segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Uma reflexão sobre a construção do pensamento do período medieval utilizando o conhecimento filosófico e teológico

Por: Romário Milhomem da Cruz

Realizando uma reflexão sobre o pensamento medieval, pode-se alcançar uma distinção sobre o conhecimento filosófico e teológico, e encontrar pontos de partidas diferentes para cada um. A filosofia desde os pensadores gregos, caminha pela luz da razão e de informações e questionamentos originados do intelecto sensitivo. “Questionar é o atributo de um filosofo, porque não há outro início para a filosofia além desse (PLATÃO, apud KIM, 2011, p. 12)”.
            De outro lado surge à teologia junto com o cristianismo, que sem abandonar os instrumentos do conhecimento filosófico, recorre a Bíblia ou a princípios cristãos adquiridos pela revelação divina para construir o seu conhecimento. Segundo Santo Agostinho;

“Os humanos são seres racionais. Para que sejam racionais os humanos devem ter livre-arbítrio. Isso significa que devem ser capazes de escolher entre o bem e o mal. Os humanos podem, portanto, agir bem ou mal. Deus não é a origem do mal”. (apud KIM, 2011, p. 72).

            No desenvolvimento do pensamento medieval observam-se vários autores justificando ou condenando o conhecimento da filosofia, gerando inúmeros debates acerca de assuntos como fé e razão e a existência de Deus. Santo Agostinho, um dos mais influentes pensadores do período, em sua tese seguiu o pensamento de Platão que caminhou em busca do contato com o mundo inteligível.

“Mas depois de ler aqueles livros dos platônicos e de ser induzido por eles a buscar a verdade incorpórea, vi que ‘as vossas perfeições invisíveis se percebem por meio das coisas criadas’. Sendo repelido (no meu esforço), senti o que, pelas trevas da minha alma, me não era permitido contemplar: experimentei a certeza de que existíeis e éreis infinitos, sem, contudo vos estenderdes pelos espaços finitos e infinitos”. (AGOSTINHO, 1999, P. 194).

            Esse trecho do livro confissões usa a filosofia para justificar a teologia cristã da época, onde o autor sai do pensamento platônico para os ensinamentos das sagradas escrituras.
Sem dúvida uma das questões que mais esteve presentes nos debates filosóficos e teológicos da época, desenvolveu-se acerca da alma. Orígenes foi um pensador que explicou que a alma é parte do ser humano mais retorna a Deus após a morte, assim seguindo a linha do pensamento platônico, Orígenes estava convencido da imortalidade das almas, mesmo que o corpo humano estava na condição de mortal.
            Segundo Orígenes (apud ALEXANDER, 2014, p. 210), “A alma, tendo substância e vida própria, ao deixar o mundo será recompensada de acordo com seus feitos”. Então, a relação de Deus com os homens não se extinguem com a morte do corpo, ela continua com uma parte humana, a alma. Avicena se afasta da visão aristotélica de unidade e passa para a explicação dualista de que a o corpo e a alma são substâncias distintas.

“Se eu ficasse de olhos vendados e suspensos no ar, tocando em nada, não saberia que tenho um corpo. Mas saberia que eu – meu ‘eu’ ou ‘alma’ – existo. Então, minha alma não é um corpo, mas algo diferente. A alma é distinta do corpo.” (KIM, 2011, p. 77).

Pode-se buscar no pensamento de Tomás de Aquino afirma que o universo pode ter sempre existido, mais os seres pode ter passado a existir a partir de um ponto. “Deus poderia ter criado o universo sem humanos e, depois, cria-los (AQUINO, apud KIM, 2011, p. 92)”. Influenciado por Aristóteles, Tomas de Aquino busca conciliar a afirmação aristotélica de que o universo sempre existiu, mais a bíblia em contradição diz que o universo nem sempre existiu. Nisso Tomas de Aquino explica que o mundo teve um inicio “mas Deus pode tê-lo criado de forma a ter existindo eternamente”. (KIM, 2011, p. 91).

Observa-se que a fé utilizou-se constantemente da filosofia como um instrumento para justificar ou refutar doutrinas emergentes durante a construção do pensamento medieval e dos princípios e dogmas cristãos.


REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS


AGOSTINHO, Santo. Confissões. 1. Ed. São Paulo: Editora Nova Cultura Ltda, 1999. 416p.


ALEXANDER, Bruno. O livro das religiões. 1. Ed. São Paulo: Globo Livros, 2014. 352p.


KIM, Douglas. O livro da Filosofia. 1. Ed. São Paulo: Globo, 2011. 352p.

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