quarta-feira, 14 de junho de 2017

O BULLYING E O RECONHECER ATRAVÉS DA ÓTICA DA RESOLUÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DE CONFLITOS

Por: Romário Milhomem da Cruz

Sabe-se que, a cada novo dia, a escola deve transformar-se para acompanhar as mudanças que a sociedade sofre, graças a constante evolução dos meios de produção e dos novos conhecimentos. Assim, surgem situações de violência cada vez mais diferenciadas e progressivas, na qual, nem sempre, a escola está pronta para intervir e propor uma resolução.
            Por isso, é importante que os educadores adquiram uma consciência e um reconhecimento de como a violência está inserida no ambiente escolar. Lopes Neto e Saavedra (2003), trazem uma compreensão acerca do que seja a “violência escolar”, que refere-se a todos os comportamentos agressivos e antissociais que ocorrem no ambiente escolar, o que inclui danos ao patrimônio, atos criminosos, conflitos pessoais, etc.
            Ao se refletir esses comportamentos, a escola poderá agir de maneira preventiva com metodologias de resolução e prevenção de conflitos, sendo essa uma atitude fundamental para a construção de uma sociedade mais digna e justa, e também, para que se elimine o vírus da violência, que conforme Pino (2007, p. 764), “penetra nos poros do tecido social, ameaçando a saúde moral das instituições nacionais.
            Sabe-se, que atualmente, uma das formas de violência que está seriamente inserida no ambiente escolar, e, requer-se uma atenção especial por parte das autoridades e dos docentes, é denominado como bullying, configurada por Dalosto e Alencar (2013), como uma prática velada, resultando em consequências dramáticas, independentemente das condições sociais e econômicas dos agressores, vítimas e testemunhas.
            Para, se obter uma compreensão mais clara do que seja bullyng, pode-se recorrer a definição dada por Olweus (2004), que afirma que:

O bullying como um tipo de violência que se caracteriza pelo uso intencional e repetido de ações violentas, utilizadas para intimidar, que se manifesta de maneira unidirecional, demonstrando um desequilíbrio de poder, pois a vítima é incapaz de se defender.

Observa-se, que esse tipo de violência sempre impregnou as paredes escolares, porém, em tempos passados, não se havia um reconhecer dessas práticas por partes dos agentes da educação, e, em outras vezes, esse tipo de violência era tratado como algo comum a faixa etária e ao modelo de desenvolvimento biológico / social / econômico.
            O bullying, pode se originar com algumas características e dimensões, sendo elas de natureza física, psicológica e/ou sexual (Batsche, Knoff, 1994), sendo definida como modalidade de violência na qual um ou mais alunos agridem outro (ou outros), de forma repetitiva, por um determinado período de tempo (Williams, 2004).
            Mas, como se pode identificar que certa situação trata-se de bullying ou não? Essa é uma pergunta fundamental para o processo de reconhecimento dessa problemática; essa identificação tem a possibilidade de iniciar-se pela a identificação do perfil que caracteriza o agressor. Boulton e Smith (1994) situam o agressor como aquele que, frequentemente, implica com os outros, agride-os ou provoca situações desagradáveis sem uma razão aparente, sendo que, comumente, trata-se de um sujeito mais alto, forte, agressivo e não cooperativo (Harris e Petrie, 2002).
            Por traz deste perfil apresentado, supõem-se que esses alunos autores de bullying, geralmente, são indivíduos provenientes de contextos familiares marcados pela violência física como metodologia de educação familiar, ou é um cenário hostil e permissivo, que conforme a observação de Batsche e Knoff (1994), Haynie et al (2001), são famílias com poucas habilidades de resolução de conflitos e ensinam suas crianças a revidarem ante à mínima provocação.
            Por outro lado, também se faz necessário um reconhecer do perfil encontrado pelo aluno vítima de bullying, e como a escolar pode está realizando o acompanhamento dos que já sofreram qualquer modalidade de bullying. Lopes Neto (2005), diz que: a vítima de bullying, por sua vez, é aquela criança ou adolescente que são constantemente agredidos pelos colegas e, geralmente, não conseguem cessar ou reagir aos ataques, o autor também apresenta as dificuldades que esses sujeitos tem para lidar com o comportamento impulsivo, reatividade emocional e hiperatividade
            Observa-se que, nesses sujeitos vitimados pelo bullying, apresenta-se uma vulnerabilidade tanto na questão de suas singularidades físicas, como em questões comportamentais e de emoções; em outras pesquisas, observou-se que tendem a ser filhos de pais superprotetores e que monitoram assiduamente as ações da criança.
            Um dos grandes desafios encontrados no processo de erradicação do bullying, segundo Monteiro (2008), diz respeito a:

Instituições que não admitem a ocorrência, possivelmente por desconhecerem o problema ou porque se negam a enfrentá-lo, sendo as que, provavelmente, apresentam uma incidência mais expressiva do fenômeno, já que não existem políticas de prevenção ou erradicação.

            Sendo que, em algumas situações, ocorre uma confusão acerca dos comportamentos próprios da idade e sua distinção do bullying, e/ou querem engessar o modo de avaliar esse tipo de violência, já que, o bullying se apresenta de uma maneira diferenciada em cada contexto.
            Após a verificação da literatura disponível, observa-se que as opiniões acerca do tema bullying, ainda não adquiriram um espaço específico nas metodologias de resolução e transformação de conflitos no âmbito escolar, verificou-se que muitas vezes, é direcionado no mesmo rol de outras modalidades de violências que se apresentam na escola.
            Acredito que, outros aspectos mais aprofundados acerca do ambiente familiar, social, cultural, entre outros, poderiam ser objetos de reflexão e observação, buscando-se a compreensão de como esses fatores se relacionam com a dimensões e contextos dos alunos que levam a fazer parte de uma situação de bullying, seja como agressor ou como vítima.
            Ao relacionar as ideias e as propostas de intervenção, recolhidos nas literaturas acerca do conteúdo, percebeu-se que a área de resolução e transformação de conflitos, pode dar pistas para que se evidencie a contextualização da temática e o fenômeno, na qual costuma se esconder no desenvolver da convivência escolar, levando a compreensão de aspectos que favoreçam a tomada de decisões ou metodologias de intervenção, dando abertura para uma redução dos índices, e, ensaiar o combate preventivo, amenizando os efeitos que esse tipo de violência provoca nos sujeitos e na sociedade.
            Assim, conclui-se que, as propostas apresentadas podem ser aplicadas em contextos educativos diferentes, desde que se respeite o contexto, o ambiente escolar, o perfil dos alunos entre outras singularidades que se diferencia de local para local, escola a escola, pessoa a pessoa.

Referências Bibliográficas:

Batsche, G. M.; knoff, H. M. (1994). Bullies and their victims: understanding a pervasive problem in the schools. School Psychological Review, v.23, n.2, p.165-174.

Boulton, M. J. e Smith, P. K. (1994). Bully victim problemsin middle-school children: stability, self-perceived competence, peer perceptions and peer acceptance. Recuperado em 20 de março de 2013, de http://www.ector.colorado.edu.

Dalosto, M. M. e Alencar, E. M. L. S. (2013). Manifestações e prevalência de bullyng entre alunos com altas habilidades/superdotação. Rev. bras. educ. espec. 19(.),363-378. Recuperado em 27 de fevereiro de 2014, de http://dx.doi.org/10.1590/S1413-65382013000300005.

Harris, S. e Petrie, G. (2002). A studying of bullying in the middle school. NASSP Bulletin, 86(633), 42-53.

Haynie, D. L. et al. (2001). Bullies, victims, and bully/victims: distinct groups of at-risk youth. Journal of Early Adolescence, v.21, n.1, p.29-49.

Lopes Neto, A. A. (2005). Bullying: comportamento agressivo entre estudantes. Jornal de Pediatria, 81(5), 164-172.

Lopes Neto, A. A. e Saavedra, L. H. (2003). Diga não para o bullying: programa de redução do comportamento agressivo entre estudantes. Rio de Janeiro: ABRAPIA.

Monteiro, L. (2008). Bullying: para combater é preciso reconhecer que ele existe. Entrevista concedida à jornalista Danielle Bittencourt. Recuperado em 20 de outubro de 2008, de http://www.observatoriodainfancia.com.br/article.php3?id_article=312&var_recherche=bullying.

Olweus, D. (2004). A Profile of bullying at school. Educational Leadership, v. 60, n.6, p.12-17.

Pino, Angel. (2007). Violência, educação e sociedade: um olhar sobre o Brasil contemporâneo. Edu. Soc., Campinas, vol. 28, n. 100 – Especial, p.763-785.

Williams, L. C. A. (2004). Violência e suas representações. In: SOLFA, G. C. (org.) Gerando cidadania: reflexões, propostas e construções práticas sobre direitos da criança e do adolescente. São Carlos: Rima, p.133-145.

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