sábado, 7 de janeiro de 2017

ILHA DAS FLORES E O PENSAMENTO DE MARX

Por: Romário Milhomem da Cruz

            O curta metragem Ilha das Flores (1974), de Jorge Furtado, é uma atraente produção construída sob uma dialética ligada por uma lógica de um discurso que se impõe ao logo do roteiro. Sua repercussão é a prova concreta que o mesmo cumpriu de maneira cirúrgica seu objetivo graças a sua narrativa precisa.
            Percebe-se que, o curta metragem apresenta uma denúncia acerca das realidades presentes num sistema de produção capitalista, a qual há muito já denunciava MARX (apud CAFIEIRO, 2014, p. 62), ao afirmar que: o capitalismo, pois, verdadeiro parasita, às custas do trabalho alheio, fica cada vez mais rico, e o trabalhador, por isso, sofre cada vez mais.
            Retratando uma realidade socioeconômica vivenciada em um Estado emergente, observa-se que sua construção é enriquecida por diversos elementos das Teorias de Marx, como as questões das desigualdades sociais e da exposição a um sistema desumano, injusto e desigual. Qual é, essencialmente, a realidade social? Esse questionamento realizado por Tonet (2016, p. 30) ao analisar o marxismo, pode ser considerado o ponto de partida da construção dinâmica e atraente desse roteiro que aborda a desigualdade entre os seres iguais, expondo como a liberdade está condicionada a uma questão econômica.
            Marx acreditava que a razão era não só um instrumento de apreensão da realidade mas, também, de construção de uma sociedade mais justa, capaz de possibilitar a realização de todo a perfectibilidade existente nos seres humanos (QUINTANEIRO, 2009, p. 28). Assim, a intenção do autor do curta metragem, é propor uma conscientização dos efeitos gerados pelo consumismo e pelas divergências em cada contexto social, não depende somente dos problemas individualizados, mais que é uma questão de toda a coletividade, pois a produção capitalista gera seus reflexos principalmente nos sujeitos empobrecidos e marginalizados.

A fome é a fome, mas a fome que se satisfaz com carne cozinhada, comida com garfo e faca, não é a mesma fome que come a carne crua, servindo-se das mãos, das unhas, dos dentes. Por conseguinte, a produção determina não só o objeto do consumo, mas também o modo de consumo, e não só de forma objetiva, mas também subjetiva. Logo, a produção cria o consumidor. (MARX apud QUINTANEIRO, 2009, p. 33).
               
O filme trabalha justamente com temáticas como a liberdade, democracia e o capitalismo, onde essas não são as mesmas para os cidadãos que estão as margens da sociedade; e como empoderar esses sujeitos de que os mesmo tem valor e direitos humanos básicos, já que os mesmos não possuem voz ativa e nem sabem recorrer as instituições e estruturas sociais por garantias de uma vida digna. O conjunto das forças produtivas e das relações sociais de produção de uma sociedade forma sua base ou estrutura que, por sua vez, é o fundamento obre o qual se constituem as instituições (MARX apud QUINTANEIRO, 2009, p. 36).
            Então como propor uma transformação dessas condições impostas por um sistema baseado na produção e na acumulação de riquezas, uma modificação social? Possíveis respostas a essas questões foram dadas Quintaneiro (2009, p. 42), em seus estudos acerca do pensamento de Marx, com a seguinte afirmação: é por meio da luta de classes que as principais transformações estruturais são impulsionadas, por isso ela é dita o “motor da história”. Assim, as ideias dominantes, que segundo Marx e Engels (apud TONET, 2016, p. 22), são as ideias das classes dominantes, podem ser questionadas e democratizadas a todas as outras classes e instituições da sociedade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


CAFIERO, Carlos. Compêndio Capital. Tradução Ricardo Rodrigues. São Paulo: Hunterbooks, 2014.


QUINTANEIRO, Tania; BARBOSA, Maria L. O.; OLIVEIRA, Márcia G. M. Um toque de Clássicos: Marx| Durkheim| Weber. 2ª ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2009.



TONET, Ivo. Marxismo, religiosidade e emancipação humana. 1ª ed. Maceió: Coletivo Veredas, 2016.

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