Por: Romário Milhomem da Cruz
O curta metragem Ilha das Flores
(1974), de Jorge Furtado, é uma atraente produção construída sob uma dialética
ligada por uma lógica de um discurso que se impõe ao logo do roteiro. Sua
repercussão é a prova concreta que o mesmo cumpriu de maneira cirúrgica seu
objetivo graças a sua narrativa precisa.
Percebe-se que, o curta metragem
apresenta uma denúncia acerca das realidades presentes num sistema de produção
capitalista, a qual há muito já denunciava MARX (apud CAFIEIRO, 2014, p. 62),
ao afirmar que: o capitalismo, pois, verdadeiro parasita, às custas do trabalho
alheio, fica cada vez mais rico, e o trabalhador, por isso, sofre cada vez
mais.
Retratando
uma realidade socioeconômica vivenciada em um Estado emergente, observa-se que
sua construção é enriquecida por diversos elementos das Teorias de Marx, como
as questões das desigualdades sociais e da exposição a um sistema desumano,
injusto e desigual. Qual é,
essencialmente, a realidade social? Esse questionamento realizado por Tonet
(2016, p. 30) ao analisar o marxismo, pode ser considerado o ponto de partida
da construção dinâmica e atraente desse roteiro que aborda a desigualdade entre
os seres iguais, expondo como a liberdade está condicionada a uma questão
econômica.
Marx acreditava que a razão era não só um instrumento de apreensão da
realidade mas, também, de construção de uma sociedade mais justa, capaz de
possibilitar a realização de todo a perfectibilidade existente nos seres
humanos (QUINTANEIRO, 2009, p. 28). Assim, a intenção do autor do curta
metragem, é propor uma conscientização dos efeitos gerados pelo consumismo e
pelas divergências em cada contexto social, não depende somente dos problemas
individualizados, mais que é uma questão de toda a coletividade, pois a
produção capitalista gera seus reflexos principalmente nos sujeitos
empobrecidos e marginalizados.
A fome é a fome, mas a fome que se satisfaz com carne cozinhada,
comida com garfo e faca, não é a mesma fome que come a carne crua, servindo-se
das mãos, das unhas, dos dentes. Por conseguinte, a produção determina não só o
objeto do consumo, mas também o modo de consumo, e não só de forma objetiva,
mas também subjetiva. Logo, a produção cria o consumidor. (MARX apud QUINTANEIRO,
2009, p. 33).
O filme trabalha justamente com temáticas como a liberdade, democracia
e o capitalismo, onde essas não são as mesmas para os cidadãos que estão as
margens da sociedade; e como empoderar esses sujeitos de que os mesmo tem valor
e direitos humanos básicos, já que os mesmos não possuem voz ativa e nem sabem
recorrer as instituições e estruturas sociais por garantias de uma vida digna. O
conjunto das forças produtivas e das relações sociais de produção de uma
sociedade forma sua base ou estrutura que, por sua vez, é o fundamento obre o
qual se constituem as instituições (MARX apud QUINTANEIRO, 2009, p. 36).
Então como propor uma transformação
dessas condições impostas por um sistema baseado na produção e na acumulação de
riquezas, uma modificação social? Possíveis respostas a essas questões foram
dadas Quintaneiro (2009, p. 42), em seus estudos acerca do pensamento de Marx,
com a seguinte afirmação: é por meio da luta de classes que as principais
transformações estruturais são impulsionadas, por isso ela é dita o “motor da
história”. Assim, as ideias dominantes, que segundo Marx e Engels (apud TONET,
2016, p. 22), são as ideias das classes dominantes, podem ser questionadas e
democratizadas a todas as outras classes e instituições da sociedade.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
CAFIERO,
Carlos. Compêndio Capital. Tradução
Ricardo Rodrigues. São Paulo: Hunterbooks, 2014.
QUINTANEIRO,
Tania; BARBOSA, Maria L. O.; OLIVEIRA, Márcia G. M. Um toque de Clássicos: Marx| Durkheim| Weber. 2ª ed. Belo
Horizonte: Editora UFMG, 2009.
TONET,
Ivo. Marxismo, religiosidade e
emancipação humana. 1ª ed. Maceió: Coletivo Veredas, 2016.
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