sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Atividade ética e responsabilidade social: Como devemos agir e o que devemos fazer em termos coletivos


                                      * Prof. MsC. Romário Milhomem da Cruz

            Muitos são os estudos e reflexões acerca da moralidade e da ética que envolve o comportamento humano, quais causas, razões e motivos levam os sujeitos a uma direção, intensidade e persistência em uma maneira de agir no cotidiano. Todos estes estudos levam a um questionamento: qual é a função de cada indivíduo na formação social e nas relações entre os sujeitos?
            Aqui cabe uma análise mais audaciosa sobre a responsabilidade de nossas ações cotidianas e suas relações com o meio na qual estamos inseridos. Uma autoanálise deve ser o ponto de partida desta reflexão, qual é a postura que está sendo adota diante a realidade? Como os sujeitos veem suas atitudes? Como os indivíduos externos recepcionam o comportamento desses sujeitos de maneira positiva ou negativa?
            Por isso, para que se assuma uma postura socialmente responsável, deve-se alcançar uma visão de mundo que seja capaz de ir além das estruturas sociais e seus paradigmas. Seguindo este preceito, Kant (2001, p. 31), em seu Imperativo Categórico, traz a seguinte análise da relação comportamento versus responsabilidade: “Age como se a máxima da tua ação se devesse tomar, pela tua vontade, em lei universal”.
            Dentro desta perspectiva, pode-se indagar dentro do contexto mundial, como ser responsavelmente ético, em todas as dimensões, numa sociedade onde o consumismo e o individualismo se tornou uma realidade explicita, tudo graças ao avanço da globalização e do desenvolvimento tecnológico, que, dentro de uma perspectiva capitalista, passa a valorar tudo o que existe.
            Adam Smith (1983), ao elaborar a sua grande obra “A Riqueza das Nações”, aponta um fato que reflete o comportamento humano diretamente ao questionamento que foi levantado acima:

Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelo seu próprio interesse. Dirigimo-nos não à sua humanidade, mas à sua autoestima, e nunca lhes falamos das nossas próprias necessidades, mas das vantagens que advirão para eles.

            Tendo esta consciência, pode-se obsevar que a sociedade está pautada numa relação onde os sujeitos adquirem diferentes funções e personalidades para atender um mesmo organismo social, e que as relações entre estes não partem de uma escolha individual, mas surge para atender diferentes relações que manterão esta estrutura social.
            Por isso, os sujeitos são formados dentro de um modelo educacional que esta direcionada para ações cotidianas que atendam a herança e a cultura social de determinado local e período, somente com esta consciência é que se pode compreender como estas atitudes pautadas na responsabilidade com os valores e normas, podem ajudar-nos a nos conduzir bem no dia a dia.
            Emile Durkheim trata a educação como uma relação sociológica, ou seja, uma formação que visa desenvolver habilidades físicas, intelectuais e morais que atendam a demanda de uma sociedade, por isso, percebe-se que agir com responsabilidade é agir dentro daquilo que tal sociedade propõe, sendo assim, seria um erro dizer que a uma padronização do que seja agir com responsabilidade, já que, conforme a sua relação direta com o processo de educação, para Durkheim (apud Bezerra & Santos, S/D), é determinante considerar que cada sociedade, em seu respectivo contexto histórico, onde se desenvolveu, possui um modelo educacional que foi considerado ideal para aquela época. A responsabilidade se vincula ao período, pois conforme a época analisada há um tipo regulador de educação que atenda as demandas impostas a cada indivíduo, enquanto sujeito social, com sua função em determinada idade.
            Desta maneira, para se estabelecer uma responsabilidade prospectiva, aquilo que seja mais provável em um campo de visão onde o horizonte está fundamento em um estilo de vida social, deve–se adotar uma posição ativa que substitua uma atuação este papel de expectador das questões sociais, atendendo uma demanda como cidadão. Marx (1999, p.52) já apontava que: “Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser social é que determina a sua consciência”.
            Observa-se que a responsabilidade prospectiva irá oferta pistas para o desenvolvimento de um conhecimento, que balizado à demanda social, como aponta Gonçalves (2017, p. 56): “A economia possui uma relação estreita com a ética”. Sendo assim, as nossas relações pessoais indicam as causas, entre as diversas dimensões da sociedade, que apressa o desenvolvimento de visão globalizada e tecnológica, e como sua influência pode respingar nas ações do cotidiano.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


BEZERRA, Aliam Maria Ferreira. SANTOS, Marcos Antônio Sérgio. Sociologia e Educação um marco que se deve conhecer da visão de Émile Durkheim. Rede Educativa Mundial. Disponível em: < http://www.redem.org/sociologia-e-educacao-um-marco-que-se-deve-conhecer-da-visao-de-emile-durkheim/>. Acessado em? 17 de maio de 2018.


GONÇALVES, Carla Fabiana de Andrade. História do Pensamento Econômico. Maringá-PR.: UniCesumar, 2018.


KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. Lisboa: Edições 70, 2001.


MARX, K. Manuscritos econômicos filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2004. “Prefácio de Para a crítica da economia política” In: Karl Marx. São Paulo: Nova Cultural, 1999,


SMITH, Adam. A riqueza das nações: investigação sobre sua natureza e suas causas. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

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