Romário Milhomem da Cruz
A
Educação da Economia Solidária se torna assertiva quando a sua difusão traz
consigo reflexões e ações que desmistifica a abordagem tradicional e
mecanicista do ensino. A necessidade de políticas específicas para a
popularização de uma economia solidária, e que contribuísse para a formação de
um ser mais crítico e reflexivo, levou a ações de agentes interessados na
melhoria de vida e da sua comunidade.
As experiências mostram que não
existe uma receita especifica no ensino popular, solidário e de autogestão. As
características peculiares da realidade de cada grupo é o instrumento que deve
nortear as iniciativas educacionais e o seu desenvolvimento. Difundir a
educação é ir além de um currículo pré-estabelecido na educação tradicional, é
poder ampliar o conhecimento do aluno sobre questões multidisciplinares e
atuais como o desemprego, o trabalho precário, a relações de trabalho
fragilizadas e os problemas estruturais da política econômica.
Mais como transmitir essa
multidisciplinaridade se no universo da educação tradicional nos fora
transmitidos conceitos rígidos, fragmentados e mecanizados? Em sua essência a
educação tradicional se assemelha a uma linha de montagem, onde o aluno vive em
uma série (de produção), sentado em uma cadeira (posto de trabalho), aprende
disciplinas separadas (divisão do trabalho), e presos a uma grade curricular (a
fábrica), que no final formam apenas operários.
É preciso solucionar esse problema na
educação com iniciativas que devolvam aos grupos, saídas para a “crise”
capitalista e do seu sistema produtivo. Através de uma educação inovadora é
possível devolver o horizonte de possibilidades a uma ética de relações
humanas, vinculando a educação com os processos de trabalho e a autogestão, não
tendo o lucro exclusivamente como objetivo final, mais sim o homem em sua
essência coletiva.
É necessário que se repense a
educação que vem sendo desenvolvida na comunidade, pois para que se faça uma
reflexão sobre os processos de trabalho, tem se que se levar em conta os
processos educativos. Saber que há a
possibilidade de se rever conceitos educacionais pregados, pode ser validado
quando os indivíduos se beneficiam com a inserção nos grupos, intervindo como
pensadores e agentes nas questões políticas, sociais, econômicas e culturais.
Indivíduos atuantes e autônomos que
priorizem a solidariedades e a coes dos movimentos populares vivem em uma
filosofia que desencadeia novos processos educativos, contribuindo com a
qualificação digna de indivíduos críticos, interventores, gestores autônomos,
intelectuais e solidários, cumprindo o seu papel em um momento novo.
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