quarta-feira, 12 de abril de 2017

DILEMA ÉTICO

Por: Romário Milhomem da Cruz

Interessante é, como um dilema moral nos coloca em situações complicadas de se resolver, e, onde a nossa decisão terá que levar (ou não) em conta a razão, utilitarismo e princípios que norteiam a nossa moral individual.
O dilema do trem desgovernado, é um clássico exposto pelo filósofo e psicólogo evolutivo Joshua Greene – Universidade de Harvad. Nesse dilema, encontramos diversas questões, por exemplo: É admissível condenar uma vida para salvar a vida de outros? Podemos mensurar o valor de uma vida pela outra? Acredita-se que, pelo senso comum, em sua maior parte, as pessoas afirmariam que sim, por isso, estriam dispostas a mudar o trajeto do trem para salvar o maior número de passageiros.
Conforme Marton (2008), numa pesquisa feita pela revista Time, 97% dos leitores salvariam os 5. Observa-se que, esse comportamento está conforme a teoria utilitarista de John Stuart Mill, que tem orientação baseada na seguinte argumentação: deve-se buscar atingir a felicidade (prazer) para a maior poção possível de pessoas.
Mas, onde estar a consequência dessa máxima filosófica? Imaginando esse mesmo dilema em uma situação de guerra, assim como Marton (2008) observou, será que se multiplicando esses números por 1 milhão, não estaria apresentando um problema, já que essa ética utilitarista sempre ira sacrificar a menor parte em prol da maior felicidade, ou seja, mataria 1 milhão de pessoas para salvar 5 milhões?
Observa-se que esta ética, se transformou na fundamentação de governos totalitários que surgiram na primeira metade do século XX, e que por consequência, arruinaram, dentro da sua perspectiva de utilidade, as minorias do seu tempo, no qual, podemos verificar que eram tão inocentes como o homem que encontrava-se sozinho nos trilhos do trem desgovernado.
Colocando-se essa questão através da ótica da Declaração Universal do Direitos Humanos - DUDH, ao escolher sacrificar uma pessoa para salvar outras cincos, significaria ir de oposto aos direitos humanos daquela vida, pois, no artigo 3º da DUDH diz que: Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal, ou seja, é inestimável o valor de cada vida e não é admissível que utilizemos de nossa pequena razão para lhe tratar com essa questão.
Assim sendo, justifico a minha resposta afirmando que, por ter a capacidade ética limitada pela razão e pelas normativas sociais, e, pelo caráter da urgência em se obter uma atitude, salvaria as cinco vidas dentro do trem, mesmo correndo o risco de ter realizado uma escolha injusta ao ferir o direito básico à vida.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


MARTON, Fábio. Dilemas Morais: o que você faria? Revista eletrônica Super Interessante. Disponível em: < http://super.abril.com.br/cultura/dilemas-morais-o-que-voce-faria/>. Acessado em: 12 de abril de 2017.


UNESCO, Representação no Brasil. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Brasília, 1998.

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