sexta-feira, 14 de outubro de 2016

COMPREENDENDO A EDUCAÇÃO, POBREZA E DESINGUALDADE SOCIAL

Romário Milhomem da Cruz 

Falar em pobreza na sociedade brasileira sempre foi uma questão delicada, principalmente porque que a mídia, os políticos e o grandes empresários se incomodam com esse assunto, e porque quem advém das classes média e baixa desconhecem realmente o estado de miserabilidade em que se encontra uma parte expressiva da sociedade, acabam assim só por repetir um discurso estabelecido pelos poucos que detém a parcela maior do bolo econômico e político.
As palavras de Sposati (apud NOGUEIRA in BOSCHI, 1991: p.108):

A pobreza se expressa não só pela impossibilidade de suprir as condições mínimas de sobrevivência, mas também pela frustração de expectativas pela falta de acesso a certos privilégios que o modelo de produção de bens especiais [bens de luxo], geravam na população.

A proposta do curso, traz atrelado aos seus objetivos uma importante característica, o trabalho com os educadores em aprenderem a refletir e intervir de maneira estratégica na parte de sua comunidade que encontra-se entre os desfavorecidas pelo sistema. Mais para isso, se faz necessário que os mesmos tomem como ponto de partida uma nova atitude, onde possam reconhecer de fato que a pobreza existe, e que assumam a tarefa de trazer também esse clareamento para a sociedade.
         Veja, então, que reconhecer a pobreza e as desigualdades, fundamentalmente, significa levar em conta que há uma existência persistente dos pobres nas escolas brasileiras, trazendo reflexões importantes para as práticas pedagógicas e para a gestão educacional (ARROYO, 2014). Então, reconhecer a existência dessa realidade de crianças e adolescentes afetados pela da pobreza dentro da educação, não é a única atitude esperada, necessita também colocar em evidência um discurso de como se dar essa vivência da pobreza.
            Muitos colocam a pobreza como uma questão de escolhas e moralidade, esses culpam o pobre por ser pobre, como se essa realidade fosse escolhida por eles. Quando se imputa aos(às) pobres a sua condição de pobreza e considera-se que são carentes de valores, passa-se a entrever apenas uma solução: educá-los(as) nos valores do trabalho, da dedicação e da perseverança, desde a infância (ARROYO, 2014). Mais será que a principal função da escola perante essas pessoas marginalizadas, é fornecer uma moralidade de valores? uma espécie de “antídoto” contra a pobreza? Será realmente que milhões de país querem ver seus filhos passando fome só por comodismo? Será que muitos estão sem tento só por preguiça de trabalhar?
Piva (2005, p. 14) diz que:

Carentes de recursos econômicos, os pobres também estão desprovidos de consciência política e dos direitos que constituem a cidadania. Serviços de saúde, educação, moradia e saneamento de qualidade não são relacionados por eles como produto dos impostos e tarifas pagas ao governo nas ações cotidianas, mas muitas vezes, vistos como favores empreendidos por políticos em troca de votos.

            Ocorre muito a presença de um pensamento reducionista sobre o pobre e as desigualdades presentes na sociedade, mais há uma negligência da formação econômica e social brasileira. Desde de seu descobrimento, o Brasil está marcado por injustiças, por privação de direitos básicos da humanidade e a dignidade de classes desfavorecidas ou que não atende-se aos padrões dos opressores e dominadores da sociedade.
            Essa característica deixou como herança um pensamento crítico por partes dos favorecidos pela economia e pela política, em relação a programas e projetos que visam atender o excluídos e marginalizados, rotulam de assistencialistas as políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família (ARROYO, 2014). Muitos buscam desestimular a transferência de renda e a disponibilidade de oportunidades as parcelas mais “fracas” da sociedade, porque os que já tem muito bolo estão querendo sempre mais e mais.
            Grandes são os desafios que serão encontrados nessa jornada, mais recompensador será os resultados que hão de ser alcançados quando a educação conseguir fazer com que a sociedade em toda a sua plenitude reflita e procure intervir de maneira efetiva no combate à pobreza, e no reducionismo das desigualdades sociais presentes em nosso país desde do início de sua formação cultural, política e social.


REFERÊNCIAS




Arroyo, Miguel. Pobreza, Desigualdades e Educação. Módulo Introdutório na Pós-Graduação em Educação Pobreza e Desigualdade Social. Brasil, 2014.


BOSCHI, R. R. CORPORATIVISMO E DESIGUALDADE – a constituição do espaço público no Brasil (Org.). Rio de Janeiro: Rio Fundo Editora, 1991.


PIVA, Isabel Maria da Penha. Sob o estigma da pobreza: a ação da irmandade da misericórdia no atendimento à pobreza em Vitória - ES (1850-1889). Centro de Ciências Humanas e Naturais da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Vitória, 2005. [Dissertação de Mestrado].


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