sexta-feira, 5 de outubro de 2018

TEORIA CRÍTICA PARA UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA EMANCIPATÓRIA


                                          * Prof. MsC. Romário Milhomem da Cruz
            Conceber uma prática pedagógica emancipatória é se propor a uma ação educacional transformadora, nos leva a um caminho marcado por desafios, que exigem uma postura reflexiva e ativa em relação a sociedade e suas construções culturais.
            Para esta compreensão recorremos - antes de analisar como a Teoria Critica criada pela Escola de Frankfurt, se comporta como instrumento fomentador desta prática pedagógica emancipadora - ao pensamento de Durkheim (2014, p. 108), quando ele traz a seguinte análise:

O indivíduo e os seus interesses não são o único ou principal objetivo da educação, a qual é antes de tudo o meio pelo qual a sociedade renova eternamente as condições da sua própria existência. A sociedade só pode viver se existir uma homogeneidade suficiente entre seus membros.

            Podemos, tendo como base esta afirmação de Durkheim, perceber que a escola é o espaço na qual se cria um ambiente de transmissão de uma educação que venha atender os interesses e manutenção de atitudes e percepções que favoreçam a vida no modelo cultural de sociedade em questão. Também, prepara os indivíduos para atender as demandas que a sociedade lhe requer, garantindo a perpetuação do modelo cultural proposto.
Percebe-se que a educação verificada em uma sociedade capitalista, não é concebida para o desenvolvimento do indivíduo em sua subjetividade e individualidade, mas para a permanência de uma configuração social que demanda certa massificação dos interesses dos que estabelecem a estrutura curricular e educacional no país. Pessoa (2018, p. 51), ao analisar o pensamento de Althusser, conclui que: “Torna-se urgente reconfigurar as relações sociais e o aparelho estatal, revolucionando a cultura para além do capital, através da criação de uma nova escola, uma nova família, uma nova igreja”.
            Essa nova reconfiguração seria propicia para construir um cenário favorável à valorização de uma educação que fomenta o desenvolvimento dos indivíduos em diversas dimensões relevante para o êxito do sujeito como cidadão. Também fomentaria práticas pedagógicas que se eleva a educação ao seu patamar de relevância perante as demais áreas da vida em sociedade.
            Desta forma, Pessoa (2018, p. 51) continua o seu estudo trazendo a seguinte reflexão:

Uma nova educação para além do capital precisamente forjará as bases de uma revolução cultural para se estabelecer as bases sociais de uma nova vida em busca de uma nova sociedade que domine os aparelhos ideológicos de Estado para se estabelecer uma nova ordem social justa, em defesa da humanidade como projeto de realização sem relações de exploração.

Com este pensamento, se faz possível pensar em uma educação nova, uma educação que percebe aquilo que está além do material, que proporciona uma nova percepção cultural e social, que fomente uma sociedade mais coesa e harmônica, favorecendo uma sociedade justa, digna e igualitária.
Há um intenso movimento econômico por traz das artes, que gera uma reprodução social consumista. A respeito disso, Holanda (2005), afirma que:

A reprodução social de vida tende a gerar uma sociedade destinada a atender às exigências do mercado, desfigurando as capacidades humanas, potencializando apenas dimensões singulares da pessoa humana para o desenvolvimento das forças reprodutivas.  

            Não é a toa que há uma desvalorização da capacidade reflexiva e crítica na estrutura curricular, quase que unanime dentro do campo do senso comum, e que se fortalecem pelo rol de conteúdos legais que tratam da educação emancipatória dentro do sistema educacional brasileiro, e reforçado pela estrutura na qual se aplica o ensino da filosofia, sociologia e outras disciplinas que levem a análise e reflexão social, na qual a presença descontinua do seu conteúdo é uma dura realidade do currículo escolar básico nacional.
            Mesmo perante as limitações estabelecidas pelo modelo de sociedade capitalista, a Teoria Crítica é um fertilizante para uma prática pedagógica emancipatória, já que segundo Duarte e Oliveira (2018), apontam que ela favorece a criticidade, o resgate da formação cultural como postulado pedagógico de emancipação, o valor da educação e a responsabilidade da escola no processo de “desbarbarização”, assimilação do passado como esclarecimento, e, uma maior participação dos pensadores neste processo.

REFERÊNCIAS:


DUARTE, Zuleyka da Silva; OLIVEIRA, Avelino da Rosa. A teoria crítica como referência de práticas emancipatórias na escola pública. Disponível em: <file:///C:/Users/romario/Downloads/Teoria%20cr%C3%ADtica%20e%20educa%C3%A7%C3%A3o%20emancipat%C3%B3ria%20(1).pdf>. Acessado em: 11 de julho de 2018.


DURKHEIM, Émile, 1858-1917. Educação e Sociologia. Tradução de Stephania Matousek. 5. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014 – (Coleção Textos Fundantes de Educação).


HOLANDA, Maria Norma Alcântara Brandão de. Alienação e Ser Social: determinações objetivas e subjetivas. Tese de doutoramento, Rio de Janeiro: UFRJ, 2005.


Pessoa, Carlos Eduardo Queiroz. Filosofia: história da filosofia contemporânea. São Luís: UEMA; UEMAnet, 2018.

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