quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

A CONTRIBUIÇÃO DO ROMANTISMO PARA UMA ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA

Por: Romário Milhomem da Cruz

O Romantismo Alemão, movimento do séc. XVIII, que refuta a reverência exagerada da razão, praticado no iluminismo. O Romantismo Alemão contribuiu com a compreensão geral de uma nova antropologia filosófica por diversos aspectos, sendo propagado por todo o ocidente, desenvolveu bases culturais desta civilização.
Como o idealismo racionalista privou o mundo de seu encanto, e rompeu com o que é metafísico e sobrenatural, os românticos alemães exploraram esse misterioso universo do inconsciente. Santana (2016), observa que os românticos alemães: acreditam profundamente no reencantamento da realidade, em uma imagem do Homem que não é só dá razão, mais sentimento, desejo místico, atração pela Natureza. A autora completa a afirmação ao dizer que: Este ser tem em seu íntimo uma vida interior a ser revelada, que age sobre os românticos com um magnetismo sem par, atraindo-os para o seu núcleo com a voracidade típica do que é novo.
Conforme Salatiel (2011, p. 64), o romantismo, ao contrário da ideologia do iluminismo, fundamenta suas ideias em três pilares: o indivíduo, a natureza e a estética. Observamos que na ideologia do Romantismo Alemão, o universo não se limita a uma “equação exata”, baseado numa ausência de erros, mais uma existência abundante, concedendo uma variedade de oportunidades a serem exploradas, rompendo com uma cultura tradicional baseada razão.
Schiller é um dos filósofos mais proeminentes do romantismo alemão, ele também realiza reflexão acerca da estética de Schelling, um filosofo que melhor representou o espírito romântico, do qual absorveu o apelo religioso, místico e irracional, tendo sido também o primeiro a desenvolver uma Filosofia da Arte (SALATIEL, 2011, p. 64). Schiler (1759-1805), em sua obra A Educação Estética do Homem, disse que:

O impulso lúdico reúne razão e sensibilidade e, por isso, concilia o homem com sua liberdade. Por esta razão, propõe que toda educação comece pela estética, pois somente ela pode desenvolver o indivíduo plenamente em suas faculdades. “A passagem do estado passivo da sensibilidade para o ativo do pensamento e do querer dá-se, portanto, somente pelo estado intermediário da liberdade estética (...). Numa palavra: não existe maneira de fazer racional o homem sensível sem torná-lo antes estético.” (SCHILLER, 2002, p. 113).

Verifica-se que, o romantismo propõe uma emancipação humana, dada por intermédio do reconhecimento da liberdade e da garantia de direitos universais dos sujeitos. Conforme Silva (S/D, p. 02), a proposta do Schiller é elaborar uma avaliação antropológica plena, uma forma de compreensão do ser humano que não se estabeleça concebendo este ser humano bipartido, mas como uma totalidade harmônica entre estas forças que o constituem.
Observa-se que Schiller, encaminha o seu projeto através de uma cultura estética, que tinha a intenção de repor a humanidade sua integralidade, efetuado por meio de bildung que ocasiona-se pares antitéticos como antagônicos, objetivando uma formação humana que valoriza-se os indivíduos em sua totalidade.
Silva (S/D, p. 02), coloca que,

A partir dos apontamentos feitos por Schiller em suas cartas para A educação estética do homem e Poesia ingênua e sentimental, que se pensará em uma proposta para o aperfeiçoamento moral humano a partir de uma cultura estética, que deixa de pensar o homem como uma dualidade de forças inconciliáveis, cuja dignidade está em sobrepor uma à outra, e pense-o a partir de uma avaliação antropológica plena.

            Assim, Schiller, confronta-se com uma formação de uma cultura estética, no qual conhecimento e moralidade, prazer e perfeição, felicidade e realização pessoal apontam como potências que impulsionam o indivíduo para universos diferentes. Então, Silva (S/D, p. 10), afirma que: um progresso humano cuja moralidade se estabeleça não em bases normalistas, formalistas ou legalistas, mas numa tarefa contínua de um auto fazer-se humano; uma atividade de autoconstrução contínua, uma fundamentação estética da vida que busca, no esforço contínuo, transformar sua vida em forma viva.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


SALATIEL, José Renato. História da filosofia moderna. São Luís: UemaNet, 2011.


SANTANA, Ana Lucia. Romantismo Alemão. InfoEscola: Navegando e Aprendendo. Acessado em: 21 de dezembro 2016. Disponível em: <http://www.infoescola.com/movimentos-artisticos/romantismo-alemao/>


SCHILLER, Friedrich. A Educação Estética do Homem: numa série de cartas. Trad.: Roberto Schwarz e Márcio Suzuki. São Paulo: Iluminuras, 2002.


SILVA, Lucas Viana. SCHILLER E A AVALIAÇÃO ANTROPOLÓGICA PLENA: o aperfeiçoamento moral do homem pela cultura estética. UFPI, S/D.

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