segunda-feira, 14 de novembro de 2016

UMA REFLEXÃO EDUCACIONAL SOBRE AS DIMENSÕES DO HOMEM


UMA REFLEXÃO EDUCACIONAL SOBRE AS DIMENSÕES DO HOMEM¹

Maria Ivanice Duarte Ribeiro
Licenciada Plena em Pedagogia
Associação Faculdade de Ribeirão Preto - AFARP
ivaniceduarte@outlook.com

Edvan da Silva Oliveira
Licenciado em Ciências com habilitação em Matemática
Universidade Estadual do Maranhão – UEMA
ed.artelivre@hotmail.com

Romário Milhomem da Cruz
Licenciado em Pedagogia
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Boa Esperança – FAFIBE
romariocruz-adm@outlook.com

RESUMO

A educação sempre buscou fazer uma reflexão acerca do homem e suas diversas dimensões, não é uma tarefa fácil, pois requer uma compreensão a da ampla possibilidade de ambientes e o tempo, fatores que tem relação direta com características peculiares de cada sociedade, ou seja, de cada indivíduo. Noção de cultura, política, linguagem e justiça pode ser uma pista para esse enigma que não pode ser reduzido a um simples animal, mais um “SER” complexo e multidimensional.

Palavras Chaves: Homem. Dimensões. Sociedade.

ABSTRACT

Education has always sought to make a reflection about man and its various dimensions, is not an easy task, as it requires an understanding of the broad possibility of environments and time, factors that are directly related to specific characteristics of each company, ie of each individual. Notion of culture, politics, language and justice can be a clue to this puzzle that can not be reduced to an animal simple, more "BE" complex and multidimensional.

Key Words: Man. Dimensions. Society.


¹Artigo cientifico original desenvolvido sobre análise de uma discussão educacional com fundamentação em revisão bibliográfica.




INTRODUÇÃO

Refletir acerca do homem em todas as suas dimensões não é uma tarefa tão simples de propor, mais se transforma em um desafio prazeroso de enfrentar. Por natureza, o homem é um ser social e político, e todas suas dimensões como um “SER” levam para essa necessidade de se socializar. Segundo Modin (1980, p. 155);

O homem é essencialmente sociável. Sozinho não pode vir a este mundo, não pode crescer, não pode educar-se; sozinho não pode nem ao menos satisfazer suas necessidades mais elementares nem realizar suas aspirações mais elevadas; ele pode obter tudo isso apenas em companhia dos outros.

Percebendo isso, compreende-se que o homem precisa da relação social para desenvolver outras dimensões como a linguagem, Cultura e Liberdades. O homem é essencialmente multidimensional, e consegue desenvolver a sua própria realidade através do próprio esforço em melhorar a si próprio.
Dantas (2011), diz que o homem é sociável, assim eminentemente político, e é através dessa característica que o homem se torna capaz de interferir no curso dos diversos ambientes a qual se encontra inserido, alterando de tempos em tempos a sua própria linguagem, cultura e liberdade em todos os aspectos.

1                    O HOMEM EM SUAS DIVERSAS DIMENSÕES

O que é o homem? Quais são suas dimensões? O que separa o homem da natureza? Essas são questões que há muito a Antropologia faz acerca do homem, tentando uma compreensão desse ser que é capaz de desenvolver características próprias e no ambiente, seja ele um ambiente cultural ou político.

Ampliando o instinto gregário enquanto condição primária de sobrevivência, o homem estabelece elos cooperativos como fundamento das instituições sociopolíticas, demarcadas por valores e legislações que orientam e regulam, cuja finalidade de última, em tese, é o bem-estar individual e coletivo (DANTAS, 2011, p. 41).

            Como um ser por essencial social, o homem desenvolveu outras dimensões para permitir o convívio entre seus iguais, sua linguagem como um instrumento para aproximar a compreensão entre os indivíduos, sua Cultura como identidade que se encaixa em um grupo, sua liberdade contemporânea onde cada pessoa pode decidir a respeito de sua sexualidade, afiliação política e opinião sobre os diversos temas.
            Com a sua dimensão política o homem se tornou capaz de alcançar esse nível de interação social. Souza (1995, p. 154), afirma que;

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos. [...] Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

            Por isso, se faz importante que o homem conheça plenamente suas dimensões como um ser social e pensante, para que tenha a capacidade de edificar a Cultura, a Política, a Sociedade em prol do bem comum e da plenitude do homem em todos os aspectos. Aqui entra o conceito de justiça, um instrumento que é utilizado para equalizar a ordem da vida em sociedade, e que pode mudar conforme o contexto e o tempo que se insere.
            A justiça é a instituição que ajuda a manter uma garantia da dimensão de liberdade do homem, pois segundo Pegoraro (2006, p. 124), a justiça proíbe que a perda de liberdade de alguns possa ser justificada pela obtenção de um maior bem para todos os outros. Dantas (2001, p. 53) comenta que;

Os justos acordos derivam de princípios justos e regulamentariam uma sociedade baseada na cooperação mútua que, porém, pode ser perturbada por interesses divergentes. Mas o papel da Justiça seria justamente mostrar a vida boa a partir da participação social cooperativa.

            Observa-se que o autor leva a reflexão de que a justiça está andando paralelamente a cooperação voluntária das pessoas que vivem em sociedade, pois os indivíduos necessitam uns dos outros para poder atingir sua plenitude.
            A busca por princípios equitativos é o reflexo das diversas dimensões do homem, e sua necessidade de garantir necessidades do bem comum, o mesmo é capaz de ampliá-las para edificar esse processo social. Porém, o homem às vezes apresenta uma dimensão individualista, mesmo com o histórico de lutas para chegar liberdade e a justiça da sociedade contemporânea.

Esta posição ideal supõe que cada participante seja livre, consciente e isento de influências de instituições grupos e pessoas; pelo “véu da ignorância” desconheçam as diferenças sociais. Assim, ninguém proporia acordos baseados em vantagens econômicas. (DANTAS, 2011, p. 53).

            Então, onde o homem alcança uma dimensão total de liberdade? Já que o mesmo se sujeita a sacrifícios em prol do bem comum, ou, até onde o homem pode se considerar um ser livre vivendo em sociedade? Essa é uma resposta difícil de alcançar, devido aos diferentes contextos sociais que temos o homem presente, mas o livre argumento pode ser um instrumento de equalização, e essa dimensão da linguagem é uma dádiva, é algo característico do homem. Habemas (1989 p. 112), diz que; Não é lícito impedir falante algum, por uma coerção exercida dentro ou fora do discurso valer-se de seus direitos. Então o homem é um sujeito capaz de buscar uma cooperação de verdade entre seus iguais, mas apenas será interessante à força do melhor argumento (HABEMAS,1989, p. 17).
            Mais como definir o homem, ou a sociedade? Relativo à função da arte, quando pedagógica, social e politicamente ela se insere numa determinada conjuntura e a partir desta torna-se instrumento de crítica, transformação e libertação (DANTAS, 2011, p. 64). Definir o homem em toda a sua essência não é tão simples, porém a dimensão cultural pode ser uma pista para esse universo, pois a cultura se define dentro do contexto da liberdade de expressão, arte e das diversas linguagens do homem em sociedade.

CONCLUSÃO

Verificou-se que, o homem é um “SER” por natureza complexo, de necessidades variadas, e com um instinto que o leva para viver em sociedade, pois é na vida coletiva que o mesmo pode exercer a sua humanidade em todas as dimensões. Sozinho o homem é limitado, porém, em sociedade o homem é capaz de grandes feitos.
A sociedade dá ao homem a oportunidade de transformar sua realidade através da política e da linguagem argumentativa, tudo em prol da sua liberdade multidimensional e a liberdade do bem comum, além de garantir a sua expressividade cultural, garantido uma identidade social.



REFERÊNCIAS

DANTAS, José Carlos. Antropologia filosófica. São Luís: UemaNet, 2011.

HABERMAS, Jurgen. Consciência Moral e Agir Comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.

MONDIN, Battista. O Homem, quem é ele? São Paulo: Paulinas, 1980

PEGORARO, Olinto. Ética dos Maiores Mestres Através da História. São Paulo: Editora Vozes, 2006.

SOUZA, Sônia M. Ribeiro de. Um outro olhar: Filosofia. São Paulo: FTD, 1995.

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