Por: Romário Milhomem da Cruz
Interessante é, como um dilema moral nos
coloca em situações complicadas de se resolver, e, onde a nossa decisão terá
que levar (ou não) em conta a razão, utilitarismo e princípios que norteiam a
nossa moral individual.
O dilema do trem desgovernado, é um
clássico exposto pelo filósofo e psicólogo evolutivo Joshua Greene – Universidade
de Harvad. Nesse dilema, encontramos diversas questões, por exemplo: É
admissível condenar uma vida para salvar a vida de outros? Podemos mensurar o
valor de uma vida pela outra? Acredita-se que, pelo senso comum, em sua maior
parte, as pessoas afirmariam que sim, por isso, estriam dispostas a mudar o
trajeto do trem para salvar o maior número de passageiros.
Conforme Marton (2008), numa pesquisa
feita pela revista Time, 97% dos leitores salvariam os 5. Observa-se que, esse
comportamento está conforme a teoria utilitarista de John Stuart Mill, que tem
orientação baseada na seguinte argumentação: deve-se buscar atingir a
felicidade (prazer) para a maior poção possível de pessoas.
Mas, onde estar a consequência dessa
máxima filosófica? Imaginando esse mesmo dilema em uma situação de guerra,
assim como Marton (2008) observou, será que se multiplicando esses números por
1 milhão, não estaria apresentando um problema, já que essa ética utilitarista
sempre ira sacrificar a menor parte em prol da maior felicidade, ou seja,
mataria 1 milhão de pessoas para salvar 5 milhões?
Observa-se que esta ética, se
transformou na fundamentação de governos totalitários que surgiram na primeira
metade do século XX, e que por consequência, arruinaram, dentro da sua
perspectiva de utilidade, as minorias do seu tempo, no qual, podemos verificar
que eram tão inocentes como o homem que encontrava-se sozinho nos trilhos do
trem desgovernado.
Colocando-se essa questão através da
ótica da Declaração Universal do Direitos Humanos - DUDH, ao escolher
sacrificar uma pessoa para salvar outras cincos, significaria ir de oposto aos
direitos humanos daquela vida, pois, no artigo 3º da DUDH diz que: Todo
indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal, ou seja, é
inestimável o valor de cada vida e não é admissível que utilizemos de nossa
pequena razão para lhe tratar com essa questão.
Assim sendo, justifico a minha resposta
afirmando que, por ter a capacidade ética limitada pela razão e pelas
normativas sociais, e, pelo caráter da urgência em se obter uma atitude,
salvaria as cinco vidas dentro do trem, mesmo correndo o risco de ter realizado
uma escolha injusta ao ferir o direito básico à vida.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
MARTON, Fábio. Dilemas Morais: o que você faria?
Revista eletrônica Super Interessante. Disponível em: < http://super.abril.com.br/cultura/dilemas-morais-o-que-voce-faria/>.
Acessado em: 12 de abril de 2017.
UNESCO, Representação no Brasil. Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Brasília, 1998.
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