sexta-feira, 5 de outubro de 2018

AULA DE FILOSOFIA INOVADORA


 * Prof. MsC. Romário Milhomem da Cruz
A palavra inovação - originada do Latim “Innovare (IN = em; NOVUS = novo, recente) - nos remete àquilo que é e foi renovado ou modificado, e que também pode facilmente descrever a nova tendência do ensino da filosofia em meio às constantes transformações na sociedade globalizada e tecnologicamente interligada.
Sabe-se, que a educação brasileira está sofrendo grande influência das recentes produções científicas e tecnológicas, as descobertas dos novos recursos facilitam cada vez mais o modo de vida do ser humano, isso faz com que a educação proposta não atenda mais os anseios dos indivíduos inseridos nesta geração digitalmente democrática.
Surgem grandes discursos acerca da “escola ideal”, porém, sabe-se que a formação econômica, política, cultural e social do país, não favoreceu o surgimento de uma estrutura que fomenta-se a aplicação dessa realidade ideal. A tradição educacional brasileira - principalmente no que se refere ao ensino da filosofia - está permeada por concepções e teorias produzidas por centros acadêmicos fechados à diversidade, e se distância da realidade do ambiente em que a escola encontra-se inserida.
Não houve uma construção educacional fundamentada no contexto de cada centro educacional, sempre se voltou a realidade das classes dominantes como o ponto de referência para criação de valores para a educação. Há uma exclusão do sujeito local, desde o conteúdo que se escolheu para lecionar até a metodologia didática e de avaliação dos indivíduos.
Essa exclusão se estende até a formação política, social e ética. Percebe-se que, ainda não verificou-se uma linha clara acerca da didática filosófica emancipadora, que acompanha as tendências da vida em sociedade, por isso, faz-se necessário uma coligação entre os professores de filosofia e o contexto educacional na qual ele se encontra. Observa-se, que nem as políticas públicas para a educação, e/ou os gestores e professores dos centros escolares (inclui-se aqui os gestores do sistema nacional de educação), nunca souberam como propor uma aula de filosofia inovadora.
A realidade vivenciada nas aulas de filosofia é muito divergente daquilo que se prevê nos planos e nos parâmetros da educação, muitas vezes, nem o professor qualificado e preparado para o ensino de tal matéria é não se encontra disponível no meio. A história da filosofia é composta por várias idas e vindas, quase sempre tratada como uma disciplina a margem de outras como o português e a matemática.
São questões como estas que levaram a uma marginalização da importância do ensino da filosofia nos centros escolares, por isso, é que o ensino da filosofia exige um novo modelo pedagógico, que vise práticas incluindo a comunidade, o contexto e o ambiente na qual os alunos encontram-se inseridos. A Filosofia é uma disciplina emancipatória, pois trata as questões da vida e do mundo com a devida reflexão e análises complexas, levando os indivíduos a pensarem criticamente e serem sujeitos pensantes, formadores de opinião.
Percebe-se assim, a Filosofia como instrumento de emancipação, espaço de formação de caráter e cidadania, além da conquista de uma visão de mundo avançada, pois os sujeitos que têm contato com essa disciplina passam a construir verdades a partir da diversidade de ambientes, do amadurecimento direto e franco com a sua realidade, passando por um novo olhar sobre a relações da educação com a vida.
Por isso que é relevante a construção de estratégias como proposta para uma aula de filosofia inovadora, capaz de tornar os alunos em pessoas autônomas nas suas escolhas, que a profissionalização através desta não renegue a cultura do ambiente.
Deve se quebrar essa resistência em reconhecer a filosofia como conteúdo primordial para o currículo acadêmico, e abrir mão dessa cultura que a coloca como um estudo a ficar em segundo plano, porém, para se superar concepções e estereótipos acerca do ensino da filosofia, deve-se também repensar a maneira em que se transmite a filosofia, como torna-la atrativa para os discentes e gratificante para os docentes.
As concepções que foram colocadas acerca do conteúdo filosófico estão construídos a partir do preconceito de que, tal disciplina não é para qualquer sujeito, e sim para os “intelectuais” das elites, são prova de que a sociedade necessita beber desta fonte (a filosofia), pois, somente assim que os indivíduos fragilizados e vulnerabilidades pela constituição histórica do país, poderão retirar o “tapa olho” que lhes foi colocado diante das desigualdades e injustiças da sociedade, passando a ter vez e voz.
Assim, deve-se propor a seguinte reflexão aos professores: como chegar a uma aula de filosofia ideal? Esse questionamento é o primeiro passo para que o docente encontre o norte necessário ao encontro de uma didática inovadora, suas estratégias deve ser o fruto de uma análise da realidade em que seus alunos se encontram, e de como o conteúdo proposto pode vir a tornar-se um elemento construtor de sujeitos plenos e conscientes do seu papel na sociedade.
O professor que se lança a esse desafio, deve estar preparado para superar as barreiras encontradas nas realidades das escolas brasileiras, baixo financiamento da estrutura e dos recursos educacionais, contextos e currículos distantes um do outro, exigência de resultados que não condizem com a contrapartida necessária ao alcance das mesmas e a falta de valorização por parte do governo à disciplina de filosofia.
Porém, esses desafios não podem serem tomados como motivos para fraquejar na missão do ato de ensinar, pois essa realidade só poderá ser transformada com a atitude e a ação de inovar e transformar as realidades, ambientes e contextos em que os alunos estão inseridos, fomentando assim a construção de uma nova sociedade, mais justa, igualitária e capaz de ofertar uma vida digna a todos os sujeitos.

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