Por: Romário Milhomem da Cruz
De outro lado surge à teologia junto
com o cristianismo, que sem abandonar os instrumentos do conhecimento
filosófico, recorre a Bíblia ou a princípios cristãos adquiridos pela revelação
divina para construir o seu conhecimento. Segundo Santo Agostinho;
“Os humanos são seres racionais. Para
que sejam racionais os humanos devem ter livre-arbítrio. Isso significa que
devem ser capazes de escolher entre o bem e o mal. Os humanos podem, portanto,
agir bem ou mal. Deus não é a origem do mal”. (apud KIM, 2011, p. 72).
No desenvolvimento do pensamento
medieval observam-se vários autores justificando ou condenando o conhecimento
da filosofia, gerando inúmeros debates acerca de assuntos como fé e razão e a
existência de Deus. Santo Agostinho, um dos mais influentes pensadores do
período, em sua tese seguiu o pensamento de Platão que caminhou em busca do contato
com o mundo inteligível.
“Mas depois
de ler aqueles livros dos platônicos e de ser induzido por eles a buscar a
verdade incorpórea, vi que ‘as vossas perfeições invisíveis se percebem por
meio das coisas criadas’. Sendo repelido (no meu esforço), senti o que, pelas
trevas da minha alma, me não era permitido contemplar: experimentei a certeza
de que existíeis e éreis infinitos, sem, contudo vos estenderdes pelos espaços
finitos e infinitos”. (AGOSTINHO, 1999, P. 194).
Esse trecho do livro confissões usa
a filosofia para justificar a teologia cristã da época, onde o autor sai do
pensamento platônico para os ensinamentos das sagradas escrituras.
Sem dúvida uma das questões que mais esteve presentes nos
debates filosóficos e teológicos da época, desenvolveu-se acerca da alma.
Orígenes foi um pensador que explicou que a alma é parte do ser humano mais
retorna a Deus após a morte, assim seguindo a linha do pensamento platônico,
Orígenes estava convencido da imortalidade das almas, mesmo que o corpo humano
estava na condição de mortal.
Segundo Orígenes (apud ALEXANDER,
2014, p. 210), “A alma, tendo substância e vida própria, ao deixar o mundo será
recompensada de acordo com seus feitos”. Então, a relação de Deus com os homens
não se extinguem com a morte do corpo, ela continua com uma parte humana, a
alma. Avicena se afasta da visão aristotélica de unidade e passa para a
explicação dualista de que a o corpo e a alma são substâncias distintas.
“Se eu
ficasse de olhos vendados e suspensos no ar, tocando em nada, não saberia que
tenho um corpo. Mas saberia que eu – meu ‘eu’ ou ‘alma’ – existo. Então, minha
alma não é um corpo, mas algo diferente. A alma é distinta do corpo.” (KIM,
2011, p. 77).
Pode-se buscar no pensamento de Tomás de Aquino afirma que
o universo pode ter sempre existido, mais os seres pode ter passado a existir a
partir de um ponto. “Deus poderia ter criado o universo sem humanos e, depois,
cria-los (AQUINO, apud KIM, 2011, p. 92)”. Influenciado por Aristóteles, Tomas
de Aquino busca conciliar a afirmação aristotélica de que o universo sempre
existiu, mais a bíblia em contradição diz que o universo nem sempre existiu.
Nisso Tomas de Aquino explica que o mundo teve um inicio “mas Deus pode tê-lo
criado de forma a ter existindo eternamente”. (KIM, 2011, p. 91).
Observa-se que a fé utilizou-se constantemente da filosofia
como um instrumento para justificar ou refutar doutrinas emergentes durante a
construção do pensamento medieval e dos princípios e dogmas cristãos.
AGOSTINHO, Santo. Confissões. 1. Ed. São Paulo: Editora Nova Cultura Ltda, 1999. 416p.
ALEXANDER, Bruno. O livro das religiões. 1. Ed. São Paulo: Globo Livros, 2014. 352p.
KIM, Douglas. O livro da Filosofia. 1. Ed. São Paulo: Globo, 2011. 352p.
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