A
palavra inovação - originada do Latim “Innovare (IN = em; NOVUS = novo,
recente) - nos remete àquilo que é e foi renovado ou modificado, e que também
pode facilmente descrever a nova tendência do ensino da filosofia em meio às
constantes transformações na sociedade globalizada e tecnologicamente
interligada.
Sabe-se,
que a educação brasileira está sofrendo grande influência das recentes
produções científicas e tecnológicas, as descobertas dos novos recursos
facilitam cada vez mais o modo de vida do ser humano, isso faz com que a
educação proposta não atenda mais os anseios dos indivíduos inseridos nesta
geração digitalmente democrática.
Surgem
grandes discursos acerca da “escola ideal”, porém, sabe-se que a formação
econômica, política, cultural e social do país, não favoreceu o surgimento de
uma estrutura que fomenta-se a aplicação dessa realidade ideal. A tradição educacional
brasileira - principalmente no que se refere ao ensino da filosofia - está
permeada por concepções e teorias produzidas por centros acadêmicos fechados à
diversidade, e se distância da realidade do ambiente em que a escola
encontra-se inserida.
Não
houve uma construção educacional fundamentada no contexto de cada centro
educacional, sempre se voltou a realidade das classes dominantes como o ponto
de referência para criação de valores para a educação. Há uma exclusão do
sujeito local, desde o conteúdo que se escolheu para lecionar até a metodologia
didática e de avaliação dos indivíduos.
Essa
exclusão se estende até a formação política, social e ética. Percebe-se que,
ainda não verificou-se uma linha clara acerca da didática filosófica
emancipadora, que acompanha as tendências da vida em sociedade, por isso, faz-se
necessário uma coligação entre os professores de filosofia e o contexto educacional
na qual ele se encontra. Observa-se, que nem as políticas públicas para a
educação, e/ou os gestores e professores dos centros escolares (inclui-se aqui
os gestores do sistema nacional de educação), nunca souberam como propor uma
aula de filosofia inovadora.
A
realidade vivenciada nas aulas de filosofia é muito divergente daquilo que se
prevê nos planos e nos parâmetros da educação, muitas vezes, nem o professor
qualificado e preparado para o ensino de tal matéria é não se encontra
disponível no meio. A história da filosofia é composta por várias idas e vindas,
quase sempre tratada como uma disciplina a margem de outras como o português e
a matemática.
São
questões como estas que levaram a uma marginalização da importância do ensino
da filosofia nos centros escolares, por isso, é que o ensino da filosofia exige
um novo modelo pedagógico, que vise práticas incluindo a comunidade, o contexto
e o ambiente na qual os alunos encontram-se inseridos. A Filosofia é uma
disciplina emancipatória, pois trata as questões da vida e do mundo com a
devida reflexão e análises complexas, levando os indivíduos a pensarem
criticamente e serem sujeitos pensantes, formadores de opinião.
Percebe-se
assim, a Filosofia como instrumento de emancipação, espaço de formação de
caráter e cidadania, além da conquista de uma visão de mundo avançada, pois os
sujeitos que têm contato com essa disciplina passam a construir verdades a
partir da diversidade de ambientes, do amadurecimento direto e franco com a sua
realidade, passando por um novo olhar sobre a relações da educação com a vida.
Por
isso que é relevante a construção de estratégias como proposta para uma aula de
filosofia inovadora, capaz de tornar os alunos em pessoas autônomas nas suas
escolhas, que a profissionalização através desta não renegue a cultura do
ambiente.
Deve
se quebrar essa resistência em reconhecer a filosofia como conteúdo primordial
para o currículo acadêmico, e abrir mão dessa cultura que a coloca como um
estudo a ficar em segundo plano, porém, para se superar concepções e
estereótipos acerca do ensino da filosofia, deve-se também repensar a maneira
em que se transmite a filosofia, como torna-la atrativa para os discentes e
gratificante para os docentes.
As
concepções que foram colocadas acerca do conteúdo filosófico estão construídos
a partir do preconceito de que, tal disciplina não é para qualquer sujeito, e
sim para os “intelectuais” das elites, são prova de que a sociedade necessita
beber desta fonte (a filosofia), pois, somente assim que os indivíduos
fragilizados e vulnerabilidades pela constituição histórica do país, poderão
retirar o “tapa olho” que lhes foi colocado diante das desigualdades e
injustiças da sociedade, passando a ter vez e voz.
Assim,
deve-se propor a seguinte reflexão aos professores: como chegar a uma aula de
filosofia ideal? Esse questionamento é o primeiro passo para que o docente
encontre o norte necessário ao encontro de uma didática inovadora, suas
estratégias deve ser o fruto de uma análise da realidade em que seus alunos se
encontram, e de como o conteúdo proposto pode vir a tornar-se um elemento
construtor de sujeitos plenos e conscientes do seu papel na sociedade.
O
professor que se lança a esse desafio, deve estar preparado para superar as
barreiras encontradas nas realidades das escolas brasileiras, baixo
financiamento da estrutura e dos recursos educacionais, contextos e currículos
distantes um do outro, exigência de resultados que não condizem com a
contrapartida necessária ao alcance das mesmas e a falta de valorização por
parte do governo à disciplina de filosofia.
Porém,
esses desafios não podem serem tomados como motivos para fraquejar na missão do
ato de ensinar, pois essa realidade só poderá ser transformada com a atitude e
a ação de inovar e transformar as realidades, ambientes e contextos em que os
alunos estão inseridos, fomentando assim a construção de
uma nova sociedade, mais justa, igualitária e capaz de ofertar uma vida digna a
todos os sujeitos.
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