quarta-feira, 12 de outubro de 2016

COMPETIÇÃO E COOPERAÇÃO: Uma compreensão sobre a relação de competição e cooperação em Empreendimentos Solidários

 Romário Milhomem da Cruz

            Ao se pensar em Economia Solidária perante a globalização capitalista, surgem peculiaridades e desafios constantes a sobrevivência dos empreendimentos solidários perante a um mercado altamente competitivo. O cooperativismo é um movimento que surgiu como um caminho para se desprender de um capitalismo opressor, através de seus objetivos que pregam o servir e a melhoria dos seus cooperados.
            Seguindo esse principio é que se busca uma prosperidade coletiva, onde os ganhos são compartilhados com base na cooperação e não na competição. O cooperativismo chegou a ser pregado como uma alternativa entre o capitalismo e o socialismo, porem nem todos os agentes desses empreendimentos solidários tem claro esses objetivos, na prática, nem todos esses preceitos são valores dominantes, porque nem todas as pessoas têm o mesmo interesse ou a claridade em relação a esses princípios.
            Como os mercados estão inseridos em um universo capitalista, alguns associados ingressam em um empreendimento solidário em busca de vantagens financeiras ou por interesses pessoais, onde dá vazão para o surgimento de competição entre os membros cooperados, gerando conflito entre os objetivos da administração do empreendimento, que busca a satisfação de um bem comum e a melhoria do conjunto, e os objetivos de alguns cooperados em particular, que não compartilham essa concepção de ajuda mútua e solidariedade, mais visam vantagem de ordem financeira, social ou política.
            É bem verdade que cooperação e competição têm significados opostos mais compartilham o mesmo espaço nas atividades de qualquer organização, e como nem toda forma de competição está explicita aos olhos dos cooperados, pode de certa forma se tornar algo benéfico para que a cooperação alcance certo desenvolvimento econômico. Levando em consideração a cultura competitiva no decorrer da evolução das atividades produtivas, é que se pode chegar a uma compreensão sobre a relação da cooperação e da competição em um empreendimento solidário.
            Pode-se se obsevar dois exemplos locais de empreendimentos que relacionam a cooperação com a competição;
            O primeiro exemplo é de uma cooperativa que trabalho no mercado de planos de saúde como, a UNIMED de Imperatriz - MA, um empreendimento que se iniciou com poucos membros e atualmente tem em torno de 110 cooperados e 360 colaboradores, atendendo em torno de 18 mil beneficiários (MISSIO, et al), em sua estrutura existe uma rede nacional com a marca UNIMED, porém cada local é uma cooperativa independente. Apesar da característica de cooperação é de fácil observação um individualismo de seus membros, onde cada pessoa trabalha por resultados satisfatórios e individuais sem buscar favorecer o grupo, mais ao mesmo tempo ocorre uma colaboração entre os colegas em busca de atender as solicitações da cooperativa.
            Outro grupo onde a competição e a cooperação são de fácil identificação são as cooperativas de transportes alternativos do Sul do Maranhão – COOPTASUL, um empreendimento que favorece todos os motoristas de vans e taxis que tem linha na região de Porto Franco, Estreito e Imperatriz, onde os cooperados são favorecidos por uma organização e por uma logística zelada pela administração do empreendimento. Porém nem sempre a cooperação é predominante, pois alguns cooperados tentam burlar a estrutura de organização das linhas para obter vantagens financeiras, como o aumento de viagens em relação do que estava previsto.
            Nesses casos pode-se considerar que a cooperação é praticada de maneira seletiva, porém atitude de ajuda mutua e solidariedade deve ser percebida nas ações de cada individuo, sabendo ponderar atitudes de competição e individualismo, e identificar em quais níveis se encontra para saber até onde pode ser benéficos dentre de um empreendimento solidário.
            A primeira atitude de zelo pelas relações de competição menos agressivas, se dá com o balizamento dos interesses, intenções e necessidades de cada cooperado para definir estratégias de evitar o individualismo, e trabalhar essa competição de maneira benéfica para o desenvolvimento econômico do empreendimento. No segundo passo é interessante a criação de uma estrutura de coesão ou punição para os indivíduos que queiram se utilizar da cooperação para adquirir vantagens egoístas que atrasam a construção de um bem comum, mais buscando compreender que a competição é um aspecto natural da humanidade, e que pode ser trabalhado para promover vantagens benéficas ao coletivo.

REFERENCIAS

MISSIO, Graciela et. al. OS DILEMAS COOPERAÇÃO E COMPETIÇÃO NUMA COOPERATIVA DE SAÚDE. Universidade Federal de Roraima, 2013.


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