Por: Romário Milhomem da Cruz
O tema discutido
em O Banquete, o amor, é continuado no discurso dado em Fedro. No início do
dialogo encontra-se um cenário onde Sócrates se encontra pelo caminho com
Fedro, onde Fedro retornava da casa de Lísias, um mestre da arte da retórica e
da redigia para os dois lados dentro dos tribunais. No diaogo com Sócrates
Fedro comentava sobre a boa impressão de um discurso emitido por Lísias em sua
casa, e sobre o que significou em sua mente. A curiosidade de Sócrates o leva a
pedir que Fedro o reproduza para que ele possa analisá-lo.
Nesse discurso de
Lísias, é examinado o amor entre homens, algo comum naquele período da Grécia
clássica. Esse mestre acreditava que a paixão entre dois amantes é prejudicial,
pois nunca se satisfaz, estando sujeita a várias aflições, como os medos
provocados pela separação e o favorecimento depois da separação ao novo amado,
em prejuízo do antigo amante. Lísias acreditavam que o homem apaixonado não
consegue conservar os negócios e nem manter o seu juízo normal e a sua razão.
Através do diálogo entre os amantes, pode-se até saber já mantem, ou não,
atividades sexuais. Aquele homem que vive pelo o amor não somente de outras
pessoas como também pelo dinheiro e pelo saber (conhecimento), experimenta uma
angustia constante pela existência de outras pessoas para transpor os
obstáculos em termos financeiros e de conhecimentos.
Lísias acreditava
que é melhor se abter da paixão, e viver sem esse sentimento, e dar preferência
ao sentimento da amizade, pois o mesmo diz que, “liberto do amor, sou capaz de
me dominar”, então esse mestre inicia um conjunto de recomendações sobre as
vantagens adquiridas através da amizade, sentimento que não espera o amor em
troca, ao contrário do que se vive com a paixão. Alimentar os que têm fome,
poder conquistar amigos que o acompanharão não somente durante a juventude, mas
também até a velhice, são esses dentre outros os conselhos dado pelo o orador.
Ao ouvir tudo o
que Fedro reproduz do orador, ele ironiza dizendo ao mesmo que adorou o
discurso. Então Fedro pede a Sócrates para que ele também faça um dos seus
famosos discursos para que se possa comparar ao discurso proferido por Lísias.
Aceitando o desafio, Sócrates explica que o que Lísias explicou não se trata do
amor verdadeiro, que tem como virtude a temperança, o que ele expôs se trata da
paixão, um tipo de amor que é submetido pela intemperança. A paixão é reprimida
pela busca do prazer, já o amor é a busca do que é melhor. Sócrates explica que
o homem apaixonado é aquele que deseja que o seu amado seja inferior a ele,
pois o a paixão move a pessoa a não suportar a ideia da existência de um homem
que lhe seja superior.
O que é mais grave
segundo Sócrates, é que o homem apaixonado acaba por fazer o pior ato em
relação ao amado, que é afastá-lo da filosofia. Sócrates interrompe o seu
discurso no qual Fedro fica decepcionado por esse ter sido tão curto. Sócrates
é possuído nesse momento por um daimonion, o qual faz o filósofo grego se
arrepender pelo seu discurso anterior. A partir desse momento, Sócrates
pretende fazer um elogio a Eros e apresentar sua definição da natureza da alma
e o seu destino. Sócrates define a alma como imortal porque tudo aquilo que
move a si mesmo e não é movido por outro é imortal.
Sócrates diz para
Fedro que o discurso que fez quando estava sob a influência do daimonion
corrigiu o primeiro, quando ele concordou com o caráter negativo do amor da
mesma forma que Lísias. O Sócrates do segundo discurso fala sobre o amor divino
e aos bens espirituais, que são aqueles que ele crê que os homens devam buscar;
o primeiro discurso reflete sua certeza de que o amor ao prazer carnal e às
opiniões desse mundo é nocivo. Fedro é um livro muito belo e poético, que
define de maneira breve algumas das concepções da psicologia de Platão. Platão
acredita que o verdadeiro amante da sabedoria e amigo dos deuses é aquele que
relembra o que viu no mundo das Ideias, quando contemplou a verdade e a
justiça. Quando está nesse mundo, esse homem que vive a vida de filósofo e que
pensa e ensina tudo aquilo que um dia viu e aprendeu, tem a obrigação de
ensinar aos que ainda estão presos na caverna e só observam as sombras na
caverna a respeito das verdades eternas, para que possa libertar àqueles que
ainda vivem a vida da Doxa e do amor intemperante, fazendo dessa forma que o
verdadeiro amor possa ser dirigido às questões do espírito, liberando o homem
da prisão da carne.
No diálogo em Fedro, o orador condena o ofício
dos poetas que têm por missão cantar hinos aos deuses, mas se esquecem de Eros.
Fedro, no seu discurso, faz a justificação moral de Eros, mas não investiga a
fundo sua essência e suas formas. De qualquer forma, é devido à fala desse
discípulo de Sócrates que toda a discussão se inicia. Com o intuito de elevar
Eros, Fedro encerra seu discurso dizendo que esse é o deus mais antigo, mais
respeitável e o mais autorizado a levar o homem à posse das virtudes e da
felicidade, nesta vida e depois da morte! Em resumo, Fedro proclama o amor como
a divindade mais antiga e mais honrada entre os deuses. Ele concebe também
o amor como um sumo bem e como um propósito final. Por fim, Fedro assevera que
Eros é o deus mais poderoso na aquisição da virtude e na promoção da
felicidade.
É um livro interessante de se ler. Porque ele fala-nos de uma outra perspetiva do Amor
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