Por: Romário Milhomem da Cruz
O
Romantismo Alemão, movimento do séc. XVIII, que refuta a reverência exagerada
da razão, praticado no iluminismo. O Romantismo Alemão contribuiu com a
compreensão geral de uma nova antropologia filosófica por diversos aspectos,
sendo propagado por todo o ocidente, desenvolveu bases culturais desta
civilização.
Como
o idealismo racionalista privou o mundo de seu encanto, e rompeu com o que é
metafísico e sobrenatural, os românticos alemães exploraram esse misterioso
universo do inconsciente. Santana (2016), observa que os românticos alemães: acreditam
profundamente no reencantamento da realidade, em uma imagem do Homem que não é
só dá razão, mais sentimento, desejo místico, atração pela Natureza. A autora
completa a afirmação ao dizer que: Este ser tem em seu íntimo uma vida interior
a ser revelada, que age sobre os românticos com um magnetismo sem par,
atraindo-os para o seu núcleo com a voracidade típica do que é novo.
Conforme
Salatiel (2011, p. 64), o romantismo, ao contrário da ideologia do iluminismo,
fundamenta suas ideias em três pilares: o indivíduo, a natureza e a estética.
Observamos que na ideologia do Romantismo Alemão, o universo não se limita a
uma “equação exata”, baseado numa ausência de erros, mais uma existência
abundante, concedendo uma variedade de oportunidades a serem exploradas,
rompendo com uma cultura tradicional baseada razão.
Schiller é um
dos filósofos mais proeminentes do romantismo alemão, ele também realiza
reflexão acerca da estética de Schelling, um filosofo que melhor representou o
espírito romântico, do qual absorveu o apelo religioso, místico e irracional,
tendo sido também o primeiro a desenvolver uma Filosofia da Arte (SALATIEL,
2011, p. 64). Schiler (1759-1805), em sua obra A Educação Estética do Homem,
disse que:
O
impulso lúdico reúne
razão e sensibilidade e, por isso, concilia o homem com sua liberdade. Por esta
razão, propõe que toda educação comece pela estética, pois somente ela pode
desenvolver o indivíduo plenamente em suas faculdades. “A passagem do estado
passivo da sensibilidade para o ativo do pensamento e do querer dá-se,
portanto, somente pelo estado intermediário da liberdade estética (...). Numa
palavra: não existe maneira de fazer racional o homem sensível sem torná-lo antes
estético.” (SCHILLER, 2002, p. 113).
Verifica-se que,
o romantismo propõe uma emancipação humana, dada por intermédio do
reconhecimento da liberdade e da garantia de direitos universais dos sujeitos.
Conforme Silva (S/D, p. 02), a proposta do Schiller é elaborar uma avaliação
antropológica plena, uma forma de compreensão do ser humano que não se
estabeleça concebendo este ser humano bipartido, mas como uma totalidade
harmônica entre estas forças que o constituem.
Observa-se que
Schiller, encaminha o seu projeto através de uma cultura estética, que tinha a
intenção de repor a humanidade sua integralidade, efetuado por meio de bildung
que ocasiona-se pares antitéticos como antagônicos, objetivando uma formação
humana que valoriza-se os indivíduos em sua totalidade.
Silva (S/D, p.
02), coloca que,
A partir dos apontamentos feitos por
Schiller em suas cartas para A
educação estética do homem e Poesia
ingênua e sentimental, que se pensará em uma proposta para o
aperfeiçoamento moral humano a partir de uma cultura estética, que deixa de
pensar o homem como uma dualidade de forças inconciliáveis, cuja dignidade está
em sobrepor uma à outra, e pense-o a partir de uma avaliação antropológica plena.
Assim, Schiller, confronta-se com
uma formação de uma cultura estética, no qual conhecimento e moralidade, prazer
e perfeição, felicidade e realização pessoal apontam como potências que
impulsionam o indivíduo para universos diferentes. Então, Silva (S/D, p. 10),
afirma que: um progresso humano cuja moralidade se estabeleça não em bases
normalistas, formalistas ou legalistas, mas numa tarefa contínua de um auto
fazer-se humano; uma atividade de autoconstrução contínua, uma fundamentação estética da vida que
busca, no esforço contínuo, transformar sua vida em forma viva.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SALATIEL, José
Renato. História da filosofia moderna.
São Luís: UemaNet, 2011.
SANTANA, Ana
Lucia. Romantismo Alemão.
InfoEscola: Navegando e Aprendendo. Acessado em: 21 de dezembro 2016.
Disponível em: <http://www.infoescola.com/movimentos-artisticos/romantismo-alemao/>
SCHILLER,
Friedrich. A Educação Estética do Homem:
numa série de cartas. Trad.: Roberto Schwarz e Márcio Suzuki. São Paulo:
Iluminuras, 2002.
SILVA, Lucas Viana. SCHILLER E A AVALIAÇÃO ANTROPOLÓGICA PLENA: o
aperfeiçoamento moral do homem pela cultura estética. UFPI, S/D.
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