Romário Milhomem da Cruz
Ao
se pensar em Economia Solidária perante a globalização capitalista, surgem
peculiaridades e desafios constantes a sobrevivência dos empreendimentos
solidários perante a um mercado altamente competitivo. O cooperativismo é um
movimento que surgiu como um caminho para se desprender de um capitalismo
opressor, através de seus objetivos que pregam o servir e a melhoria dos seus cooperados.
Seguindo
esse principio é que se busca uma prosperidade coletiva, onde os ganhos são
compartilhados com base na cooperação e não na competição. O cooperativismo
chegou a ser pregado como uma alternativa entre o capitalismo e o socialismo,
porem nem todos os agentes desses empreendimentos solidários tem claro esses
objetivos, na prática, nem todos esses preceitos são valores dominantes, porque
nem todas as pessoas têm o mesmo interesse ou a claridade em relação a esses
princípios.
Como
os mercados estão inseridos em um universo capitalista, alguns associados
ingressam em um empreendimento solidário em busca de vantagens financeiras ou
por interesses pessoais, onde dá vazão para o surgimento de competição entre os
membros cooperados, gerando conflito entre os objetivos da administração do
empreendimento, que busca a satisfação de um bem comum e a melhoria do
conjunto, e os objetivos de alguns cooperados em particular, que não
compartilham essa concepção de ajuda mútua e solidariedade, mais visam vantagem
de ordem financeira, social ou política.
É
bem verdade que cooperação e competição têm significados opostos mais
compartilham o mesmo espaço nas atividades de qualquer organização, e como nem
toda forma de competição está explicita aos olhos dos cooperados, pode de certa
forma se tornar algo benéfico para que a cooperação alcance certo
desenvolvimento econômico. Levando em consideração a cultura competitiva no
decorrer da evolução das atividades produtivas, é que se pode chegar a uma
compreensão sobre a relação da cooperação e da competição em um empreendimento
solidário.
Pode-se
se obsevar dois exemplos locais de empreendimentos que relacionam a cooperação
com a competição;
O
primeiro exemplo é de uma cooperativa que trabalho no mercado de planos de
saúde como, a UNIMED de Imperatriz - MA, um empreendimento que se iniciou com poucos
membros e atualmente tem em torno de 110 cooperados e 360 colaboradores,
atendendo em torno de 18 mil beneficiários (MISSIO, et al), em sua estrutura
existe uma rede nacional com a marca UNIMED, porém cada local é uma cooperativa
independente. Apesar da característica de cooperação é de fácil observação um
individualismo de seus membros, onde cada pessoa trabalha por resultados
satisfatórios e individuais sem buscar favorecer o grupo, mais ao mesmo tempo
ocorre uma colaboração entre os colegas em busca de atender as solicitações da
cooperativa.
Outro
grupo onde a competição e a cooperação são de fácil identificação são as
cooperativas de transportes alternativos do Sul do Maranhão – COOPTASUL, um
empreendimento que favorece todos os motoristas de vans e taxis que tem linha
na região de Porto Franco, Estreito e Imperatriz, onde os cooperados são
favorecidos por uma organização e por uma logística zelada pela administração
do empreendimento. Porém nem sempre a cooperação é predominante, pois alguns
cooperados tentam burlar a estrutura de organização das linhas para obter
vantagens financeiras, como o aumento de viagens em relação do que estava
previsto.
Nesses
casos pode-se considerar que a cooperação é praticada de maneira seletiva,
porém atitude de ajuda mutua e solidariedade deve ser percebida nas ações de
cada individuo, sabendo ponderar atitudes de competição e individualismo, e
identificar em quais níveis se encontra para saber até onde pode ser benéficos
dentre de um empreendimento solidário.
A
primeira atitude de zelo pelas relações de competição menos agressivas, se dá
com o balizamento dos interesses, intenções e necessidades de cada cooperado
para definir estratégias de evitar o individualismo, e trabalhar essa
competição de maneira benéfica para o desenvolvimento econômico do
empreendimento. No segundo passo é interessante a criação de uma estrutura de
coesão ou punição para os indivíduos que queiram se utilizar da cooperação para
adquirir vantagens egoístas que atrasam a construção de um bem comum, mais
buscando compreender que a competição é um aspecto natural da humanidade, e que
pode ser trabalhado para promover vantagens benéficas ao coletivo.
REFERENCIAS
MISSIO, Graciela et. al. OS DILEMAS COOPERAÇÃO E COMPETIÇÃO NUMA
COOPERATIVA DE SAÚDE. Universidade Federal de Roraima, 2013.
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