Por: Romário Milhomem da Cruz
Ao se
buscar o estudo nas origens do pensamento pré-socrático de uma ideia do que
seja a Alma, sob a perspectiva do desenvolvimento dos conceitos de alma,
imortalidade e sobrevivência da alma sobre a morte, desenrolam-se informações
sobre conceitos desenvolvidos desde a civilização minoica até o período
pré-socrático. Foi na Grécia que os construtores da Verdade obterão o papel de
questionar sobre a natureza e outras questões humanas. Mais porque estudar a
alma na Grécia sobre o pensamento dos primeiros filósofos? Inicialmente pode
até parecer uma curiosidade ingênua, instigada por dúvidas suscitadas na
cadeira de História da Filosofia Antiga em nosso curso.
A
literatura leva pensar em alma imortalidade e noções de sobrevivência à morte e
condições de vida após esta, o objetivo é a concretização do ser enquanto
sujeito da história, sendo um elemento em processo de imortalização da
consciência coletiva de seus contemporâneos. Poesias da Grécia Antiga, como as
narrações de Homero, contextualizou relações entre os mortos e os vivos sendo
consumado para o senso comum da época. Dado continuidade a observação, nota-se
uma simplificação audaz que leva a dizer que toda a problematização da vida e
pensamento filosófico – religioso dos gregos, gira em torno de um núcleo
chamado alma.
Mais
o que é Alma? A ideia de alma na Grécia antiga é oriunda de tradições místicas
e religiosas, chamada de psyché, que continha vários significados (“sopro de
vida, alento, alma, vida, ser vivo, pessoa, coisa amada, alma humana,
entendimento, conhecimento, prudência, sentimento, coração, valor, caráter,
desejo, inclinação, gosto e apetite”). Segundo a tradição da época, tanto os
homens como as almas tinham certas necessidades mútuas, conforme a concepção da
época e, dessa forma, o culto dos mortos, o fogo sagrado e a religião doméstica
eram as vias de expressão de tais necessidades.
Com
o pensamento dos construtores da filosofia inicia-se um pensamento da alma como
construtora do indivíduo. Por sujeito alma, passou-se a entender como o “eu”, a
pessoa que é conhecida por suas práticas e atividades psicológicas que lhe
garantem uma dimensão interior que o constitui como ser real, original, único,
indivíduo singular e que, em sua natureza, reside todo o segredo de sua vida
interior, de sua intimidade, a qual ninguém, com exceção dele próprio, tem
acesso, é a consciência de si.
Até
o momento a alma era, por assim dizer, um composto de forças exteriores à
consciência de si, determinada pela ideia, ou melhor, dizendo, pela forma de
ver que os demais no grupo demonstravam através de suas atitudes. Daí em diante
a alma é algo novo, começando a vislumbrar a presença de si mesma em interação
com o meio e as demais pessoas que o compõem, que nada mais são que modos de
pensar oriundos de si mesmo no processo de subjetivação da objetividade e o
consequente desdobramento deste sobre aquela, de maneira a viabilizar o
conhecimento mais ou menos consciente de si.
Mais o
qual é o pensamento dos pré-socráticos sobre alma?
Parmênides nasceu em Eléia, viveu entre o século VI. é um inovador
radical da filosofia da Physis, com ele a cosmologia recebe um
profundo abalo do ponto de vista conceitual, transforma-se em
uma Ontologia. Assim como outros pensadores
pré-socráticos, Parmênides enfrentou uma questão central: a busca de um
princípio, ou arché, subjacente a todas as coisas, e a determinação de um traço
de união entre esse princípio e a realidade do mundo físico, em constante
mutação. Para Parmênides, tudo o que existe constitui uma única realidade: o
ser, que ele identifica com o pensamento, uma vez que só se pode pensar sobre
aquilo que existe.
Segundo Parmênides os opostos se devem pensar como incluídos na unidade
superior do ser: ambos os opostos são “ser”. Parte assim para a dupla de
opostos: “luz” e “noite”. Está claro que assim como o não - ser estava
eliminado, também estava eliminada a morte, que é uma forma de não-ser. Para
Parmênides a obscura “noite” em que o cadáver se encontra não é o não - ser,
isto é, o nada; por isso o cadáver permanece no ser e , de alguma forma,
continua a sentir e, portanto, a viver.
Olhando para a escola aristotélica temos a seguinte afirmação; a matéria
não possui nenhum movimento intrínseco. No entanto, encontramos na natureza
seres animados, os quais possuem em si mesmos um princípio de movimento. Esse
princípio é a alma. Ela é forma que organiza os seres animados. Aristóteles a
define como “a alma é aquela coisa devido à qual vivemos, sentimos e pensamos”.
Segundo a teoria formulada na obra Acerca da Alma, enquanto que em alguns
seres a alma possui apenas uma função ligada à manutenção da vida, em outros,
ela apresenta funções mais complexas. Fundamentalmente, a alma pode apresentar
três funções distintas, que leva Aristóteles a falar de três partes da alma, ou
mesmo de três almas: primeiro, a alma vegetativa: é o princípio que regula as
atividades biológicas. Está presente em todos os seres vivos, plantas e
animais, e inclusive no homem. É responsável pelos instintos, pelos impulsos,
crescimento, nutrição e reprodução; segundo, a alma sensitiva ou desiderativa:
está presente somente nos animais, é responsável pelas sensações, pela
percepção das peculiaridades dos objetos com os quais os animais entram em
contato. Essa alma ainda coordena os movimentos corporais; terceiro, e a alma
intelectiva ou pensante: que é uma exclusividade do ser humano. Ela é a
capacidade de pensar discursivamente, de elaborar teorias e de pensar em
explicações. É dela que deriva a capacidade de formular juízos sobre a
realidade.
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