. O cooperativismo chegou a ser pregado como uma alternativa entre o capitalismo e o socialismo, porem nem todos os agentes desses empreendimentos solidários tem claro esses objetivos, na prática, nem todos esses preceitos são valores dominantes, porque nem todas as pessoas têm o mesmo interesse ou a claridade em relação a esses princípios.
            Como os mercados estão inseridos em um universo capitalista, alguns associados ingressam em um empreendimento solidário em busca de vantagens financeiras ou por interesses pessoais, onde dá vazão para o surgimento de competição entre os membros cooperados, gerando conflito entre os objetivos da administração do empreendimento, que busca a satisfação de um bem comum e a melhoria do conjunto, e os objetivos de alguns cooperados em particular, que não compartilham essa concepção de ajuda mútua e solidariedade, mais visam vantagem de ordem financeira, social ou política.
            É bem verdade que cooperação e competição têm significados opostos mais compartilham o mesmo espaço nas atividades de qualquer organização, e como nem toda forma de competição está explicita aos olhos dos cooperados, pode de certa forma se tornar algo benéfico para que a cooperação alcance certo desenvolvimento econômico. Levando em consideração a cultura competitiva no decorrer da evolução das atividades produtivas, é que se pode chegar a uma compreensão sobre a relação da cooperação e da competição em um empreendimento solidário.
            Pode-se se obsevar dois exemplos locais de empreendimentos que relacionam a cooperação com a competição;
            O primeiro exemplo é de uma cooperativa que trabalho no mercado de planos de saúde como, a UNIMED de Imperatriz - MA, um empreendimento que se iniciou com poucos membros e atualmente tem em torno de 110 cooperados e 360 colaboradores, atendendo em torno de 18 mil beneficiários (MISSIO, et al), em sua estrutura existe uma rede nacional com a marca UNIMED, porém cada local é uma cooperativa independente. Apesar da característica de cooperação é de fácil observação um individualismo de seus membros, onde cada pessoa trabalha por resultados satisfatórios e individuais sem buscar favorecer o grupo, mais ao mesmo tempo ocorre uma colaboração entre os colegas em busca de atender as solicitações da cooperativa.
            Outro grupo onde a competição e a cooperação são de fácil identificação são as cooperativas de transportes alternativos do Sul do Maranhão – COOPTASUL, um empreendimento que favorece todos os motoristas de vans e taxis que tem linha na região de Porto Franco, Estreito e Imperatriz, onde os cooperados são favorecidos por uma organização e por uma logística zelada pela administração do empreendimento. Porém nem sempre a cooperação é predominante, pois alguns cooperados tentam burlar a estrutura de organização das linhas para obter vantagens financeiras, como o aumento de viagens em relação do que estava previsto.
            Nesses casos pode-se considerar que a cooperação é praticada de maneira seletiva, porém atitude de ajuda mutua e solidariedade deve ser percebida nas ações de cada individuo, sabendo ponderar atitudes de competição e individualismo, e identificar em quais níveis se encontra para saber até onde pode ser benéficos dentre de um empreendimento solidário.
            A primeira atitude de zelo pelas relações de competição menos agressivas, se dá com o balizamento dos interesses, intenções e necessidades de cada cooperado para definir estratégias de evitar o individualismo, e trabalhar essa competição de maneira benéfica para o desenvolvimento econômico do empreendimento. No segundo passo é interessante a criação de uma estrutura de coesão ou punição para os indivíduos que queiram se utilizar da cooperação para adquirir vantagens egoístas que atrasam a construção de um bem comum, mais buscando compreender que a competição é um aspecto natural da humanidade, e que pode ser trabalhado para promover vantagens benéficas ao coletivo.

REFERENCIAS

MISSIO, Graciela et. al. OS DILEMAS COOPERAÇÃO E COMPETIÇÃO NUMA COOPERATIVA DE SAÚDE. Universidade Federal de Roraima, 2013.


OFERTA E DEMANDA E A MAXIMIZAÇÃO DE LUCROS: Uma compreensão sobre a teoria dos preços e da lei de mercados

Romário Milhomem da Cruz

Para analisar oferta e a demanda e como cada uma delas se comporta no mercado, se faz necessário oferecer um espaço para o diálogo com a teoria dos preços pregada na microeconomia, nesse debate a compreensão dos modelos de mercado se torna uma ferramenta primordial. Ao observar a formação de preços visualiza-se a interação entre o consumidor e as empresas, e como os mesmos decidem a qual o preço e quantidade que um bem ou serviços deve estar disponível no mercado.
Se preocupar com a formação de preços dos bens e serviços e dos fatores de produção pode ser o primeiro passo na compreensão dos diversos modelos de mercados, onde temos;
Mercados Competitivos - Aqueles que são compostos por varias empresas oferecendo o mesmo produto, e, portanto a decisão individual de cada empresário não é capas de influenciar o preço, então se busca maximizar o lucro reduzindo os custos de produção. Segundo Adam Smith (1776) esse tipo de mercado é regido por uma mão invisível que trás o equilíbrio entre a oferta e a demanda.
Mercados Monopolistas – É um tipo especial de mercado onde uma só empresa detém a produção de certo produto, ou onde não seria viável a existência de outras empresas oferecendo o mesmo produto, como não há concorrentes neste mercado a empresa tem total controle na oferta de preços obtendo lucros máximos, nesse tipo de mercado temos como exemplo as companhias energéticas que recebem do governo o direito de ofertar o fornecimento de energia sem concorrentes com produtos idênticos.
Mercados Oligopolistas – Segundo Mankiw (2001) oligopólio é uma “estrutura de mercado em que poucos vendedores oferecem produtos similares ou idênticos”, esse tipo de mercado é conhecido por sua capacidade em formar conluio ou cartel. Nesse tipo de mercado as empresas podem firmar acordos para maximizar cada vez mais seus lucros, onde temos como exemplo os postos de gasolina.
Economia é um termo que em uma tradução próxima significa Administração do lar, mais com sua evolução ganhou um significado bem mais amplo, sendo hoje a ciência que trabalha a administração e otimização de recursos escassos, buscando atender as necessidades dos homens, que por natureza nunca se extingue. Resumindo, as necessidades são infinitas e os recursos são escassos.
Segundo Maslow, o homem se esforça muito para satisfazer as suas necessidades, essas que podem ser classificadas por nível. Primeiro o homem busca saciar suas necessidades básicas da fisiologia (comer, beber, etc.), depois vem à preocupação com a sua segurança (moradia, saúde, segurança pública, etc.), posteriormente vindo às necessidades sociais, em que o homem busca sentir-se parte de um grupo, em quarto lugar temos as necessidades de estima onde o homem necessita do reconhecimento de status, capacidade, prestigio etc. Por ultimo temos as necessidades de auto realização e de crescimento.
Mais como foi citado anteriormente, os recursos são escassos, e nem todas as pessoas possuem os recursos para alcançar todos os níveis de satisfação de necessidades. Assim o mercado se aproveita da escassez para maximizar o lucro de sua produção, quanto mais escasso aquele bem ou serviço mais caro se torna, o que faz a escassez econômica ter uma forte relação com o preço.
Muitas são as empresas que não se interessa pelo desejo do consumidor por certo bem, para essas o que realmente importa é se esse mesmo consumidor tem a capacidade de pagar o preço do mercado.
Historicamente o Brasil já passou por um congelamento de preços como uma estratégia do plano cruzado, mais foi um verdadeiro fracasso graças ao desiquilíbrio da economia, pois com o preço tabelado os produtores não tiveram como corrigir a produção a uma rentabilidade desejada, o que fez com que o preço fica-se abaixo do custo de produção, gerando uma queda no lucro, com essa queda os produtos passaram a estocar seus produtos, tornando os mesmos em bens escassos.
Um exemplo de mercado que apresenta um controle de preço através da limitação da disponibilidade do bem ou estocagem se trata do serviço de abastecimento de combustível oferecido pelos postos de gasolina, onde os empresários do ramo se articulam para definir a quantidade de oferta e o preço do bem no mercado.

EMPREENDIMENTOS DE ECONOMIA SOLIDÁRIA: Um diagnóstico de Porto Franco – MA

Romário Milhomem da Cruz

Ao se colocar em pauta o conjunto de Empreendimentos da Economia Solidária, a região Tocantina (Região onde o Rio Tocantins separa os Estados do Maranhão e Tocantins), mais especificamente no município de Porto Franco, conhecido por seu desenvolvimento considerável nos últimos 12 anos, as atividades organizadas com os princípios de cooperação, autogestão, viabilidade econômica e solidariedade iniciaram os seus primeiros passos através de sindicatos, associações e movimentos sociais populares.
Atualmente estão instalados no município dois Sindicatos; o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Porto Franco – STTR, órgão que representa os interesses dos seus associados, funcionando como órgão técnico e consultivo da categoria, onde ganhou destaque por promover a melhoria econômica da classe por meio de convenções, contratos coletivos, convênios, serviços de assistência, criação de cooperativas e capacitação que vem a contribuir com o desenvolvimento e a solidariedade social.
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica das Redes Públicas Estaduais e Municipais do Estado do Maranhão – SIMPROESEMMA, que tem por finalidade a integração dos trabalhadores da educação na luta em prol dos seus interesses sociais, econômicos, sindicais e de classe, desenvolvendo atividade e soluções para os problemas da categoria, visando à melhoria das condições de vida e trabalho, agindo sempre pelo interesse do bem comum.
Porém, em Porto Franco os Empreendimentos de Economia Solidária ganharam mais força no cenário rural, onde se encontram diversas Associações de Produtores Rurais, que buscam fortalecer a economia da agricultura familiar, oferecendo apoio aos pequenos produtores no repasse de seus produtos na região e outros estados. Por meio de projetos de viabilidade econômica, os produtos da agricultura familiar são adquiridos e repassados para empresas, rede de assistencialismo social e para a merenda escolar. Essas Associações por mediação do poder público realizam a compra de insumos para a produção em condições mais acessíveis.
Aqui citaremos as três principais Associações de Produtores Rurais do município, são elas; APROFRAN (Associação de Produtores Rurais de Porto Franco), muito conhecida por promover a terceira maior feira agropecuária do estado, fazendo um movimento milionário na economia regional, e ampliando a capacidade produtiva e econômica através das oportunidades de negócios encontrados pelos produtores. A Associação dos Produtores Rurais da Região dos Tinguis e São Miguel, aonde essas duas vem sempre buscando contribuir com a melhoria da produção e atividades econômicas da agricultura familiar local.
Outro empreendimento de Economia Solidaria encontrado na região, trata-se dos grupos e organizações de produção de bens e serviços apoiados pela a atuação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que tem como característica a luta pela terra, pela reforma agrária e pela transformação social, visando o acesso à cultura, conhecimento, qualidade de vida, dignidade, democratização dos meios de produção, entre outras ações.
Um movimento bastante interessante é a Companhia de Teatro e Dança Arte Livre – CIATDAL, uma instituição sociocultural sem fins lucrativos, mais que tem sido destacado como um Empreendimento de Economia Solidária, pois o mesmo consegue trabalhar com o jovem a beira da vulnerabilidade social por meio da arte, ao passo que o capacita em diversos arcos ocupacionais (garçons, mestre de obras, artesões, e outras profissões mais técnicas), a qual por meio de parcerias cria oportunidades de comercialização de bens e serviços para a comunidade local.

Porém nem todos os empreendimentos de economia solidária do municipio tiveram a mesma estrutura para dá continuidade, por falta de assistência técnico-cientifica, ou por falta de condições de mercado, ou mesmo por falta da colaboração de todos os membros dessas organizações. Temos como exemplos a Associação de Boleiras de Porto Franco e a Associação de Costureiras do Bem, empreendimentos que em menos de dois anos encerram suas atividades.

Entendendo a Economia Solidária

Romário Milhomem da Cruz

A Economia Solidária é uma perspectiva que se iniciou durante o século XX para contrapor um sistema produtivo baseado na ideologia da competição do capitalismo individual, que se fortaleceu após o surgimento da revolução industrial. O conceito de Economia Solidária está atrelado à unificação dos membros economicamente ativos da sociedade em prol de um bem comum, os princípios de igualdade, democracia, autogestão, através de um cenário construído com base na solidariedade e justiça entre os indivíduos agregados a organização e no sistema produtivo.
A Economia Solidária pode ser vista como uma ideia que busca o incentivo de uma experiência de trabalho nos moldes de um movimento social inovado e criativo dentro do sistema produtivo e econômico, fomentando uma lógica solidaria entre os agentes financeiros, sejam os fornecedores, produtores ou consumidores.
Essa ideologia evidencia uma característica reivindicadora de uma condição social digna, apresentando princípios e objetivos norteados a uma ação voltada para o contexto social, através da avaliação crítica do cenário econômico dos indivíduos inserido no movimento, propondo possibilidades de melhoria e superação aos obstáculos e desafios.
A economia Solidaria tem como objetivo o amadurecimento da estrutura econômica e social, questionando as contradições impostas pelo capitalismo, ofertando as pessoas práticas alternativas de uma lógica produtiva e econômica. A Economia Solidaria estabelece um diálogo com o movimento operário, proporcionando o renascer de objetivos de uma sociedade mais igualitária.
A autogestão, integrado com o sentimento de um sonho de igualdade e pluralidade, tem a capacidade de elevar a Economia Solidaria a um status de instrumento econômico capaz de organizar o conjunto popular e político, construindo uma nova estrutura libertadora, substituindo a antiga conhecida por ser opressora das classes e dominadora do mercado.
A desburocratização do sistema produtivo é uma das propostas de transformações semeadas pela Economia Solidaria, além de denunciar as contradições do sistema capitalista e ampliar o espaço para a germinação de novas estruturas econômicas, fertilizadas com aspectos de igualdade e solidariedade, com um único objetivo, a construção do bem comum e da sociedade mais digna para todos.