A discussão em torno do pensamento
de Jonh Stuart Mill, sobre a liberdade e o individualismo, pode ser remontada a
partir da afirmação na qual este pensador diz que o homem é naturalmente
carente da conivência em sociedade, e por isso, Mill (2014, p. 56) afirma que,
“estamos constituídos de forma a desejar que nossos interesses estejam em
harmonia com os dos nossos semelhantes, essa harmonia pode ser o ponto chave na
conscientização da população para o sentimento e o desejo de igualdade”.
Desta forma, percebe-se que a ação
do sujeito na sociedade é uma espécie de contrato na qual, ao perceber que
necessita dos outros indivíduos para saciar seus interesses, associasse sua
liberdade à uma consciência coletiva em busca tal objetivo.
O autor reforça tal posição ao
mostrar que esta ação:
Consiste nos sentimentos
sociais da humanidade, no desejo de estar unido aos semelhantes, que é já um
princípio poderoso da natureza humana, sendo, felizmente, um dos que tendem a
tornar-se mais fortes mesmo sem uma expressão inculcação influenciada pelos
avanços da civilização. (MILL, 2014, p. 138).
Assim,
o conceito de liberdade se entrelaça com os sentimentos sociais da vida em
coletividade, sempre buscando a igualdade, mesmo com as inconsistências dos
interesses e da individualidade perante as vivências na sociedade.
Ao se falar de liberdade como um
conceito utilitarista, realizaremos um percurso já traçado, desenvolvendo assim
uma sociedade de iguais, que conforme Mill (2014, p. 139), só pode existir sob
a noção de que os interesses de todos devem ser considerados da mesma maneira,
e reafirma a metodologia com o seguinte raciocínio sobre os agentes e
beneficiários do projeto que; “enquanto cooperam, os seus fins identificam-se
com os fins dos outros”.
Todo o fortalecimento dos
laços sociais e todo o crescimento saudável da sociedade, além de dar a cada
indivíduo um interesse pessoal mais forte em atender na prática ao bem-estar
dos outros, leva-o a identificar progressivamente os seus sentimentos com o bem
dos outros, ou pelo menos a ter um grau ainda maior de consideração prática por
esse bem. (MILL, 2014, p. 139).
E por objetivar esse bem comum a
todos que estão direta ou indiretamente ligados ao projeto, é que se
estabeleceu a consciência de que, devemos tratar as pessoas como fins, e nunca
como simples meio ao serviço de interesses pessoais ou sociais.
Referências:
MILL, John Stuart. Utilitarismo. Tradução Ricardo Marcelino Palo Rodrigues. São Paulo:
HunterBooks, 2014.
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