* Prof. MsC. Romário Milhomem da Cruz
Muitos são os estudos e reflexões acerca
da moralidade e da ética que envolve o comportamento humano, quais causas,
razões e motivos levam os sujeitos a uma direção, intensidade e persistência em
uma maneira de agir no cotidiano. Todos estes estudos levam a um
questionamento: qual é a função de cada indivíduo na formação social e nas
relações entre os sujeitos?
Aqui cabe uma análise mais audaciosa
sobre a responsabilidade de nossas ações cotidianas e suas relações com o meio
na qual estamos inseridos. Uma autoanálise deve ser o ponto de partida desta
reflexão, qual é a postura que está sendo adota diante a realidade? Como os
sujeitos veem suas atitudes? Como os indivíduos externos recepcionam o
comportamento desses sujeitos de maneira positiva ou negativa?
Por isso, para que se assuma uma postura
socialmente responsável, deve-se alcançar uma visão de mundo que seja capaz de
ir além das estruturas sociais e seus paradigmas. Seguindo este preceito, Kant (2001,
p. 31), em seu Imperativo Categórico, traz a seguinte análise da relação
comportamento versus responsabilidade: “Age como se a máxima da tua ação se
devesse tomar, pela tua vontade, em lei universal”.
Dentro desta perspectiva, pode-se
indagar dentro do contexto mundial, como ser responsavelmente ético, em todas
as dimensões, numa sociedade onde o consumismo e o individualismo se tornou uma
realidade explicita, tudo graças ao avanço da globalização e do desenvolvimento
tecnológico, que, dentro de uma perspectiva capitalista, passa a valorar tudo o
que existe.
Adam Smith (1983), ao elaborar a sua
grande obra “A Riqueza das Nações”, aponta um fato que reflete o comportamento
humano diretamente ao questionamento que foi levantado acima:
Não
é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos
nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelo seu próprio interesse.
Dirigimo-nos não à sua humanidade, mas à sua autoestima, e nunca lhes falamos
das nossas próprias necessidades, mas das vantagens que advirão para eles.
Tendo esta consciência, pode-se
obsevar que a sociedade está pautada numa relação onde os sujeitos adquirem
diferentes funções e personalidades para atender um mesmo organismo social, e
que as relações entre estes não partem de uma escolha individual, mas surge para
atender diferentes relações que manterão esta estrutura social.
Por isso, os sujeitos são formados
dentro de um modelo educacional que esta direcionada para ações cotidianas que
atendam a herança e a cultura social de determinado local e período, somente com
esta consciência é que se pode compreender como estas atitudes pautadas na
responsabilidade com os valores e normas, podem ajudar-nos a nos conduzir bem
no dia a dia.
Emile Durkheim trata a educação como
uma relação sociológica, ou seja, uma formação que visa desenvolver habilidades
físicas, intelectuais e morais que atendam a demanda de uma sociedade, por
isso, percebe-se que agir com responsabilidade é agir dentro daquilo que tal
sociedade propõe, sendo assim, seria um erro dizer que a uma padronização do
que seja agir com responsabilidade, já que, conforme a sua relação direta com o
processo de educação, para Durkheim (apud
Bezerra & Santos, S/D), é determinante considerar que cada sociedade, em
seu respectivo contexto histórico, onde se desenvolveu, possui um modelo
educacional que foi considerado ideal para aquela época. A responsabilidade se
vincula ao período, pois conforme a época analisada há um tipo regulador de
educação que atenda as demandas impostas a cada indivíduo, enquanto sujeito
social, com sua função em determinada idade.
Desta maneira, para se estabelecer
uma responsabilidade prospectiva, aquilo que seja mais provável em um campo de
visão onde o horizonte está fundamento em um estilo de vida social, deve–se
adotar uma posição ativa que substitua uma atuação este papel de expectador das
questões sociais, atendendo uma demanda como cidadão. Marx (1999, p.52) já
apontava que: “Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, pelo
contrário, o seu ser social é que determina a sua consciência”.
Observa-se que a responsabilidade
prospectiva irá oferta pistas para o desenvolvimento de um conhecimento, que
balizado à demanda social, como aponta Gonçalves (2017, p. 56): “A economia
possui uma relação estreita com a ética”. Sendo assim, as nossas relações
pessoais indicam as causas, entre as diversas dimensões da sociedade, que
apressa o desenvolvimento de visão globalizada e tecnológica, e como sua
influência pode respingar nas ações do cotidiano.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS:
BEZERRA, Aliam Maria Ferreira. SANTOS, Marcos
Antônio Sérgio. Sociologia e Educação um
marco que se deve conhecer da visão de Émile Durkheim. Rede Educativa
Mundial. Disponível em: <
http://www.redem.org/sociologia-e-educacao-um-marco-que-se-deve-conhecer-da-visao-de-emile-durkheim/>.
Acessado em? 17 de maio de 2018.
GONÇALVES, Carla Fabiana de Andrade. História do Pensamento Econômico. Maringá-PR.:
UniCesumar, 2018.
KANT, I. Fundamentação
da metafísica dos costumes. Lisboa: Edições 70, 2001.
MARX, K. Manuscritos
econômicos filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2004. “Prefácio de Para a
crítica da economia política” In: Karl
Marx. São Paulo: Nova Cultural, 1999,
SMITH, Adam. A
riqueza das nações: investigação sobre sua natureza e suas causas. São
Paulo: Abril Cultural, 1983.
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