* Prof. MsC. Romário Milhomem da Cruz
Conceber uma prática
pedagógica emancipatória é se propor a uma ação educacional transformadora, nos
leva a um caminho marcado por desafios, que exigem uma postura reflexiva e
ativa em relação a sociedade e suas construções culturais.
Para esta compreensão
recorremos - antes de analisar como a Teoria Critica criada pela Escola de
Frankfurt, se comporta como instrumento fomentador desta prática pedagógica
emancipadora - ao pensamento de Durkheim (2014, p. 108), quando ele traz a
seguinte análise:
O indivíduo e os seus
interesses não são o único ou principal objetivo da educação, a qual é antes de
tudo o meio pelo qual a sociedade renova eternamente as condições da sua
própria existência. A sociedade só pode viver se existir uma homogeneidade
suficiente entre seus membros.
Podemos, tendo como base
esta afirmação de Durkheim, perceber que a escola é o espaço na qual se cria um
ambiente de transmissão de uma educação que venha atender os interesses e
manutenção de atitudes e percepções que favoreçam a vida no modelo cultural de
sociedade em questão. Também, prepara os indivíduos para atender as demandas
que a sociedade lhe requer, garantindo a perpetuação do modelo cultural
proposto.
Percebe-se que a educação verificada em uma sociedade
capitalista, não é concebida para o desenvolvimento do indivíduo em sua
subjetividade e individualidade, mas para a permanência de uma configuração
social que demanda certa massificação dos interesses dos que estabelecem a
estrutura curricular e educacional no país. Pessoa (2018, p. 51), ao analisar o
pensamento de Althusser, conclui que: “Torna-se urgente reconfigurar as
relações sociais e o aparelho estatal, revolucionando a cultura para além do
capital, através da criação de uma nova escola, uma nova família, uma nova
igreja”.
Essa nova reconfiguração
seria propicia para construir um cenário favorável à valorização de uma
educação que fomenta o desenvolvimento dos indivíduos em diversas dimensões
relevante para o êxito do sujeito como cidadão. Também fomentaria práticas
pedagógicas que se eleva a educação ao seu patamar de relevância perante as
demais áreas da vida em sociedade.
Desta forma, Pessoa
(2018, p. 51) continua o seu estudo trazendo a seguinte reflexão:
Uma nova educação para além
do capital precisamente forjará as bases de uma revolução cultural para se
estabelecer as bases sociais de uma nova vida em busca de uma nova sociedade
que domine os aparelhos ideológicos de Estado para se estabelecer uma nova
ordem social justa, em defesa da humanidade como projeto de realização sem
relações de exploração.
Com este pensamento, se faz possível pensar em uma
educação nova, uma educação que percebe aquilo que está além do material, que
proporciona uma nova percepção cultural e social, que fomente uma sociedade
mais coesa e harmônica, favorecendo uma sociedade justa, digna e igualitária.
Há um intenso movimento econômico por traz das artes,
que gera uma reprodução social consumista. A respeito disso, Holanda (2005),
afirma que:
A reprodução social de vida
tende a gerar uma sociedade destinada a atender às exigências do mercado,
desfigurando as capacidades humanas, potencializando apenas dimensões
singulares da pessoa humana para o desenvolvimento das forças reprodutivas.
Não é a toa que há uma
desvalorização da capacidade reflexiva e crítica na estrutura curricular, quase
que unanime dentro do campo do senso comum, e que se fortalecem pelo rol de
conteúdos legais que tratam da educação emancipatória dentro do sistema educacional
brasileiro, e reforçado pela estrutura na qual se aplica o ensino da filosofia,
sociologia e outras disciplinas que levem a análise e reflexão social, na qual
a presença descontinua do seu conteúdo é uma dura realidade do currículo
escolar básico nacional.
Mesmo perante as
limitações estabelecidas pelo modelo de sociedade capitalista, a Teoria Crítica
é um fertilizante para uma prática pedagógica emancipatória, já que segundo
Duarte e Oliveira (2018), apontam que ela favorece a criticidade, o resgate da
formação cultural como postulado pedagógico de emancipação, o valor da educação
e a responsabilidade da escola no processo de “desbarbarização”, assimilação do
passado como esclarecimento, e, uma maior participação dos pensadores neste
processo.
REFERÊNCIAS:
DUARTE, Zuleyka da Silva; OLIVEIRA, Avelino da Rosa. A teoria crítica como referência de
práticas emancipatórias na escola pública. Disponível em:
<file:///C:/Users/romario/Downloads/Teoria%20cr%C3%ADtica%20e%20educa%C3%A7%C3%A3o%20emancipat%C3%B3ria%20(1).pdf>.
Acessado em: 11 de julho de 2018.
DURKHEIM, Émile, 1858-1917. Educação e Sociologia. Tradução de Stephania Matousek. 5. Ed.
Petrópolis, RJ: Vozes, 2014 – (Coleção Textos Fundantes de Educação).
HOLANDA, Maria Norma Alcântara Brandão de. Alienação e Ser Social: determinações
objetivas e subjetivas. Tese de doutoramento, Rio de Janeiro: UFRJ, 2005.
Pessoa, Carlos Eduardo Queiroz. Filosofia: história da filosofia
contemporânea. São Luís: UEMA; UEMAnet, 2018.
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