quinta-feira, 4 de agosto de 2016

FEDRO – PLATÃO

Por: Romário Milhomem da Cruz

O tema discutido em O Banquete, o amor, é continuado no discurso dado em Fedro. No início do dialogo encontra-se um cenário onde Sócrates se encontra pelo caminho com Fedro, onde Fedro retornava da casa de Lísias, um mestre da arte da retórica e da redigia para os dois lados dentro dos tribunais. No diaogo com Sócrates Fedro comentava sobre a boa impressão de um discurso emitido por Lísias em sua casa, e sobre o que significou em sua mente. A curiosidade de Sócrates o leva a pedir que Fedro o reproduza para que ele possa analisá-lo.
Nesse discurso de Lísias, é examinado o amor entre homens, algo comum naquele período da Grécia clássica. Esse mestre acreditava que a paixão entre dois amantes é prejudicial, pois nunca se satisfaz, estando sujeita a várias aflições, como os medos provocados pela separação e o favorecimento depois da separação ao novo amado, em prejuízo do antigo amante. Lísias acreditavam que o homem apaixonado não consegue conservar os negócios e nem manter o seu juízo normal e a sua razão. Através do diálogo entre os amantes, pode-se até saber já mantem, ou não, atividades sexuais. Aquele homem que vive pelo o amor não somente de outras pessoas como também pelo dinheiro e pelo saber (conhecimento), experimenta uma angustia constante pela existência de outras pessoas para transpor os obstáculos em termos financeiros e de conhecimentos.
Lísias acreditava que é melhor se abter da paixão, e viver sem esse sentimento, e dar preferência ao sentimento da amizade, pois o mesmo diz que, “liberto do amor, sou capaz de me dominar”, então esse mestre inicia um conjunto de recomendações sobre as vantagens adquiridas através da amizade, sentimento que não espera o amor em troca, ao contrário do que se vive com a paixão. Alimentar os que têm fome, poder conquistar amigos que o acompanharão não somente durante a juventude, mas também até a velhice, são esses dentre outros os conselhos dado pelo o orador.
Ao ouvir tudo o que Fedro reproduz do orador, ele ironiza dizendo ao mesmo que adorou o discurso. Então Fedro pede a Sócrates para que ele também faça um dos seus famosos discursos para que se possa comparar ao discurso proferido por Lísias. Aceitando o desafio, Sócrates explica que o que Lísias explicou não se trata do amor verdadeiro, que tem como virtude a temperança, o que ele expôs se trata da paixão, um tipo de amor que é submetido pela intemperança. A paixão é reprimida pela busca do prazer, já o amor é a busca do que é melhor. Sócrates explica que o homem apaixonado é aquele que deseja que o seu amado seja inferior a ele, pois o a paixão move a pessoa a não suportar a ideia da existência de um homem que lhe seja superior.
O que é mais grave segundo Sócrates, é que o homem apaixonado acaba por fazer o pior ato em relação ao amado, que é afastá-lo da filosofia. Sócrates interrompe o seu discurso no qual Fedro fica decepcionado por esse ter sido tão curto. Sócrates é possuído nesse momento por um daimonion, o qual faz o filósofo grego se arrepender pelo seu discurso anterior. A partir desse momento, Sócrates pretende fazer um elogio a Eros e apresentar sua definição da natureza da alma e o seu destino. Sócrates define a alma como imortal porque tudo aquilo que move a si mesmo e não é movido por outro é imortal.
Sócrates diz para Fedro que o discurso que fez quando estava sob a influência do daimonion corrigiu o primeiro, quando ele concordou com o caráter negativo do amor da mesma forma que Lísias. O Sócrates do segundo discurso fala sobre o amor divino e aos bens espirituais, que são aqueles que ele crê que os homens devam buscar; o primeiro discurso reflete sua certeza de que o amor ao prazer carnal e às opiniões desse mundo é nocivo.  Fedro é um livro muito belo e poético, que define de maneira breve algumas das concepções da psicologia de Platão. Platão acredita que o verdadeiro amante da sabedoria e amigo dos deuses é aquele que relembra o que viu no mundo das Ideias, quando contemplou a verdade e a justiça. Quando está nesse mundo, esse homem que vive a vida de filósofo e que pensa e ensina tudo aquilo que um dia viu e aprendeu, tem a obrigação de ensinar aos que ainda estão presos na caverna e só observam as sombras na caverna a respeito das verdades eternas, para que possa libertar àqueles que ainda vivem a vida da Doxa e do amor intemperante, fazendo dessa forma que o verdadeiro amor possa ser dirigido às questões do espírito, liberando o homem da prisão da carne.
No diálogo em Fedro, o orador condena o ofício dos poetas que têm por missão cantar hinos aos deuses, mas se esquecem de Eros. Fedro, no seu discurso, faz a justificação moral de Eros, mas não investiga a fundo sua essência e suas formas. De qualquer forma, é devido à fala desse discípulo de Sócrates que toda a discussão se inicia. Com o intuito de elevar Eros, Fedro encerra seu discurso dizendo que esse é o deus mais antigo, mais respeitável e o mais autorizado a levar o homem à posse das virtudes e da felicidade, nesta vida e depois da morte! Em resumo, Fedro proclama o amor como a divindade mais antiga e mais honrada entre os deuses. Ele concebe também o amor como um sumo bem e como um propósito final. Por fim, Fedro assevera que Eros é o deus mais poderoso na aquisição da virtude e na promoção da felicidade.

Um comentário:

  1. É um livro interessante de se ler. Porque ele fala-nos de uma outra perspetiva do Amor


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